A situação temerária do governo Dilma

As tentativas de apaziguamento entre pares nesse descalabro todo através de acordos secretos não reduziram o medo, quase pânico, que sacode as glândulas sudoríparas de numerosos homens públicos do passado e presente. A miniaturização da política é tamanha que qualquer conversa entre dois parlamentares já é um risco de destronar qualquer pessoa nesse meio.

Muitos deles começam a buscar, na memória, frases ditas sem cuidados e sem malícia, pelo telefone, ou pessoalmente, a pessoas de pouca confiança. Teme-se, e com alguma razão, que a manipulação dos registros fiscais, patrimoniais de qualquer político ou ente relacionado aos mesmos que torne qualquer conversa um libelo do caos total. Não obstante o medo, e, provavelmente, o surgimento de suspeitas infundadas contra homens “honrados”, o vendaval será saudável para quem se aliou ao mal e quer redenção.

Resumo da ópera: A análise de cenário indicava que a Lava Jato chegaria até Eduardo Cunha sem dúvida mais cedo ou mais tarde. Sabendo do óbvio Mercadante apostou tudo nessa possibilidade, sem avaliar quando tempo levaria para isso ocorrer. Cunha seria eleito de qualquer maneira chefe da casa de achacadores e isso seria péssimo para quem está do outro lado da Praça dos 3 Poderes. Aos trancos e barrancos, Mercadante tentou rearticular a base e puxar o tapete de Cunha, coisa tal que foi a razão do esfacelamento da base aliada na Câmara.

Conselheiros próximos a Dilma convenceram-na a abrir espaço para o vice-presidente Michel Temer, ou seja, trata-se daquelas raposas velhas e sábias que ajudam a acomodar a base, seja qual for o governo, FHC, Lula ou Dilma. E aí que a porca torce o rabo, pois petistas não sabem ser coadjuvantes devido a arrogância ostensiva, um sentimento de superioridade que dificulta o relacionamento com mortais comuns, especialmente do meio político.

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As últimas informações sobre os conflitos com o vice-presidente Michel Temer não são animadoras. Temer é um político experiente, responsável, que, em função de sua carreira sem arranhões, tornou-se uma espécie de avalista da governabilidade. Jamais avançou além das suas atribuições e só se colocou em campo depois de convocado. Agora ele sabe que o mote da última intriga foi atribuir a ele ambições de voos autônomos, por sua afirmação de que há necessidade de se unir o país para superar a crise em torno de “alguma pessoa”.

Esse jogo inconsequente poderá jogar pela janela a última âncora de governabilidade do governo Dilma, que é o PMDB inteiro. Daí será o fim!

E tenho dito!

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 23 de agosto de 2015, em Política e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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