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A ignorância não é uma benção!

São Tomás de Aquino dizia duas coisas: “Tenho medo do homem de um só livro.”
(Timeo hominem unius libri.) e que “a humildade é o primeiro degrau para a sabedoria.”

A partir dessa premissa, as universidades no Brasil podem ser descritas como cemitério de pensadores: O sujeito trabalha uma vida para dar a educação que não teve para seu filho ou filha. Os filhos dos trabalhadores ingressam nas faculdades ainda com certos valores e boa conduta moral, seis meses depois, estão com um livro do Nietz debaixo do braço pra cima e pra baixo, fumando baseado e falando em revolução do sistema.

É pra isso que serve aquela liberdade? Liberdade serve para não me prender a nada que me defina. A arte de exercer liberdade é isso, ou ao menos, a simples possibilidade de ser algo tão inevitável e não inventado diante da companhia da mais extrema idiotice que nos impõem em determinados pensamentos e comportamentos de manada em certos antros intelectuais.

Tudo que aprendemos de lixo deveria servir como um background para algo mais lógico e inteligível e não estacionar nossa mente em concepções sedimentadas que não permitem rompimento. O segredo da originalidade é saber esconder suas influências, sejam estas quais forem. O valor do homem é determinado em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego enão por aquilo que o aprisiona em conceitos fechados em si mesmo. Portanto, existem apenas duas maneiras de ver a vida: Uma é pensar que não existem verdades e a outra é que tudo traz uma verdade a ser descoberta.

Sabemos que a percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências, e se o sujeito não tem a mente aberta para os mistérios e o que existe atrás das estruturas que o cercam passará pela vida sem conhecer realemnte nada . Desde a arte, que é a expressão dos mais profundos pensamentos da maneira mais simples até a ciência ou até a religião; de tudo é possível se extrair verdades e novos conhecimentos. A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, incapaz de sentir admiração e estupefação, esse já está, por assim dizer, morto e tem os olhos extintos.
A mente avança até o ponto onde pode chegar; mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Todas as grandes descobertas realizaram esse salto. A única coisa de que temos certeza é da singularidade do indivíduo,porém apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Assim sendo,devemos ainda crer que diante de Deus todos somos igualmente sábios e igualmente tolos? Se eu quero saber como Deus criou este mundo não devo estar interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele elemento mas sim em conhecer os pensamentos divinos, o resto são detalhes.
A partir disso, crer, depositar fé em algo, seja no que for, pode ser tormento ou redenção. No sentido filosófico do termo a liberdade do homem quer ser expressa por si mesma e não mediante paralaxes que nos servem como bengalas para um vida toda no obscurantismo. Todos agem não apenas sob um constrangimento exterior mas também de acordo com uma necessidade interior, assim o primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma como máxima de sua potencialidade para desvendar novos pensamentos.

Quando acreditamos que o ser humano é vivência a si mesmo, dos seus pensamentos como algo separado do resto do universo – numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência – é essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Isto é que nos faz meditar que: O valor do homem é determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego.

Os problemas significativos com os quais nos deparamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando eles foram criados. Se pensamos noventa e nove vezes e não descobrimos a verdade, isso não é motivo para deixar de pensar, ou mergulhar em profundo silêncio, e assim deixar escapar a verdade nos é revelada.

Uma pessoa meramente inteligente resolve um problema, uma sábia condiciona a algo mais amplo para aprender com este problema. Pensar é como andar de bicicleta: é preciso avançar na qualidade e quantidade de pensamentos para não perder o equilíbrio. A mente é intuitiva, por isso a fé é um dom sagrado tanto quanto a mente fria e racional, pois um é servidor fiel do outro em busca da libertação de paradigmas e revelação da verdade.

