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Trump fechou o cerco!

Sejamos honestos e sensatos. Desde que o Sarkozy levou um pau na França com a eleição do Hollande, devido o povo lá ser anos luz mais politizado rejeitando os erros da situação e votando na oposição ao governo em peso, foi desse momento em diante que a possibilidade, mesmo que remota, do Trump ser eleito passou a ser desenhada pelos estrategistas eleitorais.
 
Depois disso ainda houve referendo na Colômbia e Brexit e outros eventos onde a opinião que o fechamento ao contexto interno nacional em todos os sentidos se tornou uma grande tendência. Se voltar a se repetir na França com o eleitorado retirando Hollande, elegendo Le Pen, e deixando Sarkozy chupando o dedo mais uma vez não será novidade.
 
Trump foi eleito explorando erros do governo Obama, aproveitando a insatisfação do americano obeso, branco, armamentista, que vive no interior do país. Foi justamente esse tipo de cidadão que votou em Trump em massa. Essa parcela da população não convive com a insanidade dominante dos grandes centros urbanos onde pautas da economia doméstica são deixadas de lado dando maior espaço para ideologias canastronas propagadas pela mídia de aluguel. Foi um cerco que foi sendo fechado e não contabilizado pelos métodos de pesquisas eleitorais falhos e ultrapassados.
 
Os democratas contavam com votos dos estados do Centro-Oeste, por causa do tradicional apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump. A importância dessa classe para os democratas tinha sido subestimada em projeções feitas antes do pleito, segundo o jornal “The New York Times”. Analistas dizem o apoio desses trabalhadores a Obama já tinha sido menor em 2012, principalmente pelo receio de perder o emprego para outros países. Os trabalhadores rurais de estados centrais e do Norte também escolheram em peso o republicano e fizeram diferença no resultado.
 
Hillary não ter consistência eleitoral na Florida, Michigan e Pensilvânia e até mesmo Vírginia abriu caminho para Trump encaixar colégios eleitorais importantes no resultado final e enterrar de vez a candidata democrata. Em Utah, Hillary estava empatada com o candidato independente McMullin, isso revela o quanto ela não soube explorar em campanha estados onde poderia ter vencido, mas sucumbiu deixando Trump vencer com ampla vantagem.
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Trump make history again

A vitória de Donald Trump representa a vitória do inesperado! Confesso que preferia a Dona Clinton por motivos econômicos mais fáceis de serem contabilizados em curto prazo dada a influência do poder político do EUA interferir diretamente no mercado mundial.
 
 
No entanto, em médio a longo prazo os mercados tendem a precificar a vitória de Trump e tudo voltará a ter um ponto de equilíbrio dentro dos padrões aceitáveis a longo prazo. Se isso não acontecer se preparem para um crise econômica afetando diretamente todos os ajustes fiscais feitos no Brasil no presente momento.
 
Trump não é vitória da civilização ocidental contra a suposta diabólica máquina de destruição da liberdade referendada pela chamada elite globalista do politicamente correto. Ele apenas representa, ao mesmo tempo, uma vitória do povo americano contra os políticos tradicionais ligados ao establishment americano e contra a mídia tendenciosa que cria gargalos de massas de manobra e enfoques distorcidos da realidade. Em face desses dois pontos chaves a vitória do movimento trumpista é estupenda, mas não significa que será algo concreto ao decorrer do tempo, pois o sistema irá se regenerar e retornar ao epicentro do cenário com força em breve, ainda mais devido a polarização inegável que existe no EUA nesse momento.
 
O Tio Sam não é nenhuma republiqueta bananeira onde um único político e seus adeptos irracionais será capaz de arruinar as estruturas institucionais duma vez por todas como os pessimistas anti-Trump acham em cumplicidade com o jornalismo de aluguel. Se vitória de Donald Trump representa a derrota do establischment, especialmente da grande mídia e dos institutos de pesquisa que mentiram de forma desavergonhada no EUA, isso é tão somente uma amostra grátis que o cidadão mediano ainda é facilmente manipulável por discursos demagogos e bem posicionados dentro do contexto eleitoral, político e econômico.
Aqueles que se informaram por meio da mídia independente sem se deixar levar pelas grandes emissoras de comunicação têm agora a prova concreta de que houve um revés inesperado contra a grande mídia. E isso é muito saudável para qualquer democracia se tornar mais consistente e crítica quanto ao seus governantes e sistemas administrativos.
 
