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Aécio não é Tancredo, mas você irá querer ele no poder!

Caso você não saiba você já é um eleitor de Aécio Neves em potencial! Isso mesmo! Em 2018 Aécio será eleito presidente caso não se tomem medidas prévias de combate a mídia tendenciosa. As últimas falas do presidente do PSDB na imprensa ou em jantares com jornalistas aniversariantes já tornou evidente que há uma conspiração midiática em favor da leniência em benefício do PSDB.

 

Desde as colunas pútridas de Reinaldo Azevedo até as notinhas do Antagonista de Diogo Mainardi, passando pelos telejornais da Globonews, já começou imperar na mídia o método que cria eufemismos para tratar com condescendência toda e qualquer situação que envolva o pré-candidato presidencial Aécio Neves em escândalos.

 

 

Os jornalões chantagistas de manchetes pirotécnicas expõem atuação institucional da imprensa como uma máquina de retalhos da informação em favor da desinformação eleitoreira partidária. Colunas e textões que defendem a honra e legado político seja de Lula, Aécio Neves; e até do oligofrênico Bolsonaro poluem as redes sociais e blogs criando um clima generalizado de desinformação e idolatria aos políticos de estimação.

 

 

As rádios, da estirpe de Jovem Pan, também trabalham nesse sentido. Ao colocarem em programas da laia do The Morning Show e Pingos nos is, sujeitos chegados a pacandaria verborrágica politiqueira ao estilo Claudio Tognolli e Reinaldo Azevedo no ar, tudo isso favorece a fanfarronice do marketing político enganador no futuro próximo e afunda o debate de teses sérias ao nível do achismo puro e simples por parte da opinião pública fiel ao escracho midiático.

 

 

Tudo isso é prato cheio para marketeiros políticos tucanos garimparem material e idéias de sobra para desconstruírem pré-candidatos já combalidos como Jair Bolsonaro ou qualquer outro aventureiro que se meta a besta na disputa eleitoral em 2018. A seringueira petulante da Marina Silva, sabiamente tem mantido certa distância das polêmicas na imprensa, pois sabe que tudo que ela disser será usado e reciclado contra ela na próxima eleição como remake da eleição de 2014. Ela anda de fininho cumprindo uma religiosa agenda anti-governo Temer, à exemplo de outros supostos candidatos como é o caso do senador Ronaldo Caiado, que vem se alinhando com o lobby do agronegócio, com os movimentos de rua e tantas outras entidades na tentativa de alavancar seu nome para a disputa eleitoral de 2018.

 

 

 

 

 

Não obstante a isso, há sem dúvida um avanço no debate acerca de questões políticas e sociais que ainda é tímido em qualidade, mas que leva em conta a quantidade em relação ao direito à liberdade de opinião e expressão. Esse direito que inclui a liberdade de defender opiniões sem interferências e de buscar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio de comunicação.

 

 

As redes sociais por não serem indiferentes ou sempre reagirem a qualquer polêmica política ou declarações inoportunas de políticos – como foi o caso da “suruba seletiva” de Romero Jucá – tornaram a liberdade de expressão, e facilidade de expressar opiniões por algum meio de comunicação acessíveis aos estudos de marketeiros eleitorais, sociólogos e cientistas políticos, os quais usarão uma média dessas manifestações populares para direcionar o discurso de seus candidatos a uma espécie de “senso comum aceitável pela maioria” no contexto eleitoral.

 

Em breve veremos justamente Aécio Neves falando para uma classe média descontente com a crise econômica as mesmas falácias eleitorais dignas de Trump sobre retomada do emprego dos mais encrencados com a crise, diminuição de tributos para favorecer os empreendedores e valorização do sentimento de que uma nação só pode avançar se houver quem tenha força política para bater de frente contra um sistema pervertido que assola milhões de pessoas cotidianamente.

 

 

Aécio irá vestir a fantasia de mocinho contra os vilões da república com ajuda de um batalhão de colunistas tendenciosos na imprensa de aluguel. Peças de propaganda e convencimento com frases de efeito anti-Lula à moda Dória criarão um clima de que o PSDB não é a melhor opção logicamente, mas sim a opção menos ruim para o avanço político de um candidato que traz consigo a história do avô que lutou contra uma série de desmandos no passado.

 

 

 

Os meios de comunicação e militância dos mortadelas, que repelem todos os termos desclassificados ou inclassificáveis da retórica coxinha, naturalmente terão muito trabalho para combater a “escalada conservadora” ou a temida “agenda da Lava Jato contra a candidatura de Lula”.  Em consequência disso, a liberdade de expressão ultrapassará a função deste ou daquele termo ou locução de opiniões, e será transformada em massa de propaganda eleitoral disseminadas nas redes sociais por cidadãos comuns que brigam nas trincheiras da troca de insultos e fatos controversos sobre seus políticos de estimação.

 

Esse país só irá mudar minimamente de rumo se os coxinhas e mortadelas se absterem de votar por aos menos meia dúzia de eleições. Eles podem até debater nas redes sociais o quanto quiserem, mas está evidente que quem coloca corruptos e demagogos de ego inflado no poder é esse eleitorado abestalhado que critica e continua elegendo essas figurinhas deletérias da república. Esse complexo retardado de ter político de estimação, de votar no menos pior, de se deixar levar por discursinhos megalomaníacos de tolerância zero e gestão eficiente do “político não tradicional” é um câncer! Como diria o porta voz histérico da mídia tucana: #prontofalei

 

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Eleições 2018: Corruptos x Demagogos

A modinha da “Olavo tem razão” disseminada por gente tapada e emburrecida é feita negando a realidade. Esse tipo de pessoa é tão fanático quanto qualquer comunista marxista castiço por falta de leitura e uso decente do raciocínio lógico. Esse tipo de convicção subserviente a figura de um pseudo-intelectual ou determinado político criou uma cadeia de pessoas idiotizadas por esses charlatões da imprensa e militância de grupos como MBL da mesma foma que o PT conseguiu se infiltrar nas universidades e usar movimentos sociais em favor do fanatismo lulopetista. Hoje isso se atesta ao vermos apoio irrestrito e histérico aos políticos da laia do Dória e Bolsonaro.
 
Ultimamente tenho visto, a empolgação inclusive, liberais e pasmem, até libertários dando apoio a candidatura de Jair Bolsonaro a presidência da republica em 2018. De maneira cega, indivíduos vem sendo facilmente seduzidos por fotos do Bolsonaro tiradas com livros de autores liberais clássicos nas mãos do seu ídolo. Essa é a mesma lógica que leva muitos a crerem que se Dória comeu um pastel da feira sem fazer careta é porque ele ama os pobres. Nada mais risível que crer nisso piamente.
 
A retórica empobrecida de conceitos bem alinhavados e muita das vezes circenses faz com que Bolsonaro trate soluções econômicas do território em que vivemos de maneira profunda como um pires e isto de fato chega a assustar, pois liberais e libertários são famosos por dominar com tamanha maestria a teoria econômica e explicam como poucos o quão ineficiente é o estado planejando de maneira central a alocação de recursos, porém por algum motivo irracional resolveram fazer aliança com político milico conservador que até pouco tempo atrás tinha ideias nacionalistas ultra protecionistas irredutíveis.
 
