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Aécio não é Tancredo, mas você irá querer ele no poder!

Caso você não saiba você já é um eleitor de Aécio Neves em potencial! Isso mesmo! Em 2018 Aécio será eleito presidente caso não se tomem medidas prévias de combate a mídia tendenciosa. As últimas falas do presidente do PSDB na imprensa ou em jantares com jornalistas aniversariantes já tornou evidente que há uma conspiração midiática em favor da leniência em benefício do PSDB.

 

Desde as colunas pútridas de Reinaldo Azevedo até as notinhas do Antagonista de Diogo Mainardi, passando pelos telejornais da Globonews, já começou imperar na mídia o método que cria eufemismos para tratar com condescendência toda e qualquer situação que envolva o pré-candidato presidencial Aécio Neves em escândalos.

 

 

Os jornalões chantagistas de manchetes pirotécnicas expõem atuação institucional da imprensa como uma máquina de retalhos da informação em favor da desinformação eleitoreira partidária. Colunas e textões que defendem a honra e legado político seja de Lula, Aécio Neves; e até do oligofrênico Bolsonaro poluem as redes sociais e blogs criando um clima generalizado de desinformação e idolatria aos políticos de estimação.

 

 

As rádios, da estirpe de Jovem Pan, também trabalham nesse sentido. Ao colocarem em programas da laia do The Morning Show e Pingos nos is, sujeitos chegados a pacandaria verborrágica politiqueira ao estilo Claudio Tognolli e Reinaldo Azevedo no ar, tudo isso favorece a fanfarronice do marketing político enganador no futuro próximo e afunda o debate de teses sérias ao nível do achismo puro e simples por parte da opinião pública fiel ao escracho midiático.

 

 

Tudo isso é prato cheio para marketeiros políticos tucanos garimparem material e idéias de sobra para desconstruírem pré-candidatos já combalidos como Jair Bolsonaro ou qualquer outro aventureiro que se meta a besta na disputa eleitoral em 2018. A seringueira petulante da Marina Silva, sabiamente tem mantido certa distância das polêmicas na imprensa, pois sabe que tudo que ela disser será usado e reciclado contra ela na próxima eleição como remake da eleição de 2014. Ela anda de fininho cumprindo uma religiosa agenda anti-governo Temer, à exemplo de outros supostos candidatos como é o caso do senador Ronaldo Caiado, que vem se alinhando com o lobby do agronegócio, com os movimentos de rua e tantas outras entidades na tentativa de alavancar seu nome para a disputa eleitoral de 2018.

 

 

 

 

 

Não obstante a isso, há sem dúvida um avanço no debate acerca de questões políticas e sociais que ainda é tímido em qualidade, mas que leva em conta a quantidade em relação ao direito à liberdade de opinião e expressão. Esse direito que inclui a liberdade de defender opiniões sem interferências e de buscar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio de comunicação.

 

 

As redes sociais por não serem indiferentes ou sempre reagirem a qualquer polêmica política ou declarações inoportunas de políticos – como foi o caso da “suruba seletiva” de Romero Jucá – tornaram a liberdade de expressão, e facilidade de expressar opiniões por algum meio de comunicação acessíveis aos estudos de marketeiros eleitorais, sociólogos e cientistas políticos, os quais usarão uma média dessas manifestações populares para direcionar o discurso de seus candidatos a uma espécie de “senso comum aceitável pela maioria” no contexto eleitoral.

 

Em breve veremos justamente Aécio Neves falando para uma classe média descontente com a crise econômica as mesmas falácias eleitorais dignas de Trump sobre retomada do emprego dos mais encrencados com a crise, diminuição de tributos para favorecer os empreendedores e valorização do sentimento de que uma nação só pode avançar se houver quem tenha força política para bater de frente contra um sistema pervertido que assola milhões de pessoas cotidianamente.