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O óbvio ululante que ninguém quer ver

Numa palestra, esta sim no College de France, mas não importa o lugar, com Alexandre Havard, mas também nem precisava ser ele, foi nos ensinado a pensar de forma magnânima e humilde em face aos descalabros da nossa sociedade moderna cuja sanha por respostas fáceis e deletérias não faz pessoas, como eu e você, meditarem sobre seus questionamentos de forma lenta, gradual e aprofundada. Em meio a tagarelice e muitos referenciais cômodos ao meu e seu estilo de vida acabamos por aderir a respostas falsas e apressadas no julgamento da realidade. Por que fazemos isso? Quais as conseqüências dessa atitude moral e intelectual? Não quero dar respostas, quero apenas apresentar o panorama no qual estamos imersos sem nos dar conta…

Definitivamente determinadas coisas não convencem. Hoje em dia estamos na era da informação, porém ainda há uma vasta camada de pessoas, especialmente as alinhadas com ideologias que vão desde o ateísmo ao paganismo, do jingoísmo ao chauvinismo, do cristianismo ao marxismo que realmente denotam ser pessoas totalmente ignorantes e preconceituosas quando expressam suas opiniões sobre os mais variados temas.

Esta semana, fui alvo duma mitomaníaca bisbilhoteira da vida alheia dessa espécie supracitada defendendo que a recusa da PUC em criar uma cátedra de cultura francesa se devia ao obscurantismo clerical ou cristão que emana daquela instituição com base num artigo que não cita muitas das coisas que decorrem nos bastidores universitários, tais como briga de ego por cargos de alto gabarito e reconhecimento. A dita cuja, de tão ensoberbecida por filósofos, esses sim obscuros, por preconceitos feministas ao cristianismo e Igreja Católica, disse ter compreendido as sagradas escrituras cristãs via notas de rodapé históricas da bíblia que leu em tenra idade. Notadamente que qualquer pessoa que realmente queira compreender um manuscrito de qualquer tradição religiosa deveria primeiramente recorrer às fontes primárias e tradição daquela vertente antes de incorrer num pseudo-estudo com base em fontes já contrárias e eivadas de deméritos ao que se estuda.

Exemplar disso, é que por muito tempo nas universidades houve uma briga de certos alunos mais conscientes, que se opunham a estudar tão somente a visão marxista das disciplinas que cursavam e solicitavam aos reitores e professores que também dispusessem da visão liberal clássica ao menos, sem emanar sobre as mesmas as críticas marxistas e vice-versa. Dessa peleja sobrevieram alunos que conhecem ambas as veredas e com maior independência ideológica sobre elas. Hoje em dia os mesmos que provaram da riqueza dessa fonte, depois de anos de leituras, não apenas de clássicos da filosofia antiga e contemporânea, mas também da literatura, ciência política e sociologia dentre outras áreas do saber humano. Hoje encontramos essa geração mais habilitada a opinar sobre muitos assuntos com maior embasamento do que estes paraquedistas que não sabem identificar as origens de muitos pensamentos dos seus autores prediletos; os quais citam e seguem cegamente sem questioná-los devido soar fácil e reconfortante ao ego ignaro e preconceituoso dos mesmos.

Por muito tempo tivemos averbado que liberdade intelectual é conhecer a verdade sabida pelos pensadores que defendem a liberdade de pensamento. Isso ressoa como uma base teórica falsa, pois pode ser manipulada como foco em toda idéia holista, que intenta recriar o mundo e costumes do nada, através de teses que seguem uma estrutura e superestrutura devendo, portanto, ser banidas sumariamente devido seu mérito ser insidiosamente fonte de manipulação. O Brasil que hoje vive esses caos entre os ditos reacionários obscurantistas e os iluminados que defendem a liberdade ampla geral e irrestrita sobre tudo, estão presos numa redoma que prega uma igualdade mentirosa que não leva em conta uma desigualdade justa que é inerente ao ser humano.