Mudar de discurso e dizer aceitar conceitos liberais ao ponto de se tornar um político mais palatável economicamente é uma farsa já conhecida na cena eleitoral brasileira. Duda Mendonça colou em Lula esse adesivo do “economicamente viável” e fez banqueiros e empresários aceitarem ele na campanha eleitoral de 2002. Isso fez que até eleitores da classe média, que enxergavam Lula como um sindicalista selvagem comunista e ignorante iletrado ganhasse votos devido essa repentina mudança de formato, mas não de conteúdo. O mesmo estão fazendo agota com Bolsonaro. Quiçá até com Dória, que se fosse profundamente liberal não teria se filiado a um partido social-democrata fabiano.
Esses sujeitos querem fama e poder. Como existe um bando de pessoas manipuláveis em todas as camadas sociais, até mesmo as mais instruídas da sociedade, as quais se julgam acima de qualquer espécie de doutrinação ou afetação midiática por terem um diploma ou uma vasta aversão a corrupção, esses são os primeiros a serem iludidos por confiarem cegamente em seus dotes morais e convicções políticas.
Os bolsonaristas mais ferozes e inconsequentes são estupidamente por tabela trumpistas e apoiadores de Marine Le Pen, sem saber que Le Pen não fará nada para mudar a lei de aborto francesa que vigora desde 1975 no país. Além do mais,  Le Pen para obter votos úteis nas urnas não se coloca contra o casamento gay. Essas duas agendas caras para os moralistas conservadores fãs de Bolsonaro não estão na ordem do dia de Marine Le Pen. Mesmo assim os famigerados bolsominions apoiam Marine Le Pen, achando que ela seja a versão do Trump de saias na Europa, e por consequência uma direitista estilo Bolsonaro à moda escargot.
Vamos ver como os bolsomicos lidam com isso: Marine Le Pen defende a legislação de aborto,  também é pró-casamento gay, mas usa a bandeira anti-imigração para se firmar como garota propaganda da direita que defende valores da família e moral cristã? Nada disso, ela desonesta intelectual como seu eleitorado. O único candidato conservador de fato é François Fillon e não Le Pen. Mas como os adoradores do Bolsomico não sabem ler em francês muito menos em inglês eles ficam idolatrando Marine Le Pen e Trump negando muitas coisas reais como se fossem “fake news”. Mas aqui está o resumo de tudo isso em bom vernáculo pátrio.
Quando FBI manda Trump baixar a bola depois de acusar Obama falsamente por tê-lo grampeado, ou quando a justiça americana derruba as ordens executivas contra imigração e entrada de muçulmanos no EUA os bolsominions brasucas se enfurecem como se aquilo fosse uma afronta pessoal aos mesmos. Isso demonstra o grau de imaturidade intelectual e leviandade moral dos mesmos.
Trump parece ser uma cópia de Bush, mas os brasileiros se esquecem de muita coisa por terem memória curta demais. Lembram de quando o Bush aumentou o orçamento das forças armadas para invadir o Iraque e Afeganistão? Lembram que uma das metas dele era também tornar a imigração mais rígida? Lembram que Bush quis mexer no seguro social e sistema de saúde também? Lembram que Bush quis fazer uma economia voltada ao mercado interno com investimento em infraestrutura só criou recessão e uma série de bolhas especulativas no mercado imobiliário? Será que Trump está copiando ele? Eu acho que sim!
Trump à exemplo de Bolsonaro, são dois sujeitos desagradáveis e egocêntricos narcisistas. Trump finge que fala para o trabalhador assalariado do EUA, mas no fundo fala em nome do capital especulativo de Wall Street. Quando Wall Street se contenta com o presidente que atende seus interesses é porque o trabalhador está prestes a pagar a conta. Logo essa conta irá chegar e daí veremos Trump repetir os fiascos de Bush no setor econômico com o mesmo requinte de impopularidade depois de altos índices de confiança e popularidade.
Ao menos no Brasil, Bolsonaro não convence nenhum banqueiro ou grandes grupos investidores, portanto, a retórica dita liberal do mesmo é nula totalmente. Quem não rasga dinheiro sabe que Bolsonaro é uma nulidade em matéria econômica e um mero esbravejador de tolerância zero quanto a tudo que está errado no país da maracutaia.
Bolsonaro segue a cartilha do Afanásio Jazadji ao bater regalias aos bandidos, falta de pulso no combate ao crime, assim como segue a mesma linha de Luiz Carlos Alborgheti se dizendo a favor dos valores da família, sendo anti-maconheiros, anti-PT e mais uma vez contra o crime organizado. Esses políticos sobrevivem de pirotecnia na mídia e pouco fizeram em suas atuações como parlamentares para mudar o panorama crítico da criminalidade e afronta aos cidadãos de bem.
Está no hora do eleitor repensar em como tornar seu voto uma arma útil nas urnas contra o sistema, que de um lado tem corruptos rabos presos e do outro demagogos exaltados que não tem a menor ideia do que seja administrar um país assim como foi o caso de Dilma.

Os petistas estão em plena pré-campanha aberta pela candidatura de Lula, porque acham que assim a Justiça ficará intimidada de prendê-lo. A senadora narizinho é a mais empolgada na campanha de Lula 2018. Faz mesmo todo sentido: uma bi-ré liderando a candidatura de um penta-réu para desviar o foco. Entraram nessa peça de propaganda os “intelectuais da esquerda” que são nada mais que as viúvas da Lei Rouanet.

Quando os figurões da Odebrecht começarem a entregar não apenas todas as falcatruas eleitorais do PT, mas também as do PMDB e PSDB, como já estão fazendo, é que começaremos a ver a classe política e imprensa vendida falar ainda mais de 2018 com o discurso que políticos estão sendo caluniados e difamados em ações judiciais descabidas. Irão bater na tecla que “precisamos fazer uma transição para um novo governo que tenha meios de tirar o país da crise”. Logicamente irão tentar afundar a Lava Jato de alguma forma também.

Reinaldo Azevedo já começou a fazer isso, pois afoito como está em ser o Franklin Martins tucano, ele já se desespera com a possibilidade de Alckmin ancorado na popularidade histérica do Dória conseguir algo no PSDB desbancando o idolatrado Aécio, o qual já está sendo alvo de depoimentos dos delatores da Odebrecht. Rodrigo Constantino já se tornou o adestrador pseudo-liberal do Bolsonaro e Marina Silva conta com almofadinhas da imprensa descontentes com o PT. A imprensa irá mentir e acobertar seus patrões como faz em todo ano eleitoral. Essa folia já começou na Folha de São Paulo, Jovem Pan e Veja antecipadamente.

No final, todos os partidos e caciques irão se unir e tentar voltar ao status quo antes da era Lula, onde aquele malufismo genérico imperava e tinha todos os meios de operar em paz com a vista grossa da imprensa servil.

2018 será um calvário!
bolsonaro

O voto de cabresto de Celso de Mello

Quando mudamos de ideia a respeito de qualquer coisa na vida, há muitas vezes por de trás disso a intenção de corrigir falhas, redimir erros ou render-se a razão. Podemos chamar isso de “animus corrigendi”

Mas quando a própria noção de corrigir um erro, sanar um gravame, ou agir com falsa retratação é comprometida dando lugar a uma mudança de paradigmas para observar  interesses escusos isso se chama: “animus abutendi”, ou seja, intenção de abusar.

Foi essa segunda postura que o ministro decano Celso de Mello tomou ontem no STF ao mudar seu voto na ADPF que deu causa a lide de ontem no STF. Celso de Mello vindo posteriormente a rejeitar a liminar do colega vice-decano Marco Aurélio Mello em face do senador Renan Calheiros obrou com “animus abutendi” e precipitou o STF para além da falta de credibilidade. O decano da Suprema Corte jogou o STF no abismo da falta de legitimidade.

