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“Derrubar ídolos – isso sim, já faz parte do meu ofício”

Como blogueiro e cidadão sou dissidente – e não inimigo como eles acham – dessa laia que se acha dono da suprema verdade sobre o nosso quadro social, moral e político…

Vamos lá para que fiquem claras as razões pelas quais não dou moral para muitos que como Lobão que calados são poetas…

As manifestações de rua em todo o país contra a presidente Dilma e PT foi prolífica também em reunir pessoas cujo bom senso e autocrítica são no mais das vezes idênticos ao daqueles contra os quais protestam.

Exemplar nítido e cabal deste tipo de conduta são dos seguidores – assumidos ou não – de Olavo de Carvalho, que nunca comparecerá numa manifestação, pois prefere ficar no conforto do seu lar no EUA fumando adoidado e proferindo debates cheios de ranço e impertinências retóricas contra tudo e todos. Outro é Lobão seu garoto propaganda de última geração, que é quem leva o estilo olavete ao nível cataclísmico da demagogia em suas entrevistas de TV esporádicas e postagens em redes sociais diariamente.
Apesar de estarem do lado correto da trincheira da luta contra o governo, Lobão & Cia só atendem a estratégia da tesoura tucana e geram o contrafluxo necessário para a divisão social e de classes impetradas pelo inimigo. Em tese eles servem mais o PT e suas linhas de ação de articulação e unidade na luta do que propriamente a causa que dizem defender contrária ao PT.

Os amalucados que pedem impeachment e intervenção militar sem conhecer o fundamento formal e constitucional de ambas as coisas parecem não entender que o conceito de oposição qualificada não pode ser liderado por ufanistas e sujeitos psicologicamente afetados por manias de terem razão em tudo e contra todos pelo simples motivo disso ser anti-democrático e  sem função ética pertinente. Este tipo de gente odeia qualquer tipo de minoria, seja qual for, em especial aquelas que discordam deles, e não precisa ser um adepto do movimento LGBT, dos sindicatos pelegos, dos empadinhas ou mortadelas para que isto ocorra, pelo contrário, basta discordar duma vírgula da pauta imposta pelo olavismo que eles passam afazer um panelaço retórico boçal contra seus críticos com apoio da sua massa de fãs mais irracionais ainda.

Uns esbravejam por um golpe militar, outros cantam “Olavo tem razão” outros batem selfie com Lobão nas passeatas e o aplaudem como se ele fosse uma liderança política, social ou cultural de alto escalão, quando no fundo é um cidadão que se vale da sua fama para fazer um marketing anti-PT que atinge muitas pessoas que não fazem distinção de muitas coisas que ele profere sem embasamento algum, nem mesmo das falha clamorosas que acaba por jogar na lata do lixo e descrédito a figura do cidadão dito consciente que luta por seus direitos e melhorias no Brasil.

Pela internet, esses patéticos líderes das cruzadas contra o status quo se revelam pessoas tão cheias de sofismas superficiais e baratos que num país com educação de alto nível os faria ser desconsiderados como militância de primeira grandeza. O roqueiro Lobão como militante ou “artivista” que quer criar seus meios de cultura, não passa de engodo retórico e oportunista para vender mais seu peixe já apodrecido no espaço e tempo. Os motivos do seu discurso podem vir floreados de boas intenções e convencer milhares de pessoas, mas no fundo o que ele realmente manifesta é a imagem do cidadão que esperneia e nada contra a correnteza sem ter a menor direção e morre abraçado com suas certezas num ilha deserta. Seria melhor ele optar pelo ostracismo do que batalhar contra ele diariamente assim como Lula tem feito em outros fronts.

Ao que tudo indica, o movimento de mobilizações de rua está em declínio nessas últimas semanas e sofrendo uma espécie de catarse que muitos em estado de negação não querem reconhecer. Além da falta de poder de convencimento e manutenção do povo nas ruas de forma constante atraindo multidões descontentes, o que falta para os líderes do Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre, olaveiros e lobetes é uma autocrítica, um brain storm para canalizarem o que possuem de positivo que é união de pessoas em torno das mesmas idéias e eliminarem o que fizeram de trapalhadas e abordagens sem sentido com base nessa pauta do anti-petismo. A Marcha pela Liberdade foi uma espécie de ponto final nesse ciclo de manifestações lideradas por pessoas com espírito radical e contestador. Se serviu para alguma coisa além de propaganda de resistência contra esse governo corrupto do PT veremos.