 

 

Aécio irá vestir a fantasia de mocinho contra os vilões da república com ajuda de um batalhão de colunistas tendenciosos na imprensa de aluguel. Peças de propaganda e convencimento com frases de efeito anti-Lula à moda Dória criarão um clima de que o PSDB não é a melhor opção logicamente, mas sim a opção menos ruim para o avanço político de um candidato que traz consigo a história do avô que lutou contra uma série de desmandos no passado.

 

 

 

Os meios de comunicação e militância dos mortadelas, que repelem todos os termos desclassificados ou inclassificáveis da retórica coxinha, naturalmente terão muito trabalho para combater a “escalada conservadora” ou a temida “agenda da Lava Jato contra a candidatura de Lula”.  Em consequência disso, a liberdade de expressão ultrapassará a função deste ou daquele termo ou locução de opiniões, e será transformada em massa de propaganda eleitoral disseminadas nas redes sociais por cidadãos comuns que brigam nas trincheiras da troca de insultos e fatos controversos sobre seus políticos de estimação.

 

Esse país só irá mudar minimamente de rumo se os coxinhas e mortadelas se absterem de votar por aos menos meia dúzia de eleições. Eles podem até debater nas redes sociais o quanto quiserem, mas está evidente que quem coloca corruptos e demagogos de ego inflado no poder é esse eleitorado abestalhado que critica e continua elegendo essas figurinhas deletérias da república. Esse complexo retardado de ter político de estimação, de votar no menos pior, de se deixar levar por discursinhos megalomaníacos de tolerância zero e gestão eficiente do “político não tradicional” é um câncer! Como diria o porta voz histérico da mídia tucana: #prontofalei

 

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Eleições 2018: Corruptos x Demagogos

A modinha da “Olavo tem razão” disseminada por gente tapada e emburrecida é feita negando a realidade. Esse tipo de pessoa é tão fanático quanto qualquer comunista marxista castiço por falta de leitura e uso decente do raciocínio lógico. Esse tipo de convicção subserviente a figura de um pseudo-intelectual ou determinado político criou uma cadeia de pessoas idiotizadas por esses charlatões da imprensa e militância de grupos como MBL da mesma foma que o PT conseguiu se infiltrar nas universidades e usar movimentos sociais em favor do fanatismo lulopetista. Hoje isso se atesta ao vermos apoio irrestrito e histérico aos políticos da laia do Dória e Bolsonaro.
 
Ultimamente tenho visto, a empolgação inclusive, liberais e pasmem, até libertários dando apoio a candidatura de Jair Bolsonaro a presidência da republica em 2018. De maneira cega, indivíduos vem sendo facilmente seduzidos por fotos do Bolsonaro tiradas com livros de autores liberais clássicos nas mãos do seu ídolo. Essa é a mesma lógica que leva muitos a crerem que se Dória comeu um pastel da feira sem fazer careta é porque ele ama os pobres. Nada mais risível que crer nisso piamente.
 
A retórica empobrecida de conceitos bem alinhavados e muita das vezes circenses faz com que Bolsonaro trate soluções econômicas do território em que vivemos de maneira profunda como um pires e isto de fato chega a assustar, pois liberais e libertários são famosos por dominar com tamanha maestria a teoria econômica e explicam como poucos o quão ineficiente é o estado planejando de maneira central a alocação de recursos, porém por algum motivo irracional resolveram fazer aliança com político milico conservador que até pouco tempo atrás tinha ideias nacionalistas ultra protecionistas irredutíveis.
 