Questionar-se se são as idéias que geram os fatos ou os fatos geram as idéias é uma premissa primária metafísica para a qual não existe resposta, porém muitos se valem dessa premissa como articulação de convalidação de suas teses mais estapafúrdias e grotescas, seja na exegese ou na hermenêutica de algum assunto. O caso supracitado da incongruente que lê a bíblia a partir de notas de rodapé, sem se atentar para o valor espiritual do texto que lê, e muito menos sem aferir ao mesmo sua valoração transcendental, torna isso numa espécie de imanentismo corriqueiro digno de Bertrand Russel, Nietzsche, Karl Marx, Antônio Gramsci e do nosso Leonardo Boff no seu livro Tempo de Transcendência, que versa mais sobre filosofia imanente do que teologia transcendente e vende bem por isso, pois a idéia da sua magnus opus Carisma e Poder é sobreposta como Nietzsche faz em Crepúsculo dos Ídolos para convalidar o restante de seus escritos.

Distinção entre o fato e idéia, se algum dia fosse possível responder isso, estaríamos fadados à morte a filosofia e, junto dela, a própria humanidade. A razão é óbvia, pois despojar de qualquer mistério o homem seria transformá-lo numa cobaia do laboratório da história, que por sua vez quer produzir um mutante social a bel prazer dos seus teóricos mais proeminentes. Talvez seja este o sonho de todos os cientistas sociais fetichistas que se arvoram a engenheiros da alma humana e da sociedade moderna que um dia, quiçá,poderá ser livre e justa sem depender de normas reguladoras, pois a ética humana independerá de valores externo e prevalecerão os valores do ser em si mesmo como ápice da magnanimidade e humildade humana. Uma prova que isso é temerário é a obra de Alexandre Havard sobre liderança e trabalho, na qual clarifica que para haver liderança é necessário haver virtudes e caráter arraigados no ser humano em suas ações. Do contrário a falsidade e sedição geram manipulação e destruição de diversos projetos e ambientes que eram saudáveis.

Perante este escopo, o mais provável é que a relação entre fatos e idéias seja uma via de mão dupla — ao mesmo tempo em que são capazes de gerar fatos, pois as idéias não caem do céu podem ser influenciadas por fatos. A tese da ideologia pura e natural, sem amparo da mística social é idéia natimorta.  Caso exemplar disso é o da teoria heliocêntrica, segundo a qual, a Terra gira em torno do Sol. O heliocentrismo foi formulado, pela primeira vez, ainda na antiguidade clássica, pelo astrônomo grego Aristarco de Samos (310-230 a.C.). Mas como não tinha amparo em fatos mensuráveis na época, ancorando-se apenas na genialidade matemática de seu autor, ficou hibernando por 18 séculos, até ser retomado pelo padre polonês Nicolau Copérnico (1473-1543).

Outra tese engenhosa de Aristarco de Samos ilustra, com mais propriedade ainda, a impotência das idéias puras. Ao afirmar que a Terra e os demais planetas giravam em torno do Sol, ele não tinha como justificar o fato de as estrelas parecerem imóveis. A cada ano, quando a Terra completasse seu movimento de translação, a posição aparente das estrelas (paralaxe) teria de apresentar variações perceptíveis a olho nu. Para solucionar esse problema, Aristarco de Samos formulou a seguinte hipótese: essa variação, de fato, ocorria, mas não era perceptível devido à imensidão da esfera celeste, que colocava as estrelas muito distantes da Terra. “Sabemos agora que essa variação realmente ocorre, mas é extremamente pequena; para observá-la, há a necessidade de um telescópio e de uma técnica de observação muito refinada, tanto que ela não foi detectada até a década de 1830, ou seja, mais de dois mil anos depois” — escreve Colin Ronan, em sua História Ilustrada da Ciência, da Universidade de Cambridge.

Nessa mesma toada, coube ainda ao astrônomo, matemático e físico alemão Friedrich Wilhelm Bessel (1784-1846) realizar, em 1838, a primeira mensuração precisa da paralaxe estelar, ao medir a paralaxe da estrela 61 Cygni, da Constelação de Cisne, comprovando a tese que se perdera na Antiga Grécia. Se Aristarco estava certo, por que suas idéias não se impuseram vinte séculos antes, quando foram formuladas? Segundo Colin Ronan, porque a teoria do astrônomo grego, apesar de sua engenhosidade matemática, “parecia uma solução muito inverossímil para os problemas do movimento planetário”. Na época, a teoria geocêntrica de Cláudio Ptolomeu (c. 83-161 d.C.) mostrou-se muito mais eficaz. O fato de acreditar que o Sol é que se movia em torno da Terra não o impediu de descrever, com grande precisão, os movimentos dos astros, conseguindo calcular a data de futuros eclipses do Sol e da Lua. O geocentrismo de Ptolomeu podia estar errado, mas era mais crível e mais útil do que o heliocentrismo de Aristarco.