Quem está com a verdade do seu lado, do ponto de vista axiológico jurídico, jamais mudaria de opinião acerca das conclusões que os postulados jurídicos que formaram anteriormente a convicção decisória, para em seguida, numa outra situação particular, dar lugar a um arremedo de voto, ou voto de cabresto, em favor dum réu que nitidamente manipulou a opinião do julgador com subterfúgios extra-legais.

Juízes não podem ser pessoas que alteram suas opiniões e conclusões jurídicas, por mais genéricas que possam ser; ao sabor dos acontecimentos. Celso de Mello, ontem, no julgamento da liminar desobedecida por Renan, obrou exatamente isso da forma premeditada; e para usar palavras do próprio Marco Aurélio foi algo: inconcebível, intolerável e grotesco Celso de Mello ter agido desta forma.

O decano do STF tende a divergir de Marco Aurélio e pela praxe do colegiado, conforme regimento interno, o decano deve ser o último a votar, mas se decide antecipar o voto, isso pode influir os demais pares a segui-lo. Foi exatamente isso que ocorreu ontem, mas não por força dos argumentos do decano, e sim pela chantagem de bastidores à qual determinados ministros cederam da noite para o dia em favor de um réu no próprio tribunal, no qual, dizem zelar pela Carta Magna e sua interpretação.

Mesmo Marco Aurélio tendo dito que o STF incorreria em “deboche institucional” caso não fosse enérgico quanto aos fatos desencadeados pela desobediência de Renan em face duma ordem judicial emanada por um membro da mais alta corte judicial do país, mesmo assim, os seis ministros que acompanharam Celso de Mello, em seu voto de cabresto, levaram a cabo o acovardamento do STF em face de um senador que é investigado em mais de uma dúzia de processos criminais.

A máxima marcoaureliana de que “processo não tem capa, tem conteúdo”; uma citação clássica do eminente ministro flamenguista, apreciador de motocicletas e cavalos puro sangue, nunca foi tão veraz quanto ontem. Uns apreciaram a matéria olhando e temendo o nome contido na capa da lide, outro, desferiu um julgamento em face de um réu que ocupa um cargo de presidente do Senado, podendo ser assim censurado e até sacado do cargo por ser réu em processo crime no STF; isso desde que sejam bem observados os axiomas constitucionais numa exegese mais escorreita.

Num primeiro momento a decisão monocrática de Marco Aurélio teria efeitos concretos como qualquer outra ordem judicial acatada e cumprida à risca. Mas não foi isso que aconteceu. Renan, agindo de forma desaforada, burlou por duas vezes o oficial de justiça do STF, dando-lhe um chá de cadeira, agindo de forma evasiva através de assessores parlamentares, ou seja, foi uma amostra gratuita de quanto Renan não respeita a lei em momento algum.

Após a liminar expedida, e sem efeitos ante a realidade dos acontecimentos, o artigo 5º da lei 9.882 diz ordenava o seguinte: “O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar (…). Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno”. E foi isso o que processualmente aconteceu. A cautelar foi apreciada em no pleno colegiado, e foi aí que as manobras insidiosas de Renan sobre meia dúzia de togados supostos guardiões da Constituição deu razão aos dizeres de Lula quando chamou o STF de um bando de acovardados.

Apesar de Marco Aurélio ser arrogante e narcisista, sua decisão tinha que ser no mínimo apreciada com base nos postulados constitucionais pelos ministros divergentes, simplesmente por ele ser investido de poderes jurisdicionais para tal finalidade. Teriam de operar isso por respeito ao julgador e muito mais pela Constituição e instituições que servem. Mas desde o começo Marco Aurélio, que é só uma peça do STF, já foi atacado e execrado publicamente pelo colega de toga; a saber: Gilmar Mendes, um dos aliados de Renan no STF. Isso já insinuava que o STF tinha se tornado num puxadinho onde as ordens de congressistas do alto clero corrupto dão as cartas e são obedecidos cegamente pelos ministros da Suprema Corte brasileira.

O presunçoso Marco Aurélio achou que tinha bala na agulha. Deve ter achado que teria o corporativismo do STF ao seu lado, ao menos para proteger a classe de magistrados, a qual nenhum corrupto de alto escalão desse país nutre mínimo respeito ao ponto de lavrar leis contra os mesmos desmoralizando-os também com “animus abutendi” no foro legislador. No entanto, Marco Aurélio foi dilacerado apesar de ter acertado a mão dessa vez, e assim o STF recheou uma pizza à moda alagoana feita sob pedido expresso do próprio réu.

Celso de Mello, o decano, e Carmen Lúcia, atual presidente do STF, participaram dessa chicana mantendo aquela pose de santidade que cultivam sempre. Celso de Mello, com auxílio explícito de mais cinco pares, incluindo a presidente do STF, “recolocou” Renan de volta ao cargo que ele nunca perdera na prática. Isso sim foi um verdadeiro golpe contra a lei, contra as instituições e contra o povo. Testemunhamos um réu de grande envergadura mandar nos juízes instância judicial maior do país e nos poderes da República na tarde de ontem.

O voto do Celso de Mello foi contraditório, para dizer o mínimo. Ele repudiou que qualquer ente ou sujeito desacate uma ordem judicial, e depois, lavrou um voto alternativo predefinido extra lei. Daí ficou fácil, até para Dias Toffoli votar acompanhando ele, sem fundamentar nada, cair fora da sessão alegando que tinha mais o que fazer, e ainda pior foi Teori Zavascki, ele se acovardou aderindo à tese costurada nos bastidores, a qual Celso de Mello foi porta voz mor. Zavascki, justo ele, que tinha afastado Eduardo Cunha do mandato, consequentemente do cargo, se rendeu ao jogo de sombras e cordas perpetrado por Renan e lavado a cabo por Celso de Mello e demais pares que acompanharam a divergência.

Resumo da ópera: O voto de cabresto de Celso de Mello safou Renan Calheiros. Agora aguardemos o voto de cabresto dos eleitores alagoanos que deverão reconduzi-lo a mais um mandato, ao menos que haja um juiz nesse país capaz de colocar esse senador cangaceiro atrás das grades antes da próxima eleição.

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Esquerda e Direta são conceitos do passado?

A esquerda continua no processo de derretimento irreversível em diversos establishments onde a democracia e liberdade de expressão são as ferramentas para banir os políticos alinhados com a esquerda. É também essencial não deixarmos a direita autoritária livre para oprimir em outros lugares ou tomarem o espaço vazio deixado pela esquerda populista. Nunca se esquecendo é claro, de continuar a pregar o caixão do marxismo e suas ideologias auxiliares.

O próximo front dessa batalha será na França ano que vem. Aguardemos o desenrolar dos efeitos negativos e positivos da eleição de Donald Trump, pois esse fato será pano de fundo para que a extrema direita angarie mais adeptos e vitórias eleitorais em vários lugares da Europa no futuro.

Depois do desmanche do bloco socialista e da incontestável constatação de que o paraíso do proletariado não passa de lorota, as coisas começaram a mudar em vários lugares do mundo desde a queda do muro de Berlim. A visão de mundo de esquerdistas e direitistas convergiu a ponto de ser hoje muito difícil  apontar diferenças significativas. Cada uma das duas correntes de pensamento deu um passo em direção à outra.

Desencantados com experiências fracassadas, os socialistas já não preconizam intervenção do Estado em todos os meandros da sociedade. Por outro lado, assustados com o liberalismo excessivo que levou ao baque econômico de 2008 a direita já reconhecem a necessidade de uma certa dose de regulação por parte do Estado na economia e intervenção direta nos mercados financeiros.