Mudar de discurso e dizer aceitar conceitos liberais ao ponto de se tornar um político mais palatável economicamente é uma farsa já conhecida na cena eleitoral brasileira. Duda Mendonça colou em Lula esse adesivo do “economicamente viável” e fez banqueiros e empresários aceitarem ele na campanha eleitoral de 2002. Isso fez que até eleitores da classe média, que enxergavam Lula como um sindicalista selvagem comunista e ignorante iletrado ganhasse votos devido essa repentina mudança de formato, mas não de conteúdo. O mesmo estão fazendo agota com Bolsonaro. Quiçá até com Dória, que se fosse profundamente liberal não teria se filiado a um partido social-democrata fabiano.
Esses sujeitos querem fama e poder. Como existe um bando de pessoas manipuláveis em todas as camadas sociais, até mesmo as mais instruídas da sociedade, as quais se julgam acima de qualquer espécie de doutrinação ou afetação midiática por terem um diploma ou uma vasta aversão a corrupção, esses são os primeiros a serem iludidos por confiarem cegamente em seus dotes morais e convicções políticas.
Os bolsonaristas mais ferozes e inconsequentes são estupidamente por tabela trumpistas e apoiadores de Marine Le Pen, sem saber que Le Pen não fará nada para mudar a lei de aborto francesa que vigora desde 1975 no país. Além do mais,  Le Pen para obter votos úteis nas urnas não se coloca contra o casamento gay. Essas duas agendas caras para os moralistas conservadores fãs de Bolsonaro não estão na ordem do dia de Marine Le Pen. Mesmo assim os famigerados bolsominions apoiam Marine Le Pen, achando que ela seja a versão do Trump de saias na Europa, e por consequência uma direitista estilo Bolsonaro à moda escargot.
Vamos ver como os bolsomicos lidam com isso: Marine Le Pen defende a legislação de aborto,  também é pró-casamento gay, mas usa a bandeira anti-imigração para se firmar como garota propaganda da direita que defende valores da família e moral cristã? Nada disso, ela desonesta intelectual como seu eleitorado. O único candidato conservador de fato é François Fillon e não Le Pen. Mas como os adoradores do Bolsomico não sabem ler em francês muito menos em inglês eles ficam idolatrando Marine Le Pen e Trump negando muitas coisas reais como se fossem “fake news”. Mas aqui está o resumo de tudo isso em bom vernáculo pátrio.
Quando FBI manda Trump baixar a bola depois de acusar Obama falsamente por tê-lo grampeado, ou quando a justiça americana derruba as ordens executivas contra imigração e entrada de muçulmanos no EUA os bolsominions brasucas se enfurecem como se aquilo fosse uma afronta pessoal aos mesmos. Isso demonstra o grau de imaturidade intelectual e leviandade moral dos mesmos.
Trump parece ser uma cópia de Bush, mas os brasileiros se esquecem de muita coisa por terem memória curta demais. Lembram de quando o Bush aumentou o orçamento das forças armadas para invadir o Iraque e Afeganistão? Lembram que uma das metas dele era também tornar a imigração mais rígida? Lembram que Bush quis mexer no seguro social e sistema de saúde também? Lembram que Bush quis fazer uma economia voltada ao mercado interno com investimento em infraestrutura só criou recessão e uma série de bolhas especulativas no mercado imobiliário? Será que Trump está copiando ele? Eu acho que sim!
Trump à exemplo de Bolsonaro, são dois sujeitos desagradáveis e egocêntricos narcisistas. Trump finge que fala para o trabalhador assalariado do EUA, mas no fundo fala em nome do capital especulativo de Wall Street. Quando Wall Street se contenta com o presidente que atende seus interesses é porque o trabalhador está prestes a pagar a conta. Logo essa conta irá chegar e daí veremos Trump repetir os fiascos de Bush no setor econômico com o mesmo requinte de impopularidade depois de altos índices de confiança e popularidade.
Ao menos no Brasil, Bolsonaro não convence nenhum banqueiro ou grandes grupos investidores, portanto, a retórica dita liberal do mesmo é nula totalmente. Quem não rasga dinheiro sabe que Bolsonaro é uma nulidade em matéria econômica e um mero esbravejador de tolerância zero quanto a tudo que está errado no país da maracutaia.
Bolsonaro segue a cartilha do Afanásio Jazadji ao bater regalias aos bandidos, falta de pulso no combate ao crime, assim como segue a mesma linha de Luiz Carlos Alborgheti se dizendo a favor dos valores da família, sendo anti-maconheiros, anti-PT e mais uma vez contra o crime organizado. Esses políticos sobrevivem de pirotecnia na mídia e pouco fizeram em suas atuações como parlamentares para mudar o panorama crítico da criminalidade e afronta aos cidadãos de bem.
Está no hora do eleitor repensar em como tornar seu voto uma arma útil nas urnas contra o sistema, que de um lado tem corruptos rabos presos e do outro demagogos exaltados que não tem a menor ideia do que seja administrar um país assim como foi o caso de Dilma.