Eis o eterno dilema — Esses episódios da história das ciências mostram que o sociólogo Émile Durkheim (1858-1917) estava certo ao formular a seguinte tese no clássico “As Regras do Método Sociológico”; a saber: “A causa determinante de um fato social deve ser buscada entre os fatos sociais antecedentes e não entre os estados da consciência individual”. Durkheim defendia que os fatos sociais são externos ao indivíduo e exercem sobre ele uma forte coerção — tese violentamente combatida por marxistas e weberianos, irmãos siameses na mistificação sociológica. Mas “fato social” para Durkheim não significa algo necessariamente concreto, como a diferença entre riqueza e pobreza, as disputas entre patrão e empregado, a hierarquia entre pais e filhos. Pode ser também as representações sociais, que ele chamou de “consciência coletiva”. O que significa que as próprias idéias, apesar de nascidas na consciência individual, podem se tornar fatos sociais — desde que ganhem vida própria, fora do indivíduo que as formulou. Mas, para isso, dependem das circunstâncias, como ocorreu com as idéias de Aristarco de Samos. Ou seja, é a simbiose inextrincável entre idéias e fatos, o eu e as circunstâncias, diante da qual o próprio Durkheim se calava, por saber que é impossível determinar onde acaba o indivíduo e onde começa a sociedade dentro de cada um de nós.

Todavia, os mais renomados cientistas sociais contemporâneos acreditam ter superado Durkheim e resolvido o eterno dilema entre origem e fim, natureza e cultura, imanência e transcendência. Sociólogos como Pierre Bourdieu, Edgar Morin e até Anthony Giddens professam uma ciência social holística, que se julga apta a planejar não apenas a macroestrutura exterior ao indivíduo, mas também a microestrutura de cada consciência individual, devassando anseios, retificando condutas, induzindo concepções de mundo. A ideológica “luta de classes” de Marx cedeu lugar à subjetiva “ação social” de Weber, mas a ciência social continua a mesma desde Comte — seu objetivo é reformar o mundo. Com as rebeliões juvenis da década de 60, simbolizadas pelo Maio de 1968 em Paris, os principais intelectuais do século XX se tornaram lacaios da juventude. Pensadores tão díspares quanto o “vitoriano” Bertrand Russell e o hedonista Michel Foucault, passando pelo individualista Jean-Paul Sartre, renderam-se aos jovens — “esse povo que surgiu recentemente”, com a escolarização de massa, para usar a irônica expressão de Alain Finkielkraut, no livro “A Derrota do Pensamento”.

Renascia, assim, uma das mais recorrentes idéias da história do Ocidente — a de que “um outro mundo é possível”. Cunhada para o Fórum Social Mundial de Porto Alegre pelo jornalista e sociólogo Ignacio Ramonet, diretor eleito do “Le Monde Diplomatique” por mais duma década. Essa frase é apenas a nova veste de uma velha idéia — a utopia do Paraíso Perdido. Trata-se de um dos mais recorrentes mitos de origem, o mito de que o mundo foi criado perfeito e se degenerou depois. A Idade de Ouro, na Teogonia de Hesíodo, e o Jardim do Éden, no Gênesis bíblico, são as duas principais vertentes dessa utopia, que também ocorre entre culturas não ocidentais, como entre os índios guaranis e em segmentos do budismo. Na maioria dos casos, acalenta-se o sonho de reconstituir o Paraíso Perdido na terra, o que significaria alcançar mil anos de felicidade terrena, daí os nomes de milenarismo (do latim) ou quialismo (do grego) que são dados a essas utopias.