O resultado final da eleição americana demonstra que o Partido Republicano fez barba, cabelo e bigode. Além da Presidência o partido tem maioria ampla tanto na Câmara dos Representantes (deputados) como no Senado. Agora é deixar a história continuar a ser escrita no EUA, no Brasil e no mundo sem se deixar levar por achismos e conclusões apressadas. Enquanto isso, Hillary Clinton chora histericamente e seu velório político terá o cortejo fúnebre dos democratas que deixam o poder sem deixar um legado consistente a ser seguido.
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Hillary wins!

Dentre todas as corridas presidenciais americanas, a de 2016 talvez entre para a História como marca da infâmia e da falência do processo eleitoral dos Estados Unidos: os dois piores candidatos lideram as intenções de voto praticamente isolados. Pelo Partido Republicano, está Donald Trump, a cara do corporativismo e do protecionismo que destroem os valores essenciais dos Founding Fathers, enquanto, do outro lado, coloca-se, pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, símbolo da corrupção e do belicismo imperialista. Infelizmente, o candidato Gary Johnson, do Partido Libertário, pontua não mais que 10% das intenções de voto em vários estados – o que, portanto, é insuficiente para vencer o pleito.

Hillary Clinton acabará sendo eleita.

A eleição de Hillary não é mero palpite (tampouco uma esperança do autor). Mas dados não podem ser ignorados: existe uma pesquisa de 2011 sobre a influência da mídia nas eleições americanas que embasa essa afirmação.

Seguindo os pressupostos e a conclusão trazida por uma pesquisa de Chun-Fang Chiang e Brian Knight, Hillary Clinton venceria as eleições americanas porque conta com o apoio de veículos midiáticos com credibilidade e maior neutralidade. E não é porque a CNN, por exemplo, é um polo de clara influência democrata e faz propaganda para Hillary.

A pesquisa de Chiang e Knight foi feita 2011, mas enquadra perfeitamente a realidade atual dos Estados Unidos. Trata-se de uma investigação da relação entre o viés da mídia e a influência da mídia em um contexto de recomendações de voto por parte desses canais midiáticos. O modelo econométrico considera que muitos eleitores confiam em fontes melhores informadas – como jornais – para balizar seu voto. Mas, como jornais e mídias em geral já assumem um viés favorável ou contrário a determinado candidato, os eleitores filtram esses apoios ou rejeições com base na credibilidade do apoiador. E a realidade, por sua vez, demonstra recomendações de voto por parte de veículos midiáticos influencia, sim, a decisão de eleitor, bem como o grau dessa influência depende do nível de credibilidade do emissor da mensagem.

Entretanto, vale notar que o apoio a candidatos democratas por parte de um canal tradicionalmente mais de esquerda não tem tanta influência como o apoio de um canal neutro ou mais tendente à direita. E o mesmo vale para um candidato republicano: maior será a influência sobre a decisão de voto das pessoas se a recomendação vier de um canal neutro ou de esquerda. Ou seja, se a CNN apoiar Hillary, o efeito sobre os eleitores não será tão expressivo quanto um apoio do The Wall Street Journal. Da mesma maneira, se a FOX News apoiar Donald Trump, o efeito não será tão significativo quanto um apoio do The New York Times.

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Segundo um levantamento feito pela The Economist, a maioria dos veículos midiáticos apoia Hillary Clinton. Além disso, veículos tradicionalmente mais tendentes aos republicanos recomendaram voto não em Trump, mas em Hillary, como Columbus Dispatch, Arizona Republic and Richmond Times-Dispatch, que haviam apoiado republicanos nas últimas nove eleições. E o próprio quadro editorial da The Economist, extremamente respeitado por sua credibilidade e afinco aos dados da realidade, recomendou voto na democrata. O USA Today, que nunca fez recomendações eleitorais, mesmo não apoiando Clinton, lançou uma campanha “não vote em Trump”.

As recomendações de voto por parte dos jornais tendem a favorecer o partido de oposição. Em 2008, na primeira eleição de Obama à Presidência dos Estados Unidos, o candidato contava com o apoio de 71% da mídia. Já em sua segunda eleição, esse apoio caiu para 56%. Entretanto, esse não é o contexto em uma eleição com Donald Trump: sua rejeição pesou muito mais. A grande mídia está com Hillary Clinton.