Os petistas estão em plena pré-campanha aberta pela candidatura de Lula, porque acham que assim a Justiça ficará intimidada de prendê-lo. A senadora narizinho é a mais empolgada na campanha de Lula 2018. Faz mesmo todo sentido: uma bi-ré liderando a candidatura de um penta-réu para desviar o foco. Entraram nessa peça de propaganda os “intelectuais da esquerda” que são nada mais que as viúvas da Lei Rouanet.

Quando os figurões da Odebrecht começarem a entregar não apenas todas as falcatruas eleitorais do PT, mas também as do PMDB e PSDB, como já estão fazendo, é que começaremos a ver a classe política e imprensa vendida falar ainda mais de 2018 com o discurso que políticos estão sendo caluniados e difamados em ações judiciais descabidas. Irão bater na tecla que “precisamos fazer uma transição para um novo governo que tenha meios de tirar o país da crise”. Logicamente irão tentar afundar a Lava Jato de alguma forma também.

Reinaldo Azevedo já começou a fazer isso, pois afoito como está em ser o Franklin Martins tucano, ele já se desespera com a possibilidade de Alckmin ancorado na popularidade histérica do Dória conseguir algo no PSDB desbancando o idolatrado Aécio, o qual já está sendo alvo de depoimentos dos delatores da Odebrecht. Rodrigo Constantino já se tornou o adestrador pseudo-liberal do Bolsonaro e Marina Silva conta com almofadinhas da imprensa descontentes com o PT. A imprensa irá mentir e acobertar seus patrões como faz em todo ano eleitoral. Essa folia já começou na Folha de São Paulo, Jovem Pan e Veja antecipadamente.

No final, todos os partidos e caciques irão se unir e tentar voltar ao status quo antes da era Lula, onde aquele malufismo genérico imperava e tinha todos os meios de operar em paz com a vista grossa da imprensa servil.

2018 será um calvário!
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Tudo que você precisa saber para não ser um eleitor idiota do PT e PSDB

PT e PSDB são os irmãos Karamazov da política nacional. Nas últimas décadas, ambos os partidos travaram duelos apaixonados e transformaram o debate público brasileiro num imenso caldeirão, um Fla-Flu. De um lado os azuis, do outro os vermelhos. De um lado o tucano, do outro a estrela. De um lado o professor, do outro o operário.

O que poucas pessoas sabem é que há mais coisas em comum entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social Democracia Brasileira do que julga nossa vã filosofia. PT e PSDB nasceram no mesmo lugar, no coração da esquerda paulistana, com concepções políticas e econômicas muito parecidas, e com duas figuras históricas – Lula e Fernando Henrique Cardoso – que não teriam ascendido sem o outro. E tudo isso nunca foi negado por seus criadores. Pelo contrário.

“Nós estamos que nem dois jogadores de futebol, somos amigos, somos até irmãos e estamos jogando em times diferentes”, jádisse Lula sobre a relação entre os partidos.

“Nossas diferenças com o PT são muito mais em relação à disputa de poder do que sobre ideologia”, jáassumiu Fernando Henrique Cardoso.

De fato, é muito difícil desassociar a história de ambos. O sociólogo francês Alain Touraine, de esquerda, ex-professor e amigo pessoal de Fernando Henrique, chegou a afirmar que o futuro do Brasil seria a união dos partidos. Em 2004, Tourainedisse que os governos de FHC e Lula faziam parte de um mesmo projeto. E tal cenário é assumido por seu pupilo. Para FHC, há uma massa política atrasada no país e a polarização entre PT e PSDB serve para tirá-lo desse atraso.