Desta forma o milenarismo socialista — sobre o qual versa o segundo volume de sua Historia del Paraíso (a edição brasileira está fora de catálogo), o historiador francês Jean Delumeau observa que “a nostalgia do Jardim do Éden deu lugar progressivamente à esperança de um novo Paraíso terreno” e sustenta que “essa esperança se há laicizado para dar corpo à noção de progresso”. Reclamando que nem sempre se reconhece o legado da utopia milenarista na história do Ocidente. A partir disto, Delumeau aponta a efervescência do milenarismo em torno de Oliver Cromwell (1599-1658), o ditador parlamentar que consolidou a moderna Inglaterra, e lembra que os Pais Peregrinos que desembarcaram na América do Norte em 1620 também eram milenaristas e sonhavam em converter aquela parte do Novo Mundo numa Nova Canaã, marcando indelevelmente os Estados Unidos, que surgiriam no século seguinte. A idéia de um progresso inevitável do mundo se consolida em diferentes pensadores, como Francis Bacon, Adam Smith, Leibniz, Hume, Kant e perpassa até a obra do pessimista Pascal.

Todavia  é por meio da utopia socialista que o milenarismo ganha nova força. Enquanto a idéia de progresso dos filósofos citados limitava-se a crer numa melhoria inevitável e paulatina do mundo, a utopia socialista — influenciada pela Revolução Francesa — já nasceu tentando apressar, através da violência, esse “outro mundo possível”. Jean Delumeau salienta que “Marx, Lênin, Mao e Pol Pot (como tantos outros hoje) resultam incompreensíveis se não se lhes reintroduz dentro da tradição milenarista em sua versão exacerbada: a que insistia na necessidade de uma ruptura brutal para entrar na era da felicidade”.

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Já o filósofo brasileiro Heraldo Barbuí (1914-1979) também denuncia o caráter milenarista da doutrina de Marx, em seu livro “Marxismo e Religião” cuja citação merece ser lavrada: “Marx disse, mais de uma vez, que o que nós chamamos História não passa de pré-história. Marx põe a sua história numa época posterior à nossa História: e sua história não há de ser uma história de luta de classes, nem de batalhas, nem de impérios que vão e vêm, nem dos Estados, nem de heróis. (…) Essa história marxista há de ser uma história extratemporal, posta num reino mítico, fabuloso, fora de todos os tempos conhecidos e cognoscíveis (…) E o proletariado, classe messiânica, negação de tudo quanto existiu até hoje, há de instaurar esse reino edênico, dialeticamente previsto pelo socialismo científico de Marx e Engels”.

Para Jean Delumeau, o marxismo representa a “culminância mais notória” do milenarismo. E não se pode esquecer que a geração que hoje governa e pensa o mundo é toda ela influenciada pela idéia de revolução — quando não é revolução econômica, é revolução dos costumes. Nem George W. Bush e sua mulher Laura Bush escaparam da mística do Maio de 1968: eles também usaram drogas na juventude, segundo relatos de uma biógrafa não autorizada da família Bush (a norte-americana Kitty Kelly), parte deles confirmada pelo jornal The New York Times. Graças a essa geração de eternos militantes estudantis, a imaginação não chegou ao poder, mas o poder chegou à imaginação. Cada vez mais, em todo o mundo ocidental, a vida privada vem sendo objeto de devassa pública. Ancorada em ONGs esquerdistas patrocinadas pela ONU, uma expressiva corrente do direito contemporâneo já não se contenta em regular as condutas — que antecipá-las, normatizando intenções. Daí as enxurradas de leis que se arvoram a criminalizar “preconceitos”, instaurando a força o maior dos preconceitos — o fascismo politicamente correto. É o “outro mundo possível”, cada vez mais provável no campo dos costumes.