Diante disso, falar em esquerda e direita faz menos sentido a cada dia que passa. Assim mesmo, clichês têm vida longa. Na Europa, jornalistas e analistas ainda fazem questão de colar uma etiqueta na testa de mandatários e de partidos. A força do hábito faz que apliquem automaticamente os mesmos parâmetros a políticos e à política de países longínquos.

No Brasil depois de quatro mandatos com presidentes de esquerda há uma evidente antipatia aos partidos e políticos de viés socialista. Para todos analistas mundo a fora Evo da Bolívia, Maduro da Venezuela, os irmãos Castro de Cuba, Rafael Correa do Equador e outros tantos políticos latinos são classificados como políticos de esquerda e ditadores populistas. Outros como, Michèle Bachelet do Chile, Mauricio Macri da Argentina, Horacio Cartes do Paraguai são taxados como de direita.

Não compartilho dessa percepção. A linha divisória entre campos políticos na América Latina não passa entre esquerda e direita. Dizer que nossos mandachuvas se dividem entre sérios e populistas estaria mais próximo da verdade. Os europeus e norte-americanos têm enorme dificuldade em se dar conta disso.

Os sérios podem ser partidários de maior ou menor intervenção do Estado ‒ não é essa a marca que os distingue dos outros. O mesmo vale para os populistas. A diferença mais marcante entre eles é que os sérios, que se tornaram mercadoria rara, vendem pastel com recheio. Já os populistas ‒ que, no Brasil, ocupam o topo da pirâmide há vários anos ‒ vendem pastel de vento.

 

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Lula-lá quer ser ministro para manobrar a massa de pelegos

Diante do adversário caído, melhor despachar as fúrias e cuidar das batalhas seguintes sem ostentar vitória antecipada.

O golpe populista de Lula é plantar a idéia de que ele precisa voltar como ministro ao governo Dilma. É uma jogada populista para buscar apoio na massa de manobra pelega mortadela e institucionalizar a bolivarianização dos cargos públicos.

Essa lenda urbana de que Lula é um grande articulador político, virou pó depois do mensalão e petrolão, o nome disso é compra de apoio e jogadas de marketing político para usar de oportunismo político em situações extremas. Eles criam dificuldades para vender facilidades com falsos pretextos.

Quem leu o ensaio sobre a astúcia de Bacon sabe do que estou dizendo.E aí que entra astúcia do Lula-lá:

Dilma mandou um recado àqueles que querem vê-la longe do governo dizendo que “ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu”. Acontece que, ainda que talvez não tenha se locupletado da roubalheira do petrolão, Dilma encobriu a ação do PT e mentiu na eleição, perdendo as condições de governar. Para completar, não dá pra aguentar o trio Dilma-Rossetto-Mercadante.

 

Para ficar, ela precisa de ajuda. A melhor saída seria Dilma partilhar o governo com Lula, o que seria um colchão de blindagem para ambos tendo Lula como chefe da Casa Civil. E ele ainda salvaria um restinho do que sobra do PT para uma próxima eleição. Não tornar pó o PT de vez numa escala tão rápida quanto se espera com a Lava Jato levando o nove dedos em cana sem foro especial é o que todos petistas querem.

O Congresso se permitir isso dará para Lula o cargo de raposa cuidando do galinheiro e será o primeiro a tombar caso Lula volte ao poder por vias bolivarianas. Lula-lá quer ser ministro para manobrar a massa de pelegos contras adversários de toda sorte que estão tornando o governo refém nesse momento. Não duvidem disso, pois: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro.” (Lula)

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O PT corre atrás do leite derramado

Durante seus 35 anos de existência, o PT sempre manteve pelo menos um traço de coerência: apostou na divisão do país para travar a luta política e, quando já estava no governo, abusou da cizânia como arma eleitoral e instrumento de perpetuação no poder. Agora, que o governo Dilma está nas cordas, os petistas acenam com diálogo. Qual PT é o verdadeiro?

Nos últimos dias, com a situação política, econômica (cuja cereja do bolo foi a nova meta de déficit prevista para este ano), social e ética do país atingindo níveis de deterioração nunca antes vistos, os petistas puseram para circular a versão de tanto Lula quanto Dilma buscam diálogo com a oposição, mais especificamente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em favor da “governabilidade”. Agora governadores também seriam alvo deste “pacto”.

Sim: debater o país, buscar as melhores alternativas de forma suprapartidária e republicana são práticas desejáveis e típicas de democracias e de democratas maduros. São, no entanto, tudo o que o PT jamais fez nos seus 35 anos de história e, principalmente, nos 13 anos no poder até agora.

Foram anos em que o PT reiteradamente provocou o embate, estimulou a divisão, recusou a opinião crítica (qualquer uma), atacou instituições e transformou adversários em inimigos. Agora, quando o calo aperta de vez, a postura muda num passe de mágica. Será?

Quem por acaso tiver alguma dúvida deveria revisitar os discursos de Lula tanto quando presidente – em que tudo acontecia no Brasil como “nunca antes na história” – e também quando, depois de sair do Planalto, aboletou-se sobre palanques pelo país afora e manteve-se em sua campanha permanente.

Quem ainda alimentar alguma suspeita sobre em qual PT deve-se acreditar, pode gastar horas assistindo aos programas de TV da presidente Dilma na campanha do ano passado ou revendo suas frases ensaiadas para serem repetidas nos debates presidenciais, segundo as quais o problema do Brasil do presente estava sempre no passado.

FHC foi o anátema desta estratégia. Tudo de ruim que possa ter ocorrido no Brasil nos últimos 20 anos foi sempre creditado a ele pela narrativa petista. Nas campanhas eleitorais do PT, culminando com a mais torpe delas, a do ano passado, o ex-presidente foi sempre retratado como o Judas a ser malhado pelas agruras – principalmente as atuais – dos brasileiros.

Depois de anos de distorção e mentiras, agora, num passe de mágica, o PT transforma FHC no esteio da governabilidade. Das duas, uma: Ou os petistas estão finalmente reconhecendo a importância de fato do ex-presidente para a história contemporânea do país ou estão, mais uma vez exercitando seu conhecido oportunismo. Em que PT acreditar?

Ao mesmo tempo em que assopra, o partido de Lula e Dilma morde. Ao mesmo tempo em que põe para circular a tese do diálogo, o velho PT de guerra prepara, junto com seus satélites, vários atos ao longo de agosto para tentar tachar, segundo a Folha de S.Paulo, de “antidemocráticas” e “golpistas” as manifestações de insatisfação em relação ao governo petista programadas para o próximo dia 16. Qual PT vale na prática?

Ao mesmo tempo, Lula também planeja correr o Nordeste para defender-se e ao governo – provavelmente expiando a culpa pela penúria atual nos bodes de sempre e não na gestão de sua pupila. Em quem confiar: em quem diz buscar diálogo ou em quem vocifera contra os adversários em reuniões quase diárias pelo país afora?

No mesmo momento, petistas no governo também tentam modificar critérios para aplicação de verbas publicitárias oficiais de maneira a privilegiar veículos alinhados ao petismo, em detrimento de parâmetros técnicos de alcance e audiência. Em quem apostar: nos que acenam com equilíbrio ou em quem ensaia manipular recursos públicos para – novamente – tentar cercear a imprensa?