Quando se olha para a sociedade brasileira de classe média e mais educada, e agora para as menos favorecidas em renda e educação já não contamos com a total simpatia deles com o PT nem ao PSDB ou PMDB. Os tucanos são acusados de sugarem o “bobão do posto” dos militantes de rua para os seus fins eleitorais e de oposição caduca ao máximo, ou de tê-los usado de camisinha do golpismo. Essa grande crítica os líderes dos movimentos de rua não conseguem desvincular da sua imagem por mais que queiram atualmente. Estão reféns de suas falhas passadas, pagando uma conta pelo amadorismo ativista ou pela tentativa de fazer algo bom e legítimo funcionar de forma independente.

Os mesmos negam suas disputas no ninho e nos eixos de comando desses movimentos, parecem padecer da síndrome de bicadas em descompasso entre Aécio Neves e Carlos Sampaio com seus eleitores ao engavetar pedidos de impeachment e outras coisas. A pauta de reivindicações não cria consensos entre os diversos setores da sociedade e ainda é vitimada por radicais que querem os milicos com tanques em Brasília para resolver a situação. Alia-se a isso olavetes e lobetes sem noção do que realmente se passa num país que vive estagnado por uma recessão que afeta diretamente a todos, em especial os mais pobres. Esse é o ativismo bagaceiro brasileiro, que surge como um leão e foge como um gatinho.
Segundo alguns jornais há tucanos como o deputado José Aníbal, famoso por sua truculência contra as forças de esquerda, o qual defende que o PSDB se afaste e repudie figuras como Lobão e Rogério Chequer e Kim Kataguiri. A razão é simples, muitos deles não se identificam com posições tão à direita. O vereador tucano Andrea Matarazzo também dimensionou o papel de Lobão ao que ele exatamente é: “Ele não é um símbolo, é só mais uma pessoa protestando”. Como sabemos a mídia e imprensa comprada e até mesmo a não vendida, traçam um perfil caricato e não distante da verdade do “músico João Luiz Woerdenbarg Filho, o Lobão, que se transformou no “muso” das manifestações contra o governo Dilma”. Nesse tipo de reportagem fica evidente que o músico que foi bom em outros tempos está alucinado em busca dos holofotes e foge duma virtude dos grandes líderes e pensadores que é omitir de proferir opinião sobre aquilo que desconhecem.

As reportagens deixam implícito que a própria mídia tucana prepara-se para descartar o “muso” e fazer coro com os MAVs-PT e demais pessoas que não suportam mais os excessos de pancadaria verbal, frases vociferadas em programas de entrevista em tom cômico, e demais deslizes dum cidadão que se não fosse o direito constitucional que lhe garante a fala deveria no mais ficar calado e prestar sua solidariedade ao povo de outra forma mais digna. Como Lobão detém certa fama e público cativo, esses sustentam ele como sustentam a megalomania do seu guru Olavo de Carvalho que sempre tem razão em tudo e em face de tudo no universo ao ponto de refutar físicos como Einstein. Eis aí o sinal da falta de integridade intelectual com a qual estamos lidando hoje até mesmo desse lado da luta contra o desmando e desvirtuamento da verdade mantido pela ideologia do PT e seus marqueteiros.

Quando notamos claramente as falácias de Lobão só seduzem figurinhas carimbadas da extrema-direita, como o raivoso “filósofo” Olavo Carvalho e seus congêneres, vemos que estamos perdendo a mão da luta séria e honesta contra os irresponsáveis e desonestos do PT com muita facilidade. Lobão e seus lobetes representam o engajamento de quem está cansado da roubalheira do governo e da passividade da oposição, que foi ausente ou fraca, diz Rodrigo Constantino, colunista da revista ‘Veja’ e também queridinho dos conservadores. Ele cita ainda a companhia do “empresário” Marcello Reis, líder do movimento Revoltados Online – tida pelos petistas como uma seita fascista que vomita preconceitos contra os nordestinos e prega a divisão territorial do Brasil. Ante a isso o próprio Lobão afirma, num lapso de lucidez, que ele o empresário trambiqueiro formam a dupla “Debi e Lóide”.

