Arquivo mensal: agosto 2015

A situação temerária do governo Dilma

As tentativas de apaziguamento entre pares nesse descalabro todo através de acordos secretos não reduziram o medo, quase pânico, que sacode as glândulas sudoríparas de numerosos homens públicos do passado e presente. A miniaturização da política é tamanha que qualquer conversa entre dois parlamentares já é um risco de destronar qualquer pessoa nesse meio.

Muitos deles começam a buscar, na memória, frases ditas sem cuidados e sem malícia, pelo telefone, ou pessoalmente, a pessoas de pouca confiança. Teme-se, e com alguma razão, que a manipulação dos registros fiscais, patrimoniais de qualquer político ou ente relacionado aos mesmos que torne qualquer conversa um libelo do caos total. Não obstante o medo, e, provavelmente, o surgimento de suspeitas infundadas contra homens “honrados”, o vendaval será saudável para quem se aliou ao mal e quer redenção.

Resumo da ópera: A análise de cenário indicava que a Lava Jato chegaria até Eduardo Cunha sem dúvida mais cedo ou mais tarde. Sabendo do óbvio Mercadante apostou tudo nessa possibilidade, sem avaliar quando tempo levaria para isso ocorrer. Cunha seria eleito de qualquer maneira chefe da casa de achacadores e isso seria péssimo para quem está do outro lado da Praça dos 3 Poderes. Aos trancos e barrancos, Mercadante tentou rearticular a base e puxar o tapete de Cunha, coisa tal que foi a razão do esfacelamento da base aliada na Câmara.

Conselheiros próximos a Dilma convenceram-na a abrir espaço para o vice-presidente Michel Temer, ou seja, trata-se daquelas raposas velhas e sábias que ajudam a acomodar a base, seja qual for o governo, FHC, Lula ou Dilma. E aí que a porca torce o rabo, pois petistas não sabem ser coadjuvantes devido a arrogância ostensiva, um sentimento de superioridade que dificulta o relacionamento com mortais comuns, especialmente do meio político.

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As últimas informações sobre os conflitos com o vice-presidente Michel Temer não são animadoras. Temer é um político experiente, responsável, que, em função de sua carreira sem arranhões, tornou-se uma espécie de avalista da governabilidade. Jamais avançou além das suas atribuições e só se colocou em campo depois de convocado. Agora ele sabe que o mote da última intriga foi atribuir a ele ambições de voos autônomos, por sua afirmação de que há necessidade de se unir o país para superar a crise em torno de “alguma pessoa”.

Esse jogo inconsequente poderá jogar pela janela a última âncora de governabilidade do governo Dilma, que é o PMDB inteiro. Daí será o fim!

E tenho dito!

Lula-lá quer ser ministro para manobrar a massa de pelegos

Diante do adversário caído, melhor despachar as fúrias e cuidar das batalhas seguintes sem ostentar vitória antecipada.

O golpe populista de Lula é plantar a idéia de que ele precisa voltar como ministro ao governo Dilma. É uma jogada populista para buscar apoio na massa de manobra pelega mortadela e institucionalizar a bolivarianização dos cargos públicos.

Essa lenda urbana de que Lula é um grande articulador político, virou pó depois do mensalão e petrolão, o nome disso é compra de apoio e jogadas de marketing político para usar de oportunismo político em situações extremas. Eles criam dificuldades para vender facilidades com falsos pretextos.

Quem leu o ensaio sobre a astúcia de Bacon sabe do que estou dizendo.E aí que entra astúcia do Lula-lá:

Dilma mandou um recado àqueles que querem vê-la longe do governo dizendo que “ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu”. Acontece que, ainda que talvez não tenha se locupletado da roubalheira do petrolão, Dilma encobriu a ação do PT e mentiu na eleição, perdendo as condições de governar. Para completar, não dá pra aguentar o trio Dilma-Rossetto-Mercadante.

 

Para ficar, ela precisa de ajuda. A melhor saída seria Dilma partilhar o governo com Lula, o que seria um colchão de blindagem para ambos tendo Lula como chefe da Casa Civil. E ele ainda salvaria um restinho do que sobra do PT para uma próxima eleição. Não tornar pó o PT de vez numa escala tão rápida quanto se espera com a Lava Jato levando o nove dedos em cana sem foro especial é o que todos petistas querem.

O Congresso se permitir isso dará para Lula o cargo de raposa cuidando do galinheiro e será o primeiro a tombar caso Lula volte ao poder por vias bolivarianas. Lula-lá quer ser ministro para manobrar a massa de pelegos contras adversários de toda sorte que estão tornando o governo refém nesse momento. Não duvidem disso, pois: “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro.” (Lula)

Charge-08-09-2014