A história é boa conselheira e pode servir sempre para iluminar o presente e ilustrar decisões e opiniões. O país quer ver saídas, desde que expressem um sentimento verdadeiro. Não é, por toda a história pregressa, o comportamento de quem até hoje agiu sempre de maneira contrária ao que agora acena. A história ensina: a mão que afaga é a mesma que apedreja.

Diante da esquizofrenia petista o que vemos é um ex-presidente investigado por tráfico de influência até mesmo no exterior e uma presidente encurralada sem apoio político e popular. É justamente nesse momento que o PT vem ardilosamente atrás do diálogo buscando um pacto pela governabilidade do país que destruiu nos últimos 13 anos no poder.

O humorismo de esquerda

Na abertura da sua História do Riso e do Escárnio, o historiador Georges Minois escreve: “O riso é um assunto demasiadamente sério para ser deixado aos cômicos”. É possível. Mas talvez também não seja sensato deixá-lo aos historiadores. Senão vejamos: Num jornal de grande circulação, o qual o tal Fábio Porchat, um suposto humorista escreveu nesse final de semana um texto primário editado uma cem vezes antes de publicar nos traz outra questão: “Por que é que todos os humoristas da televisão são de esquerda hoje em dia?” Faltam-me instrumentos para saber se essa particularidade sócio-profissional se verifica na realidade com 100% de certeza, mas creio que sim, pois depois da entrevista da Dilma Rousseff no Jô Soares parece não pairarem mais dúvidas.

Sei apenas que Jô Soares, será lembrado pelos petistas convictos que ele foi maior humorista brasileiro da era Dilma, mesmo nunca antes na história deste país ter se revelado de esquerda ou de direita – o que, aliás, tem todo o direito de fazer. Mas admito que caso em questão intrigue cientistas sociais em geral e irrite pessoas de direita em particular: deve ser difícil e até opressivo viver num país sem humoristas de direita. Imagino que o fato de o governo ser de esquerda irrite ainda mais. Além disso, a maioria parlamentar, ao menos no presente instante, parece ser de direita e isso torna a Presidente da República comandante duma República polarizada desde as eleições. Aparentemente é isso que está claro e evidente, mas não temos certeza alguma que isso seja a verdade dos fatos, pois o governo de coalizão é regido por dinheiro no bolso dos políticos e não ideologia. Assim como deve ser para o humorista de esquerda que recebe “licença para captar recursos” através da Lei Rouanet.

O esquerdismo latente dos humoristas brasileiros é assim  revelado dia após dia. Quando Jô Soares teve o atrevimento de debater o mensalão em seu programa e defender José Dirceu tudo ficou claro. Ficou mais uma vez à mostra que regulamentação política do piadismo televisivo chegou ao ponto do sensacionalismo barato típico da esquerda. Não é uma conclusão difícil de tirar, uma vez que o Jô Soares, ao invés de entrevistar Dilma no seu estúdio, a entrevistou longe de qualquer possibilidade de vaia e panelaço tudo ficou escancarado.

De acordo com o que há de mais nítido na cartilha do PT, este esquerdismo maniqueísta enviesa os temas escolhidos pelos humoristas ora contratados: “Pode-se gozar do FHC, mas não com Lula”. Surpreendentemente, a divisão ideológica faz-se entre FHC e Lula que são lâminas da mesma tesoura. Isso sim é hilário. Não se deixem levar pela realidade de que os tucanos são esquerdistas fabianistas, isso estraga a argumentação da militância petista crédula que isso é verdade e os ofende e muito. Uma boa gargalhada ao ler ou ouvir um petista dizendo que o PSDB é de direita chega ser um escárnio, uma afronta a moral e bons costumes do militante do PT mais honesto possível. Se é que isso existe. Não, a direita é FHC e seu partido falso moralista e entreguista que privatizou o Brasil quebrado por três vezes, e o seu contraponto é o PT da pátria grande, da esquerda mais gloriosa e valente de todos os tempos. Isso é dogma e não pode ser refutado!

Eis a prova cabal e irrefutável de que a culpa é do FHC para nós darmos uma boa gargalhada:

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O povo contra Lula

Mordaça vermelha – Poucas coisas são mais importantes do que o direito de se expressar livremente. Está escrito de forma cristalina na Constituição Federal – artigo 5º, inciso IV – que é livre a manifestação do pensamento, assim como livre é a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. E não há como discutir o fato de que a imprensa é quem melhor personifica essa liberdade.

Contudo, paira sobre a liberdade de imprensa a sombra da censura e do autoritarismo, que enfraquecem não só a liberdade de expressão, mas a democracia como um todo. Essa ameaça torna-se ainda mais grave quando parte de governos que, em tese, deveriam resguardar esses direitos. É isso que se vê nos chamados países bolivarianos da América Latina e, de forma mais disfarçada, no Brasil.

Na tentativa de desqualificar as inúmeras notícias negativas sobre o governo, o PT, mais uma vez, ataca a imprensa e os veículos de comunicação. Em resumo, os petistas não gostam da mensagem e por isso atacam o mensageiro.

No Congresso do partido, realizado em Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, o lobista e dublê de alarife debochou dos jornalistas e dos meios de comunicação, comemorando a demissão de centenas de profissionais da mídia recentemente. Nunca é demais lembrar que demissões, na imprensa e em outros setores, refletem grave crise econômica que chacoalha o País em todos os quadrantes. Crise essa que surgiu no rastro da conhecida incompetência do PT.

A militância petista, presente no evento, vibrou com o deboche. Assim como deve ter aplaudido a tentativa de setores do Itamaraty de evitar a publicação de documentos que comprometiam Lula e a empreiteira Odebrecht. Mais uma vez, foi a imprensa que evitou o malfeito, divulgando de forma clara e objetiva a relação nefasta entre o ex-presidente e a construtora, que inexplicavelmente ainda não foi dragada pelo Petrolão, o maior escândalo de corrupção da história da humanidade.

Não por acaso, uma das bandeiras mais caras ao PT é justamente o controle da mídia. Em outras palavras, Lula e seus quejandos querem cercear a informação, dificultando a liberdade de imprensa e de expressão. Líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho  afirma que o partido, assim como as pessoas de bem desse País, jamais permitirão que esse valor sagrado da democracia – a liberdade de expressão – seja tirado da sociedade.

Lula, como sabe a parcela pensante da população, é um malandro experimentado que abusa das teorias do absurdo, insistindo em promover o confronto do “nós contra eles” e incensando diuturnamente a tese do “golpe das elites”. Tudo acompanhado do discurso absurdo de que parte da imprensa tenta alimentar um golpe que só existe no pensamento totalitarista da esquerda verde-loura.

Durante anos a fio, petistas frequentaram as redações dos grandes jornais com o objetivo de repassar informações nem sempre passiveis de comprovação. Surgiam lépidos e faceiros nos veículos de comunicação, carregando debaixo do braço envelopes misteriosos com denúncias dúbias, sempre de origem duvidosa. Hoje, com o Brasil sangrando à sombra da corrupção e do desmando, os petistas não abrem mão de engessar a liberdade de expressão, ressuscitando a censura que tanto condenaram durante a plúmbea era brasileira.

O povo está contra Lula, que de Larry Flynt não tem nada.

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“Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação”

Sobre a papelada incriminatória que o Itamaraty quer impor sigilo e outras cositas:

Evidente que o Itamaraty não entregará a cabeça do Lula numa bandeja prateada nem mesmo num prato de porcelana fajuto. Assim como a CGU blinda as pedaladas fiscais da Dilma e deixa o TCU nas cordas sofrendo pressão da oposição de fachada e militância governista. Tudo isso demonstra que tem algo muito mais vultuoso por debaixo dos panos entre Lula e Odebrecht, entre empreiteiras e governo federal. Fatos e pactos que vão muito além do Petrolão e das investigações da Lava Jato, das falcatruas do BNDES e outros escândalos.