Nessa esteira de fatos do mito-gerador – mesmo não tendo qualquer razoabilidade – as idéias do Maio de 1968 se tornaram fatos sociais na concepção durkheimiana, uma vez que se constituíram numa espécie de “consciência coletiva” das classes letradas, influenciando, profundamente, áreas como educação, saúde, lazer, comunicação e segurança pública. A idéia de que “um outro mundo é possível” é uma espécie de mito-gerador, que engendra uma série de outros mitos específicos, cada um encarregado de corroer uma parte da sociedade, até destruí-la por inteiro. Um desses mitos diz que todas as pessoas nascem iguais em tudo, inclusive na inteligência, e que basta dar-lhes educação para que elas se tornem brilhantes, até geniais.  Ao contrário do pensamento de Ivan Ilich, toda a educação brasileira pública e privada, baseia-se nessa idéia errônea, que não encontra sustentação nos fatos, apesar do esforço que a academia faz para distorcer pesquisas no sentido de comprová-la. Graças a esses mitos, até os deficientes mentais são empurrados para classes comuns, onde aprendem bem menos do que aprenderiam em classes especiais e ainda atrapalham o desenvolvimento intelectual dos demais alunos.

Outro mito nefasto, derivado do mesmo milenarismo revolucionário, é a idéia de que é preciso educar as pessoas para a tolerância, extraindo delas –  à força de leis intolerantes como as que vemos serem aprovadas hoje nos parlamentos do mundo inteiro – todo e qualquer preconceito. Trata-se da mais pura eugenia social. Uma pessoa sem qualquer preconceito não é pessoa. Nem chega a ser animal, porque eles também têm preconceitos. Talvez seja uma ameba ou uma pedra. O preconceito é imprescindível para a sobrevivência física e moral de qualquer pessoa e qualquer povo “autêntico”. O ser humano não é papel em branco para cientista social escrever o que quer. Talvez isto soe webberiano, mas vamos lá: Cada pessoa é um feixe de impressões e sentimentos desde quando ainda está no útero materno. E, ao longo da vida, como é impossível conhecer tudo o que nos cerca, vamos formando impressões sobre o mundo, muitas vezes incorretas.

Entretanto, é melhor assim do que não ter impressão nenhuma. O automatismo da maioria dos nossos hábitos, imprescindível para a boa convivência em sociedade, só é possível porque formamos conceitos prévios sobre as coisas, independente de corresponderem ou não ao que elas são.

Tendo em vista o ora exposto, o preconceito, como o próprio nome diz, é só um “pré-conceito” necessário diante de uma situação inusitada, para que não se fique totalmente desarmado diante dela. Se o pai não inculca na criança um “pré-conceito” sobre o perigo da tomada elétrica, ela acaba levando choque. Mas o preconceito se dobra a fatos e circunstâncias: depois de crescida, a criança se torna apta a entender o “conceito” de eletricidade e pode dispensar o “pré-conceito”. Assim também são os preconceitos culturais, inclusive o preconceito racial, que não se confunde com racismo. Diante de uma etnia desconhecida, de uma cultura estranha, não é possível não ter preconceito. O preconceito entre portugueses e índios, portugueses e negros e negros e índios era mútuo. Havia até preconceito entre as próprias tribos indígenas, uma vez que o termo “índio” é uma ficção conceitual inventada pelos europeus, que não corresponde à profusão de povos do Novo Mundo, muitos deles inimigos entre si.

Nesse ponto o racismo e preconceito são formas de preconceito racial defensivo. O racismo que hoje dominante é mais do que um preconceito; é um sistema arraigado de idéias que, confrontado com os fatos, prefere expurgar a própria realidade a ter que aceitá-los. Por isso, alguns acadêmicos defendem que nunca houve racismo no Brasil, nem mesmo durante a escravidão. Se tivesse havido racismo, a miscigenação seria impossível. Enquanto o português preconceituoso rendia-se às tentações da carne diante das negras, o anglo-saxão racista era capaz de subjugar o próprio desejo para não confrontar seu sistema de idéias. Hoje, segundo as pesquisas sobre racismo, o brasileiro mais racista costuma ser o nordestino pobre, sobretudo o baiano, quase sempre mulato. Ora, seu preconceito racial não pode ser confundido com racismo: trata-se de estratégia de sobrevivência, num meio em que, mesmo depois da abolição, o negro continuou escravo, já que não tinha para onde ir. O preconceito racial ainda existente no Brasil é resquício dessa trágica complexidade humana relativamente recente, que não será corrigida pela imposição de leis raciais. Pelo contrário, a política de cotas pode transformar em racismo o que é apenas preconceito.