Evidentemente que a eleição de Hillary Clinton não é uma certeza. Entretanto, tudo indica que a candidata democrata deverá vencer o pleito e se tornar a próxima Presidente dos Estados Unidos da América. Imprevistos, naturalmente, podem acontecer: todas as intenções de voto em Hillary podem não refletir a ida do eleitor às cabines de votação, enquanto o eleitor de Trump coloca-se como um agente engajado e comprometido com a campanha do republicano. Mas os dados históricos apontam: Hillary vai levar.

Trump mente como Dilma e não entende nada de economia igual a ela!

De acordo economistas liberais proteger empresas nacionais contra a concorrência estrangeira geralmente é uma má ideia.

No Brasil, boa parte dos economistas são formados em universidades públicas, isto significa que quase todos são fãs dos partidos da esquerda brasileira, ou pensam igual aos chefes de organizações de donos de indústrias, como a FIESP, ou remontam suas teses ao pensamento os antigos comandantes da Ditadura Militar com Delfim Neto et caterva, excetuando-se Roberto Campos.

Tomando isso como pano de fundo, não é à toa, que a economia brasileira é uma das mais fechadas do mundo e ainda resistente a alterações políticas que possibilitem maior dinamismo econômico e social. Em diversos setores importantes – como aviação e comunicações -, as empresas estrangeiras são terminantemente proibidas de atuar no Brasil, sob o argumento de se tratarem de “setores estratégicos”. Assim, acabam dominados por empresas nacionais, que geralmente combinam muitas reclamações de clientes com uma grande fatia do mercado, garantida pela falta de concorrência do capitalismo cartorial agenciado pelo Estado.

Outro exemplo assustador são impostos de importação. Os impostos que recaem nesse setor são mais altos e duradouros que os da União Soviética durante todo regime socialista que lá imperou por setenta anos. Basta recordar que durante o primeiro governo Dilma, diversas medidas aprofundaram o protecionismo, como a exigência feita à Petrobras, que passou a incluir uma cota para produtos nacionais em suas compras para isso ficar evidenciado. Em 2015, os resultados dessa medida aparecem com frequencia em artigos sobre a crise na Petrobras e nas páginas policiais.

 

Isto denota que a política de “proteção” se estendeu muito além da Petrobras: entre 2008 e 2012, o Brasil foi o sexto país do mundo que mais editou medidas anti-comércio, de acordo com levantamento da OMC. Não se trata de uma exceção na história do Brasil. Outros presidentes, em especial do período do governo militar, fizeram o mesmo no passado. O acúmulo dessas medidas ao longo do tempo levou o Brasil a ter, hoje, uma das economias mais fechadas do mundo.

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Nos Estados Unidos, a situação é bastante diferente, mas o polêmico candidato Donald Trump promete mudar isso – e repetir o que Dilma fez por aqui.  Trump promete, caso eleito, trabalhar para que as empresas americanas parem de criar postos de trabalho em países como China e México, e voltem a produzir no país, oferecendo emprego aos locais e combatendo a terceirização.  Ao comentar a implantação de uma fábrica da Ford no México, Trump foi direto e, citando nominalmente o presidente da empresa, disse: “Vou dar algumas más notícias a você (Mark Fields, CEO da Ford): Cada carro, caminhão e peça produzida nessa fábrica pagará um imposto de 35% quando atravessar a fronteira para os Estados Unidos”. E então, explicou a seus eleitores que faria isso porque “eles vão tirar milhares de empregos do país”, embora juristas afirmem que a proposta é ilegal e economistas afirmem que não é isso que vai trazer os empregos de volta aos EUA.

Trump é indesculpavelmente hipócrita ou simplesmente ignorante em economia. Não há diferença econômica, por exemplo, entre uma empresa automobilística americana que investe em fábricas no exterior e os investimentos do próprio Trump em hotéis no exterior. Nos dois casos, são empresas sediadas nos Estados Unidos buscando oportunidades econômicas lucrativas em outros países. A empresa de Donald Trump pretende inaugurar um complexo com 5 “Trump Towers” no Rio de Janeiro, cada uma com 38 andares na região do Porto Maravilha, um projeto da prefeitura que recebeu 4 bilhões de dólares em dinheiro público até as Olímpiadas. Sobre isso ele não falou nada!