Está chegando a hora dos brasileiros medianos se conscientizarem duma vez por todas que devemos brigar contra um governo que transformou as instituições republicanas e meios democráticos em mera fachada. Diante dessa realidade brutal e desconexa que vivemos precisamos provar que somos pessoas sensatas e honradas que querem uma nova realidade para as próximas gerações de brasileiros. Há alguns meses o comportamento reaça de Lobão fez uma promessa ao país: Se Dilma Rousseff fosse reeleita ele se mandaria daqui. Será que precisamos de pessoas que agem assim para serem porta voz das nossas decepções com a política e vida social? Quem deu procuração para um sujeito que lança uma afirmação dessas na mídia e depois não a sustenta diante dos fatos? Não estamos pedindo para que Lobão vá embora do país, mas sim que pense muito no que fala, sem dúvida ele é escutado por muitas pessoas de boa fé, e o que ele anda dizendo só serve para desqualificar muitas dessas pessoas que o repetem e endossam sem checar em nada as bazófias exaustivas que o mesmo dispara dia após dia sem a menor responsabilidade com a ética.

As pessoas que seguem e idolatram Lobão fizeram essa mesma promessa do roqueiro-reaça que dizia-se apavorado com a ditadura do PT, que, à diferença dos regimes de que defendem, permite que ele vitupere tudo que passa por sua cabeça desconectada de muitas realidades sociais que ocorrem há tempos nos rincões do país. Seria excelente ver Lobão e seus adeptos calçarem as sandálias da humildade e irem no meio do nada do Brasil para ver se alguém dá crédito para alguma coisa do que eles metralham nas redes sociais. Visitar lugares sem recursos para tudo e conhecer a vida de pessoas sem instrução e sem oportunidade para mudar efetivamente de vida. Uma pessoa que precisa de água tratada, remédios básicos e oportunidades para ter um prato de comida não está interessada em discursos de gente que odeia ou ama esse governo. Essas pessoas estão interessadas em sobreviverem com o mínimo de dignidade na medida do que lhes é ofertado.
Ano passado, em entrevista ao Roda Viva, Lobão defendeu ardorosamente o golpe militar de 64. Segundo ele, graças à ditadura “A gente se safou de algo muito pior”. E defendeu a tortura – mesmo em tom jocoso isso é inadmissível – de militantes de esquerda: “Arrancaram só umas unhazinhas”. Portanto, caro leitor, quanta coisa boa pode resultar ao Brasil se além de não darmos créditos para Dilma que é uma personagem criada pelo marketing político-eleitoreiro que também elegeu Lula e tantos outros, se  também não darmos créditos e nem elegermos Lobão como porta voz de nossa consciência estaremos fazendo um enorme favor ao nosso país.Um voto bem como uma opinião deve ser fruto duma consciência individual bem formada e não cópia duma série de solecismos e pleonasmos retóricos cujas verdades se centram em seus próprios umbigos. Isso é sobretudo uma manifestação de anti-democracia muito mais corrosiva e perigosa do que temer ditaduras e lutar contra elas, pois esse tipo de discurso fomenta outras espécies de ditaduras, uma delas é a da perpetuação da ignorância, pois forma e baseia-se num senso comum aleijado de crítica racional da realidade onde devemos refletir sobre fatos antes de aceitar opinativos de qualquer pessoa graúda ou famosa.