Como um governo pode falar em democracia se o Itamaraty blinda o Lula e uma empresa privada que empresta dinheiro de banco público? Como crer que as instituições republicanas funcionam com isenção e presunção de legitimidade se são as mesmas as primeiras a acobertar os desmandos dos ocupantes de cargos públicos? Se são estas as protagonistas em fazer vistas grossas para expedientes como os ocorridos no CAF e órgãos como o TSE?

No nazismo, ninguém podia mostrar nada sobre os atos de Hitler nem das empresas que faziam negócios com o governo alemão naquela fase da história. No fascismo idem, tudo que era contra o Estado e seu regente eram taxados de golpe contra a moralidade pública e governo de Mussolini. Hoje, aqui e agora, estamos vivenciado algo muito similar em pleno século XXI na América Latina em países como Argentina, Brasil e Venezuela.
Ontem mesmo as versões do laudo técnico da polícia federal argentina de que o promotor Nizman cometeu suicídio foram refutadas por peritos particulares deixando uma nefasta sombra que o governo argentino deve fazer de tudo para abafar o caso se valendo de todos os recursos estatais que dispõe. Esse é um caso de crime contra a vida não apenas de um promotor que poderia implicar a presidente Cristina Kirchner num grave processo judicial. Acima disso é um atentado à vida e liberdade de ação de um cidadão em sua tarefa de servir à Justiça com imparcialidade. Imaginem se algo similar acontece com o juiz Sérgio Moro ou seus assessores? Eles que travam uma batalha gigante contra a ladroagem que envolve figuras graúdas de empresas privadas que tem acordos com personagens como José Dirceu, Pallocci e outros do partido do governo.
Diante duma situação como essa, já sabemos que os investigadores da Lava Jato estão sendo alvo de retaliações administrativas por parte do Estado brasileiro. A narrativa surpreende até mesmo aqueles que ainda acreditam que exista alguma decência por parte das instituições, pois quando vemos que o governo federal chega ao ponto de plantar escutas ambientais nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para fiscalizar a própria Política Federal em suas atividades ligadas à operação Lava Jato; vemos que o Estado serve a quem está com a faixa presidencial e não a nossa suposta democracia.
A exigência que tudo que envolve atos do presidente da república precisa ser esclarecido de forma isenta ressoa não apenas aqui no Brasil, mas brada muito mais forte hoje na Argentina e Venezuela. Apesar de Cristina Kirchner, Maduro e Dilma entoarem a cantilena tradicional dos socialistas sul-americanos, esses presidentes de ocasião não conseguem disfarçar que o peronismo argentino, chavismo e lulopetismo que eles representam e encarnam. Os mesmos ainda deixam transparecer traços claros do ranço nazifascista dos tempos onde tudo que interessava era manter o poder até mesmo a custo de sangue, e manter o controle da sociedade sob a égide do império do discurso populista e incentivador do ódio contra os supostos inimigos do Estado. Portanto, não surpreende que tudo o que testemunhamos hoje nesses países é a mesma manifestação dessa doença social que infestou a Europa antes, e hoje reside na América Latina se valendo da esfinge do socialismo populista com traços de nazifascismo. Como dizia Winston Churchil: “É a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação do ódio e da inveja e o seu defeito inerente é a distribuição igualitária da miséria”.

O Itamaraty blindando o Lula tem nome: Ditadura. O STF servido aos caprichos do PT nas ações do Mensalão e agora possivelmente do Petrolão refletem o Estado brasileiro aparelhado. A CGU serve às intenções de encobrimento das relações de Dilma com doações ilegais para sua campanha presidencial na última eleição. A pergunta não é mais apenas que país é este, mas sim que povo é este que enxerga tudo isso e não se mobiliza ao ponto de ocupar Brasília e enxotar essa escória do epicentro do comando da República?
Os rapazes que marcharam até Brasília foram recebidos com pompas e depois levaram um pé na bunda dos congressistas da oposição inconsistente e da situação contraproducente. Esses sujeitos não conseguiram nada além do que quinze minutos de fama. Agora estão abraçados ao ostracismo de seus movimentos que não coloca mais ninguém nas ruas. Vemos ainda a imprensa nacional fadada a republicar peças jornalísticas enfadonhas, mal redigidas e desfocadas da realidade que apelam para o sentimentalismo político ora de direita ora de esquerda num jogo de cartas marcadas.
A situação que emana de todos esses pólos é que tudo gira em torno do caos e é sugado para o olho do furacão corrosivo do desmando e descaso que vem destruído sem a menor cerimônia a dignidade de nações inteiras. Perdemos todos com isso, e no futuro seremos lembrados como uma geração de providenciou o que existirá de pior na outra por omissão e conivência com governos corruptos e destruidores da moralidade tanto pública quanto privada.

RenatoRusso11

Tudo que você precisa saber para não ser um eleitor idiota do PT e PSDB

PT e PSDB são os irmãos Karamazov da política nacional. Nas últimas décadas, ambos os partidos travaram duelos apaixonados e transformaram o debate público brasileiro num imenso caldeirão, um Fla-Flu. De um lado os azuis, do outro os vermelhos. De um lado o tucano, do outro a estrela. De um lado o professor, do outro o operário.

O que poucas pessoas sabem é que há mais coisas em comum entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social Democracia Brasileira do que julga nossa vã filosofia. PT e PSDB nasceram no mesmo lugar, no coração da esquerda paulistana, com concepções políticas e econômicas muito parecidas, e com duas figuras históricas – Lula e Fernando Henrique Cardoso – que não teriam ascendido sem o outro. E tudo isso nunca foi negado por seus criadores. Pelo contrário.

“Nós estamos que nem dois jogadores de futebol, somos amigos, somos até irmãos e estamos jogando em times diferentes”, jádisse Lula sobre a relação entre os partidos.

“Nossas diferenças com o PT são muito mais em relação à disputa de poder do que sobre ideologia”, jáassumiu Fernando Henrique Cardoso.

De fato, é muito difícil desassociar a história de ambos. O sociólogo francês Alain Touraine, de esquerda, ex-professor e amigo pessoal de Fernando Henrique, chegou a afirmar que o futuro do Brasil seria a união dos partidos. Em 2004, Tourainedisse que os governos de FHC e Lula faziam parte de um mesmo projeto. E tal cenário é assumido por seu pupilo. Para FHC, há uma massa política atrasada no país e a polarização entre PT e PSDB serve para tirá-lo desse atraso.

“Os dois partidos que têm capacidade de liderança para mudar isso são o PT e o PSDB. Em aliança com outros partidos. No fundo, nós disputamos quem é que comanda o atraso”,disse.

Aqui, 10 coisas que você não sabia sobre a relação entre os dois partidos que mais pediram o seu voto nos últimos tempos.

1) LULA JÁ GARANTIU ELEIÇÃO PARA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. E LOGO NA ESTREIA DOS DOIS NA POLÍTICA PARTIDÁRIA.

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Foi em 1978.

Fernando Henrique Cardoso era o príncipe dos sociólogos, um membro ativo da comunidade acadêmica paulistana que havia deixado a universidade para abraçar a vida pública. Era sua estreia de gala, o candidato de esquerda na corrida ao Senado pelo maior estado do país, a nova aposta do MDB.