“Os dois partidos que têm capacidade de liderança para mudar isso são o PT e o PSDB. Em aliança com outros partidos. No fundo, nós disputamos quem é que comanda o atraso”,disse.

Aqui, 10 coisas que você não sabia sobre a relação entre os dois partidos que mais pediram o seu voto nos últimos tempos.

1) LULA JÁ GARANTIU ELEIÇÃO PARA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. E LOGO NA ESTREIA DOS DOIS NA POLÍTICA PARTIDÁRIA.

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Foi em 1978.

Fernando Henrique Cardoso era o príncipe dos sociólogos, um membro ativo da comunidade acadêmica paulistana que havia deixado a universidade para abraçar a vida pública. Era sua estreia de gala, o candidato de esquerda na corrida ao Senado pelo maior estado do país, a nova aposta do MDB.

Lula era o sapo dos operários, um líder do movimento sindical que tinha “ojeriza” à política partidária. Convencido por alguns amigos, abriu uma exceção para a candidatura do sociólogo do Morumbi. Pediu em troca sua adesão às bandeiras econômicas dos sindicatos, prontamente atendidas. Tal qual FH, era sua primeira vez nas corridas eleitorais. E a meta era clara: somar o máximo de votos possíveis para Fernando Henrique Cardoso.

Como conta o próprio Lula:

“Acontece que em 78, primeiro ano das greves do ABC, o MDB estava lançando sua chapa de senadores. Algumas pessoas, alguns jornalistas cujos nomes não vou dizer, queriam que a gente apoiasse Cláudio Lembo, da Arena. Fui apresentado a Fernando Henrique Cardoso. Aí fomos para a campanha. Fui representar Fernando Henrique Cardoso em vários comícios.”

Lula levou FHC às portas de fábrica e rodou com ele pelo interior do estado. Era o príncipe e o sapo unidos em torno da criação do mesmo reino – a maior figura daquilo que viria a ser o PSDB com a maior figura daquilo que viria a ser o PT. Num palanque do MDB, com artistas e figuras ilustres da esquerda paulistana, o líder operário irritou-se com a festividade. Virou-se para Ulysses Guimarães e esbravejou:

“O trato é que iria pedir votos só para o Fernando Henrique Cardoso. Todomundo sabe que sou o principal cabo eleitoral do Fernando Henrique Cardoso. Agora querem que eu peça votos também pro Montoro. Eu não vou pedir. Se não me deixarem fazer o que eu quero, eu desço e levo o palanque todo comigo, e vamos fazer o comício em outro lugar.”

Era o início de tudo. Fernando Henrique acabaria eleito primeiro suplente do senador Franco Montoro e, quatro anos depois, quando Montoro virou governador, assumiu a vaga, dando princípio à carreira política que o levaria ao cume do poder nacional. Sem o apoio de Lula em seus primeiros passos, nada disso seria possível.

2) EDUARDO SUPLICY, LULA E FHC JÁ DIVIDIRAM UMA CASA DE PRAIA EM UBATUBA

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Na década de setenta, Fernando Henrique Cardoso tinha umacasa de praia em Picinguaba, Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Em 1976, entre as indas e vindas de sua vida acadêmica dentro e fora do país, deixou o imóvel nas mãos de um amigo de longa data que conhecia desde os tempos de garoto – um sujeito chamado Eduardo Matarazzo Suplicy.

“Em 1976, aluguei uma casa em Paraty e fui conhecer Picinguaba. O Fernando Henrique Cardoso tinha uma casa lá, que acabou me emprestando por seis meses quando ele foi para a França. O filho da caseira me mostrou um terreno, onde acabei construindo minha casa, dois anos depois”, conta Suplicy.

Um ano depois, o fundador do PSDB abriria as portas para o fundador do PT e sua esposa – Lula e Marisa – passarem um final de semana no imóvel. Lula ficou extasiado com a paisagem. Só reclamou dos mosquitos.