A palavra que chega para milhares de pessoas via meios de comunicação precisa ser temperada e calibrada de ética e muito bom senso pelas pessoas com grande visualização e alta exposição na mídia e redes sociais. Aquilo que emana dessas celebridades ou pessoas públicas leva muitos a enxergarem fatos e coisas que não são assuntos dos quais detém conhecimento aprofundado. Se uma celebridade famosa bancando o médico diz algo inútil sobre medicina para um amigo fora da mídia ou rede social é um caso, se faz a mesma coisa dizendo algo deste naipe num programa de TV ou na sua fan page isso pode matar pessoas desinformadas que acreditam naquela dica de saúde sem pé nem cabeça. Em suma Lobão faz isso quando profere seus desatinos sobre política. Enche o peito raquítico de ar e aspira falácias das mais sortidas que alegram platéia patota desde os bolsonaristas intransigentes dos mais infames até os sádicos mais temerários que ainda votam no Maluf. O aprendiz de Olavo tanto como seu mestre sempre tem razão, e agora tem seu próprio séquito intragável de lobetes que dizem: “Lobão tem razão”. Este segue à risca a metodologia do “filósofo das estrelas” e compactua com táticas do marketing de João Santana que desconstruíram Marina Silva. Pois é, Lobão se tu ler isso, ou Ciro Pessoa ou Clau-cú-de-bono Tognolli (este copiou o look do Bono Vox) saibam que conseguiram implantar a censura travestida de opinião política bem intencionada em plena democracia. Se não entenderam procurem um psicanalista, não aqueles sakamotianos que analisam até a medula dos opressores burgueses alienantes das massas, mas sim um que trate dessa síndrome passivo agressiva dos militantes ensimesmados e idiotizados do Olavo de Carvalho.
Diante de tantas possibilidades nada alvissareiras na militância contra o PT, a minha veia poética do eu lírico de blogueiro pulsa com um verso que poderia virar mote de refrão nas marchinhas “rockambolescas” de Lobão: “Ouvindo Dilmão e Lobão todo mundo dá razão pro vilão”. Estou desde já pronto para rebater seja aqui, em outros blogs como o Jardim Eclético e no twitter os ataques pré-moldados no pensamento lobotomista-olaveiro e suas elucubrações no sense.

Da minha parte, não quero, ser nada além dum blogueiro sujo que não padece de miopia social e política, não quero ser também perfil desafinado com realidade com milhares de seguidores como Lobão e seus assemelhados são desde que tomaram conhecimento que Olavo de Carvalho é o deus da crítica da razão pura. Para mim, me basta anonimamente derrubar ídolos desmascarando suas falácias e condutas eivadas de irracionalidade com pose de lucidez, porém com pris parti de néscios incautos cuja cultura rasa e sabotada, ambas as coisas, são nada mais nada menos; que recheio da mesma linguiça ignorante de sempre que dá ibope na TV.

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As ossadas e pedaladas de Guido Mantega & Cia

O carequinha Armínio Fraga vem advertindo há anos acerca da existência de esqueletos fiscais acumulados no governo do PT em sua gestão econômica chefiada por Guido Mantega.

Embora isso seja uma denúncia de fundo oposicionista com viés eleitoral, não podemos descartar que a política fiscal do governo petralha vez ou outra sempre deixou escapar indícios que podem servir de provas de atividades ilícitas encobertas.

A ginástica financeira feita pelo Ministério da Fazenda e Planejamento atinge especialmente os bancos públicos, em especial o BNDES.

Há diversos esqueletos amontoados e ocultados em cantos obscuros das explicações sobre os reflexos concretos da economia nacional tendo em vista as medidas aditas por Guido Mantega. Especialmente a partir de 2009 e mais ainda em 2011, sem ainda mencionar períodos anteriores da era Lula que desembocaram no Mensalão e outros escândalos.

Essas ossadas são facilmente descobertas pelos olhos mais atentos, pois esses esqueletos são e estão propositalmente camuflados. Desta forma, podemos desconfiar de que existam ainda mais ossadas ocultas e camufladas a serem descobertas, pois lá pelas tantas, sempre surgem do nada uma falange suspeita ou uma ponta de tíbia e até mesmo crânios como caso da Petrobrás hoje noticiado pela imprensa nacional dando destaque ao depoimento de Paulo Roberto Costa na Justiça do Paraná.

O governo petista praticamente fundou um vasto cemitério envolto em trevas devido ser o maior produtor de esqueletos e ossadas deixadas nesses dozes anos de seu governo repleto de pedaladas na economia doméstica.

Resumir isso apenas ao caso do Mensalão, o qual  poderia ser um golpe de mestre devido a estrutura organizada com requintes de Cosa Nostra, sendo que poderia passar imperceptível aos radares das autoridades e impressa devido usar vários núcleos e repasses parcelados supostamente não rastreáveis, mesmo assim, veio tudo à tona. Isso se deve aos esqueletos deixado por figuras como Herinque Pizzolato ex-direitor do Banco do Brasil, e ossadas camufladas pelos núcleos de Marco Valério e Delúbio Soares que tinham em comum um articulador central ora oculto em todo sistema que a Justiça ainda insiste em não trazer para atrás das grades. Nisso Zé Dirceu como co-piloto dessa mega operação serviu de bucha de canhão.