Lula era o sapo dos operários, um líder do movimento sindical que tinha “ojeriza” à política partidária. Convencido por alguns amigos, abriu uma exceção para a candidatura do sociólogo do Morumbi. Pediu em troca sua adesão às bandeiras econômicas dos sindicatos, prontamente atendidas. Tal qual FH, era sua primeira vez nas corridas eleitorais. E a meta era clara: somar o máximo de votos possíveis para Fernando Henrique Cardoso.

Como conta o próprio Lula:

“Acontece que em 78, primeiro ano das greves do ABC, o MDB estava lançando sua chapa de senadores. Algumas pessoas, alguns jornalistas cujos nomes não vou dizer, queriam que a gente apoiasse Cláudio Lembo, da Arena. Fui apresentado a Fernando Henrique Cardoso. Aí fomos para a campanha. Fui representar Fernando Henrique Cardoso em vários comícios.”

Lula levou FHC às portas de fábrica e rodou com ele pelo interior do estado. Era o príncipe e o sapo unidos em torno da criação do mesmo reino – a maior figura daquilo que viria a ser o PSDB com a maior figura daquilo que viria a ser o PT. Num palanque do MDB, com artistas e figuras ilustres da esquerda paulistana, o líder operário irritou-se com a festividade. Virou-se para Ulysses Guimarães e esbravejou:

“O trato é que iria pedir votos só para o Fernando Henrique Cardoso. Todomundo sabe que sou o principal cabo eleitoral do Fernando Henrique Cardoso. Agora querem que eu peça votos também pro Montoro. Eu não vou pedir. Se não me deixarem fazer o que eu quero, eu desço e levo o palanque todo comigo, e vamos fazer o comício em outro lugar.”

Era o início de tudo. Fernando Henrique acabaria eleito primeiro suplente do senador Franco Montoro e, quatro anos depois, quando Montoro virou governador, assumiu a vaga, dando princípio à carreira política que o levaria ao cume do poder nacional. Sem o apoio de Lula em seus primeiros passos, nada disso seria possível.

2) EDUARDO SUPLICY, LULA E FHC JÁ DIVIDIRAM UMA CASA DE PRAIA EM UBATUBA

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Na década de setenta, Fernando Henrique Cardoso tinha umacasa de praia em Picinguaba, Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Em 1976, entre as indas e vindas de sua vida acadêmica dentro e fora do país, deixou o imóvel nas mãos de um amigo de longa data que conhecia desde os tempos de garoto – um sujeito chamado Eduardo Matarazzo Suplicy.

“Em 1976, aluguei uma casa em Paraty e fui conhecer Picinguaba. O Fernando Henrique Cardoso tinha uma casa lá, que acabou me emprestando por seis meses quando ele foi para a França. O filho da caseira me mostrou um terreno, onde acabei construindo minha casa, dois anos depois”, conta Suplicy.

Um ano depois, o fundador do PSDB abriria as portas para o fundador do PT e sua esposa – Lula e Marisa – passarem um final de semana no imóvel. Lula ficou extasiado com a paisagem. Só reclamou dos mosquitos.

3) LULA E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO QUASE CRIARAM UM PARTIDO POLÍTICO

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No final da década de 1970, Fernando Henrique e Lula participaram de uma reunião no ABC paulista, com intelectuais e dirigentes sindicais, para discutir o que fazer diante da iminente redemocratização no país. Nesse espaço, discutiram a criação de um partido socialista. Mas a ideia não foi pra frente. Como conta o sociólogo Francisco Weffort, fundador do PT e posteriormente ministro do governo FHC:

“Apesar das muitas afinidades, prevaleceu a divergência. Daquele grupo, uns saíram para criar o PT e outros, anos depois, o PSDB.”

Segundo Eduardo Suplicy, que reuniu Lula e Fernando Henrique diversas vezes em sua casa para discutir o futuro do país e a possível criação de uma nova legenda, ela só não nasceu pelo conflito de liderança entre os dois:

“Cada um avaliava que seria o líder maior da organização que se formasse. Tinham dificuldade de aceitar a liderança um do outro, e ficava muito difícil para ambos ficar no mesmo partido”, conta.

Por muito pouco, PT e PSDB não se tornaram um único partido.

4) OS POLÍTICOS DE PT E PSDB SE CONFUNDEM COM A HISTÓRIA DA ESQUERDA BRASILEIRA

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A história dos principais caciques tucanos se confunde com a história dos principais caciques petistas. Juntos, ajudaram a construir a esquerda brasileira.

Fernando Henrique Cardoso sempre foi um estudioso do marxismo, por influência de Florestan Fernandes. Na década de 50, auxiliava a edição da revista “Fundamentos”, do Partido Comunista Brasileiro. Também integrava um grupo de estudos dedicado à leitura e discussão da obra O Capital, de Marx. Em 1981, ao lado de Eduardo Suplicy, ingressou numa lista da Polícia Federal. Era tratado como comunista pela ditadura.

O economista José Serra foi uma das principais lideranças estudantis de seu tempo, presidente da UNE e um dos fundadores da Ação Popular, grupo de esquerda que revelaria os petistas Plínio de Arruda Sampaio e Cristovam Buarque. Serra é amigo pessoal e conviveu por anos no exílio com a economista petista Maria da Conceição Tavares, uma das principais influências intelectuais do Partido dos Trabalhadores e referência particular de Dilma.

O tucano Aloysio Nunes, vice de Aécio Neves na última eleição, foi membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella – era seu motorista e guarda-costa. Aloysio realizou inúmeros assaltos à mão armada em nome da revolução socialista.

Alberto Goldman, ex-governador tucano de São Paulo, teve uma educação marxista. Foi membro do clandestino PCB durante a ditadura.

José Aníbal, uma das figuras mais proeminentes do PSDB paulista, foi amigo de adolescência de Dilma Rousseff, com quem estudava matemática depois das aulas, e seu parceiro na Organização Revolucionária Marxista Política Operária, também conhecida como POLOP. Aníbal foi um dos fundadores do PT, antes de ser presidente do PSDB.

Juntos, eles fundariam os dois partidos políticos mais relevantes do país.

5) NAS ELEIÇÕES DE 1989, O PSDB APOIOU LULA CONTRA COLLOR

O recém formado PSDB, criado por dissidentes de esquerda do MDB, lançou o senador Mario Covas candidato à presidência em 1989. Covas alcançou pouco mais de 7 milhões de votos no primeiro turno e terminou a corrida na quarta colocação. O que pouca gente se lembra é que o PSDB apoiou Lula no segundo turno – o PMDB, de Ulysses Guimarães, tentou seguir o mesmo caminho, mas acabou rejeitado pelo Partido dos Trabalhadores. Os tucanos, por outro lado, foram acolhidos. Em almoço com oprefeito de Belo Horizonte eleito pelo PSDB, Pimenta da Veiga, Lula ouviu do tucano:

“Eu tenho também a alegria de saber que, pela primeira vez, aqui se reúnem representantes de todas as forças progressistas do país, nesta tarde, neste almoço. Eu estou certo que isso terá desdobramentos. E acho que deve ser assim, porque o Brasil deseja mudanças em profundidade. E só essas forças progressistas podem fazer essas mudanças.”

Lula perderia a eleição para Collor em poucas semanas.

6) “LULA, VENHA CONHECER A CASA ONDE VOCÊ UM DIA VAI MORAR”

Lula e FHC

Em 1993, o Brasil passou por um plebiscito sobre a forma e o sistema de governo do país. De um lado, o PT articulava a formação de uma Frente Presidencialista. De outro, o PSDB defendia a implementação do parlamentarismo. Numa conversa informal, Lula e FHC chegaram a conversar sobre um plano em que o operário se tornaria presidente e o sociólogo primeiro-ministro.