3) LULA E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO QUASE CRIARAM UM PARTIDO POLÍTICO

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No final da década de 1970, Fernando Henrique e Lula participaram de uma reunião no ABC paulista, com intelectuais e dirigentes sindicais, para discutir o que fazer diante da iminente redemocratização no país. Nesse espaço, discutiram a criação de um partido socialista. Mas a ideia não foi pra frente. Como conta o sociólogo Francisco Weffort, fundador do PT e posteriormente ministro do governo FHC:

“Apesar das muitas afinidades, prevaleceu a divergência. Daquele grupo, uns saíram para criar o PT e outros, anos depois, o PSDB.”

Segundo Eduardo Suplicy, que reuniu Lula e Fernando Henrique diversas vezes em sua casa para discutir o futuro do país e a possível criação de uma nova legenda, ela só não nasceu pelo conflito de liderança entre os dois:

“Cada um avaliava que seria o líder maior da organização que se formasse. Tinham dificuldade de aceitar a liderança um do outro, e ficava muito difícil para ambos ficar no mesmo partido”, conta.

Por muito pouco, PT e PSDB não se tornaram um único partido.

4) OS POLÍTICOS DE PT E PSDB SE CONFUNDEM COM A HISTÓRIA DA ESQUERDA BRASILEIRA

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A história dos principais caciques tucanos se confunde com a história dos principais caciques petistas. Juntos, ajudaram a construir a esquerda brasileira.

Fernando Henrique Cardoso sempre foi um estudioso do marxismo, por influência de Florestan Fernandes. Na década de 50, auxiliava a edição da revista “Fundamentos”, do Partido Comunista Brasileiro. Também integrava um grupo de estudos dedicado à leitura e discussão da obra O Capital, de Marx. Em 1981, ao lado de Eduardo Suplicy, ingressou numa lista da Polícia Federal. Era tratado como comunista pela ditadura.

O economista José Serra foi uma das principais lideranças estudantis de seu tempo, presidente da UNE e um dos fundadores da Ação Popular, grupo de esquerda que revelaria os petistas Plínio de Arruda Sampaio e Cristovam Buarque. Serra é amigo pessoal e conviveu por anos no exílio com a economista petista Maria da Conceição Tavares, uma das principais influências intelectuais do Partido dos Trabalhadores e referência particular de Dilma.

O tucano Aloysio Nunes, vice de Aécio Neves na última eleição, foi membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella – era seu motorista e guarda-costa. Aloysio realizou inúmeros assaltos à mão armada em nome da revolução socialista.

Alberto Goldman, ex-governador tucano de São Paulo, teve uma educação marxista. Foi membro do clandestino PCB durante a ditadura.

José Aníbal, uma das figuras mais proeminentes do PSDB paulista, foi amigo de adolescência de Dilma Rousseff, com quem estudava matemática depois das aulas, e seu parceiro na Organização Revolucionária Marxista Política Operária, também conhecida como POLOP. Aníbal foi um dos fundadores do PT, antes de ser presidente do PSDB.

Juntos, eles fundariam os dois partidos políticos mais relevantes do país.

5) NAS ELEIÇÕES DE 1989, O PSDB APOIOU LULA CONTRA COLLOR

O recém formado PSDB, criado por dissidentes de esquerda do MDB, lançou o senador Mario Covas candidato à presidência em 1989. Covas alcançou pouco mais de 7 milhões de votos no primeiro turno e terminou a corrida na quarta colocação. O que pouca gente se lembra é que o PSDB apoiou Lula no segundo turno – o PMDB, de Ulysses Guimarães, tentou seguir o mesmo caminho, mas acabou rejeitado pelo Partido dos Trabalhadores. Os tucanos, por outro lado, foram acolhidos. Em almoço com oprefeito de Belo Horizonte eleito pelo PSDB, Pimenta da Veiga, Lula ouviu do tucano:

“Eu tenho também a alegria de saber que, pela primeira vez, aqui se reúnem representantes de todas as forças progressistas do país, nesta tarde, neste almoço. Eu estou certo que isso terá desdobramentos. E acho que deve ser assim, porque o Brasil deseja mudanças em profundidade. E só essas forças progressistas podem fazer essas mudanças.”