Em outros casos não se tratam meramente de vestígios contábeis que se revelam na execução de projetos da Petrobrás ou de outras estatais e sistemas assistenciais e programas de incentivos fiscais do governo. Por outro lado também não são aplicações de anabolizantes em receitas liquidas do governo federal, nem tampouco, truques de contabilidade inventiva as quais as contas públicas não surgem aos nossos olhos totalmente transparentes.

Atualmente o até agora inexplicável rombo do seguro-desemprego, isto é, Fundo de Amparo ao Trabalhador, já detém a cifra bilionária de R$ 13 bilhões. Isso  apenas neste ano.  O peculiar nesse caso concreto é a circunstância de que vivemos numa fase, ou melhor dizendo, numa conjuntura de pleno-emprego, quando não cabem pagamentos tão altos do seguro-desemprego. Sendo assim para o que isso aponta na verdade? Há suspeitas que recaem sobre estes fatos e podem levar à descobertas de ossadas e esqueletos em sistemas como o Bolsa Família e outros programas de assistência social ou até mesmo impactos em fluxo de caixa de algumas entidades pontualmente escolhidas para serem cemitérios de esqueletos.

Outro dado suscetível de receber desconfiança paralela a esse fato é de que em abril deste ano, o Mistério da Previdência comunicou o déficit das contas da Previdência Social em cerca de R$10 bilhões a mais do que o anunciado anteriormente pelo governo federal. Naquela ocasião o ministro da Fazenda Guido Mantega ficou indignado com esse comunicado, pois de fato se tratava duma revelação que ele dizia ser equivocada e ordenou demitir o autor técnico dessas projeções “bastardas e inglórias”.  Algumas semanas depois, o rombo foi não só confirmado, mas tambm´pem corrigido para a cifra de R$ 15 bilhões. Depois disso, não se falou mais nos cálculos realistas nem do paradeiro desconhecido do técnico que os fez… Estranho não é caro leitor?

Vamos ao famigerado BNDES, este que parece ser isoladamente como o maior cemitério de esqueletos e toneladas de ossadas. Desde 2009 até o fim deste ano, o BNDES terá recebido transferências do Tesouro Nacional de nada menos que R$ 339 bilhões.  Tais quantias estratosféricas são referentes a recursos redirecionados em operações de financiamentos subsidiados ou de participações acionárias cujos destinatários permanecem ocultos sob alegação de “sigilo bancário e fiscal”.

Recordem-se que um frigorífico, o JBS, recebeu subscrições em ações da subsidiária BNDESPar o invejável volume de R$ 8 bilhões. No período de 2002 a 2015, a distribuição de subsídios do BNDES deverá alcançar a cifra de R$ 79,5 bilhões. Então querem mais ou basta?

Vamos às pedaladas entonces…

Existem coisas no mundo do futebol e da contabilidade cujo nome é “pedalada”. São manobras que envolvem bancos oficiais, nesse caso o próprio BNDES, ou a Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil e até mesmo o Banco Central (BACEN).

Essas operações estranhas começam com atrasos propositais de pagamento de obrigações do Tesouro com benefícios sociais, como Bolsa Família e seguro-desemprego. Em seguida, os bancos públicos são chamados a dar cobertura ao Tesouro, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, com operações que funcionam mais ou menos como empréstimos.

Depois, se, além disso, o banco escorrega dos limites de crédito impostos pelas disposições macroprudenciais ou pelos critérios de Basiléia, o BACEN trata de apagar impressões digitais e começa assim a deixar ossos largados em alguns cantos.

Em maio deste ano por exemplo, apareceu o famigerado  caso dos R$ 4 bilhões, um crédito estranho a favor do Tesouro encontrado numa conta paralela de um banco privado a ser contabilizado como ativo federal, aparentemente, para escapar do efeito-calendário (caixa baixa no final do mês).

As autoridades reconhecem e atestam que está tudo em ordem e insistem em que não há nada de errado nessas operações. Se não há, por que então o esquema de despistamento operacional? E por que os peritos do Tribunal de Contas da União estão debruçados sobre elas? Essas respostas ficam para os próximos capítulos, pois como sabemos a avaliação de contas nessa esfera é lenta e recebe entraves de todos os lados, mas os ossos e esqueletos dessas pedaladas estão por aí…e serão encontrados!

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