Em 1998, como revela numa conversa com o ex-senador petista Cristovam Buarque, FHC recebeu Lula no Palácio do Alvorada e arriscou uma nova previsão.

“Cristovam Buarque: Em novembro de 1998, acompanhei o Lula para visitá-lo. Quando o senhor abriu a porta do apartamento residencial no Alvorada, disse: “Lula, venha conhecer a casa onde você um dia vai morar”. Foi generosidade ou previsão?

Fernando Henrique Cardoso: Não creio que tenha sido uma previsão, mas sempre achei uma possibilidade. E também um gesto de simpatia. Eu disse ao Lula naquele dia: “Temos uma relação de amizade há tantos anos, não tem cabimento que o chefe do governo não possa falar com o chefe da oposição”. Era uma época muito difícil para o Brasil. Eu disse lá, não sei se você se lembra: “Algum dia nós podemos ter de estar juntos”. Eu pensava numa crise. E disse ao Lula: “Não quero nada de você. Só conversar. É para você ter realmente essa noção de que num país, você não pode alienar uma força”. Lula conversou comigo no dia da posse. E foi bonita aquela posse… Na hora de ir embora, o Lula levou a mim e a Ruth até o elevador. E aí ele grudou o rosto em mim, chorando. E disse: “Você deixa aqui um amigo”. Foi sincero, não é?”

Em 1999, Fernando Henrique relatou o quanto respeitava Lula.Numa conversa com Eduardo Suplicy, revelou que quando Lula aparecia na televisão falando mal dele, simplesmente desligava o aparelho.

“Fico triste, perco até o humor. Para vocês terem uma ideia do quanto eu gosto e admiro o Lula. Você sabe, Eduardo, o que eu fiz com Lula quando ele esteve comigo no Alvorada, mostrei a ele o meu quarto e disse: “Um dia isso aqui vai ser os seus aposentos”. A gente faz isso com adversário, nem com todos os amigos a gente faz isso. Pois eu mostrei a Lula as dependências da residência oficial em que moro. Mostrei o meu quarto.”

Em três anos, Lula viraria presidente. A profecia tucana se cumpriu.

7) FERNANDO HENRIQUE FEZ CAMPANHA SECRETA PARA LULA EM 2002

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Nas eleições de 2002, FHC retaliou José Serra, candidato pelo PSDB à sucessão presidencial, por ataques feitos a Lula durante a campanha. Fernando Henrique disse também, em conversas reservadas, que foi um erro o ataque direto ao presidente do PT, o então deputado federal José Dirceu. Dirceu era o petista mais próximo de seu governo e a ordem era que se suspendesse imediatamente as críticas a ele. Seu puxão de orelha foi transmitido ao comando do marketing da campanha de Serra.

Com Lula eleito, FHC iniciou uma campanha secreta em sua defesa. A história é narrada no livro ”18 Dias — Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush”, escrito por Matias Spektor, doutor em relações internacionais pela Universidade de Oxford e colunista da Folha de São Paulo. Como conta Spektor:

“Lula despachou José Dirceu [que viria a ser o chefe de sua Casa Civil] para os Estados Unidos e acionou grupos de mídia e banqueiros brasileiros que tinham negócios com a família Bush. Disciplinou as mensagens de sua tropa e abriu um canal reservado com a embaixada americana em Brasília. Lula não fez isso sozinho. Operando junto a ele estava o presidente brasileiro em função – Fernando Henrique Cardoso. FHC enviou seu ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, em missão à Casa Branca para avalizar o futuro governo petista. O presidente também instruiu seu ministro da Fazenda, Pedro Malan, a construir uma mensagem comum junto ao homem forte de Lula, Antonio Palocci.

Eles fizeram uma dobradinha para dialogar com o Tesouro dos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional e Wall Street. Fernando Henrique ainda orientou Rubens Barbosa, seu embaixador nos Estados Unidos, a prestar todo o apoio a Lula.”

Sem esse apoio, Lula certamente não conseguira a estabilidade internacional que teve. Não fosse FHC, sua história teria tomado outros rumos. E a do Brasil também.

8) O HOMEM FORTE DA ECONOMIA DO GOVERNO LULA ERA… UM TUCANO!

No início dos anos 2000, Henrique Meirelles deixou de lado uma vida bem sucedida como executivo do setor financeiro para candidatar-se a deputado federal por Goiás. Recebeu 183 mil votos e se tornou o deputado mais votado do estado. Seu partido era o PSDB. Com o sucesso eleitoral e o respeito do mercado financeiro, foi convidado por Lula para ser o primeiro presidente do Banco Central de seu governo, cargo que ocuparia por longos 7 anos. Meirelles ainda receberia as bençãos de FHC, antes de se desfiliar do PSDB e deixar o cargo que havia sido eleito. Lula telefonou para Fernando Henrique para avisar a escolha.

Em 2003, Marcos Lisboa, outro homem forte da economia do primeiro governo Lula, declarou que a equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso merecia uma “estátua em praça pública” por ter promovido os acordos com os governos estaduais e municipais na negociação da dívida e também por ter criado a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Anos mais tarde, Fernando Henrique revelou comemorar as conquistas do governo Lula.

“Eu também comemoro a melhoria na distribuição de renda. A política dele é a minha”, disse.

9) FERNANDO HENRIQUE CARDOSO EVITOU OIMPEACHMENT DE LULA EM 2005

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Durante todo governo Lula, duas figuras construíram uma ponte entre o presidente operário e o ex-presidente sociólogo: os então ministros Antonio Palocci, da Fazenda, e Márcio Thomaz Bastos, da Justiça. Os encontros foram confirmados por ambos – Palocci confirmou que esteve pessoalmente com FHC “pelo menos cinco vezes”; Bastos disse ter conversado pessoalmente com o ex-presidente apenas uma vez, em junho de 2005, mas confirmou que os contatos por telefone eram muito frequentes. Lula sempre soube das conversas e, mais de uma vez, em momentos difíceis, sugeria a Palocci: “Vai conversar com Fernando Henrique”.

Em 2005, no auge do escândalo do Mensalão e com a pressão porimpeachmentLula orientou seus dois homens fortes para pedirem a FHC que aplacasse os ânimos da oposição. O tucano aceitou de prontidão. Na conversa com Thomaz Bastos, FHC concordou que um impeachment de Lula, à época uma ameaça real, “tornaria o país ingovernável”. Fernando Henrique dizia que não queria criar “uma cisão no Brasil”. Os tucanos acataram a ordem e a história do impeachment perdeu força.

10) NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS, PT E PSDB ESTAVAM COLIGADOS EM 999 DISPUTAS DE PREFEITURAS

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PT e PSDB são tratados como antagonista no cenário político nacional, mas a verdade é que em pelo menos 999 cidades (o correspondente a 18% das 5.569 cidades brasileiras), os partidos fizeram parte da mesma coligação nas últimas eleições municipais. Só no estado de São Paulo, esse número foi de 54 municípios.

Em Schroeder, Santa Catarina, por exemplo, o prefeito eleito foi o tucano Osvaldo Jurck; seu vice foi o petista Moacir Zamboni. Em 149 casos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as chapas que contaram com o PT foram encabeçadas por candidatos a prefeito pelo PSDB.

Tudo como se fossem feitos um para o outro.