Lula perderia a eleição para Collor em poucas semanas.

6) “LULA, VENHA CONHECER A CASA ONDE VOCÊ UM DIA VAI MORAR”

Lula e FHC

Em 1993, o Brasil passou por um plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do país. De um lado, o PT articulava a formação de uma Frente Presidencialista. De outro, o PSDB defendia a implementação do parlamentarismo. Numa conversa informal, Lula e FHC chegaram a conversar sobre um plano em que o operário se tornaria presidente e o sociólogo primeiro-ministro.

Em 1998, como revela numa conversa com o ex-senador petista Cristovam Buarque, FHC recebeu Lula no Palácio do Alvorada e arriscou uma nova previsão.

“Cristovam Buarque: Em novembro de 1998, acompanhei o Lula para visitá-lo. Quando o senhor abriu a porta do apartamento residencial no Alvorada, disse: “Lula, venha conhecer a casa onde você um dia vai morar”. Foi generosidade ou previsão?

Fernando Henrique Cardoso: Não creio que tenha sido uma previsão, mas sempre achei uma possibilidade. E também um gesto de simpatia. Eu disse ao Lula naquele dia: “Temos uma relação de amizade há tantos anos, não tem cabimento que o chefe do governo não possa falar com o chefe da oposição”. Era uma época muito difícil para o Brasil. Eu disse lá, não sei se você se lembra: “Algum dia nós podemos ter de estar juntos”. Eu pensava numa crise. E disse ao Lula: “Não quero nada de você. Só conversar. É para você ter realmente essa noção de que num país, você não pode alienar uma força”. Lula conversou comigo no dia da posse. E foi bonita aquela posse… Na hora de ir embora, o Lula levou a mim e a Ruth até o elevador. E aí ele grudou o rosto em mim, chorando. E disse: “Você deixa aqui um amigo”. Foi sincero, não é?”

Em 1999, Fernando Henrique relatou o quanto respeitava Lula.Numa conversa com Eduardo Suplicy, revelou que quando Lula aparecia na televisão falando mal dele, simplesmente desligava o aparelho.

“Fico triste, perco até o humor. Para vocês terem uma ideia do quanto eu gosto e admiro o Lula. Você sabe, Eduardo, o que eu fiz com Lula quando ele esteve comigo no Alvorada, mostrei a ele o meu quarto e disse: “Um dia isso aqui vai ser os seus aposentos”. A gente faz isso com adversário, nem com todos os amigos a gente faz isso. Pois eu mostrei a Lula as dependências da residência oficial em que moro. Mostrei o meu quarto.”

Em três anos, Lula viraria presidente. A profecia tucana se cumpriu.

7) FERNANDO HENRIQUE FEZ CAMPANHA SECRETA PARA LULA EM 2002

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Nas eleições de 2002, FHC retaliou José Serra, candidato pelo PSDB à sucessão presidencial, por ataques feitos a Lula durante a campanha. Fernando Henrique disse também, em conversas reservadas, que foi um erro o ataque direto ao presidente do PT, o então deputado federal José Dirceu. Dirceu era o petista mais próximo de seu governo e a ordem era que se suspendesse imediatamente as críticas a ele. Seu puxão de orelha foi transmitido ao comando do marketing da campanha de Serra.

Com Lula eleito, FHC iniciou uma campanha secreta em sua defesa. A história é narrada no livro ”18 Dias — Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush”, escrito por Matias Spektor, doutor em relações internacionais pela Universidade de Oxford e colunista da Folha de São Paulo. Como conta Spektor:

“Lula despachou José Dirceu [que viria a ser o chefe de sua Casa Civil] para os Estados Unidos e acionou grupos de mídia e banqueiros brasileiros que tinham negócios com a família Bush. Disciplinou as mensagens de sua tropa e abriu um canal reservado com a embaixada americana em Brasília. Lula não fez isso sozinho. Operando junto a ele estava o presidente brasileiro em função – Fernando Henrique Cardoso. FHC enviou seu ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, em missão à Casa Branca para avalizar o futuro governo petista. O presidente também instruiu seu ministro da Fazenda, Pedro Malan, a construir uma mensagem comum junto ao homem forte de Lula, Antonio Palocci.

Eles fizeram uma dobradinha para dialogar com o Tesouro dos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional e Wall Street. Fernando Henrique ainda orientou Rubens Barbosa, seu embaixador nos Estados Unidos, a prestar todo o apoio a Lula.”

Sem esse apoio, Lula certamente não conseguira a estabilidade internacional que teve. Não fosse FHC, sua história teria tomado outros rumos. E a do Brasil também.

8) O HOMEM FORTE DA ECONOMIA DO GOVERNO LULA ERA… UM TUCANO!

No início dos anos 2000, Henrique Meirelles deixou de lado uma vida bem sucedida como executivo do setor financeiro para candidatar-se a deputado federal por Goiás. Recebeu 183 mil votos e se tornou o deputado mais votado do estado. Seu partido era o PSDB. Com o sucesso eleitoral e o respeito do mercado financeiro, foi convidado por Lula para ser o primeiro presidente do Banco Central de seu governo, cargo que ocuparia por longos 7 anos. Meirelles ainda receberia as bençãos de FHC, antes de se desfiliar do PSDB e deixar o cargo que havia sido eleito. Lula telefonou para Fernando Henrique para avisar a escolha.

Em 2003, Marcos Lisboa, outro homem forte da economia do primeiro governo Lula, declarou que a equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso merecia uma “estátua em praça pública” por ter promovido os acordos com os governos estaduais e municipais na negociação da dívida e também por ter criado a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Anos mais tarde, Fernando Henrique revelou comemorar as conquistas do governo Lula.

“Eu também comemoro a melhoria na distribuição de renda. A política dele é a minha”, disse.

9) FERNANDO HENRIQUE CARDOSO EVITOU OIMPEACHMENT DE LULA EM 2005

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Durante todo governo Lula, duas figuras construíram uma ponte entre o presidente operário e o ex-presidente sociólogo: os então ministros Antonio Palocci, da Fazenda, e Márcio Thomaz Bastos, da Justiça. Os encontros foram confirmados por ambos – Palocci confirmou que esteve pessoalmente com FHC “pelo menos cinco vezes”; Bastos disse ter conversado pessoalmente com o ex-presidente apenas uma vez, em junho de 2005, mas confirmou que os contatos por telefone eram muito frequentes. Lula sempre soube das conversas e, mais de uma vez, em momentos difíceis, sugeria a Palocci: “Vai conversar com Fernando Henrique”.

Em 2005, no auge do escândalo do Mensalão e com a pressão porimpeachmentLula orientou seus dois homens fortes para pedirem a FHC que aplacasse os ânimos da oposição. O tucano aceitou de prontidão. Na conversa com Thomaz Bastos, FHC concordou que um impeachment de Lula, à época uma ameaça real, “tornaria o país ingovernável”. Fernando Henrique dizia que não queria criar “uma cisão no Brasil”. Os tucanos acataram a ordem e a história do impeachment perdeu força.

10) NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS, PT E PSDB ESTAVAM COLIGADOS EM 999 DISPUTAS DE PREFEITURAS

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PT e PSDB são tratados como antagonista no cenário político nacional, mas a verdade é que em pelo menos 999 cidades (o correspondente a 18% das 5.569 cidades brasileiras), os partidos fizeram parte da mesma coligação nas últimas eleições municipais. Só no estado de São Paulo, esse número foi de 54 municípios.

Em Schroeder, Santa Catarina, por exemplo, o prefeito eleito foi o tucano Osvaldo Jurck; seu vice foi o petista Moacir Zamboni. Em 149 casos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as chapas que contaram com o PT foram encabeçadas por candidatos a prefeito pelo PSDB.

Tudo como se fossem feitos um para o outro.