Se houvesse mesmo racismo no Brasil e as cotas raciais conseguissem extirpá-lo, teríamos, então, “o outro mundo possível”? De jeito nenhum. Ainda restariam os feios, por exemplo, mais vítimas de preconceito do que os negros. Tanto que negro bonito, assim como negro rico,  e talentoso não sofrem preconceito, como está evidente na figura do Pelé em ralação aos seus fãs brasileiros e quiçá do mundo inteiro. Na verdade, não existe mundo perfeito, igualitário e feliz. Temos que nos contentar com o que existe e ir consertando seus defeitos pontuais, conscientes de que eles são teimosos e voltam sempre, ainda que com nova cara. O Eclesiastes bíblico já sabia disso, séculos antes de Cristo; por que a filosofia e a ciência esqueceram essa verdade? Toda idéia holista, totalitária, que intenta recriar o mundo do nada, deve ser banida sumariamente. O que o Brasil precisa não é de uma igualdade mentirosa, mas de uma desigualdade justa.

O mérito tem que voltar aos bancos escolares, premiando os melhores alunos. O professor tem de resgatar sua autoridade, recompondo a hierarquia social. A inconsequência juvenil — que emana até de homens e mulheres de cabelos brancos de sorriso e dentes falsos — deve ser derrubada do poder. É preciso resgatar a hierarquia. Ela é o oxigênio da vida. Sempre foi assim: uns mandam, outros obedecem; uns sabem, outros ignoram; uns têm muito, outros têm pouco. O ter, o poder e o saber só se tornam problema quando não são acompanhados de um senso maior do dever. Como ocorre no Brasil: um país em que diploma universitário dá direito a cela especial, como se o crime se tornasse menos grave justamente quando seu autor tem mais consciência dele. Eis aí uma boa pauta para os arautos do “outro mundo possível” — cortar seus privilégios nesse Brasil real, antes de fantasiar igualdades em mundos imaginários.

Diante dessa realidade onde se prefere a mitomania, e outras espécies de chauvinismo e auto-proteção preconceituosa em face  de outrem, vemos pessoas boas serem tidas como más, vemos os malévolos arrastarem multidões para o enfrentamento com seus pares. Estamos diante dum sistema social que verbaliza e prega a discórdia sob a falsa égide de que todos devem ser iguais a todo custo.  Não adiante negar o inegável, recorrer às velhas ideologias travestidas de inovação e superação de suas falhas e antagonismos contraditórios. Ninguém aqui pode mais ser alvo desses insultos a nossa vã inteligência que aprende mais com erros cometidos do que com sucessos obtidos. Muitos não estão dispostos a relegar seus valores e padrões de vida conquistados por merecimento próprio com outros que não respeitam sua integridade moral e intelectual, e estão no direito deles, pois a liberdade de ser e fazer acontecer não existe apenas para quem mora em bairros nobres e frequenta os melhores colégios, estas oportunidades e possibilidades não amputam no pobre e favelado o seu potencial pessoal de crescer e seguir com determinação até conquistar seus mais altos sonhos. É preciso resgatar a magnanimidade e humildade das pessoas e recondicioná-las a serem humanamente viáveis, e não socialmente ou economicamente viáveis. Não podemos aceitar a ditadura dos vitimistas, dos fracassados e invejosos, pois aceitar isso seria assinar a sentença de subserviência aos ditamos de quem não ousa ser  aquilo que pode ser nem mesmo por um minuto e vende-se ao comodismo e vaidades vis que corrompem qualquer ser humano. A realidade está aí bem a nossa frente para comprovar isto, basta encará-la face a face e enxergar o óbvio ululante.

Foucault é a mãe!

Nelson Rodrigues tinha razão ao dizer: “De gente burra só quero vaias”.

Na calada da noite de ontem estava conversando com uma garota um tanto conservadora sobre os evolucionistas dizerem que os homens são infiéis por necessidade biológica para que a espécie humana continue. Sim os machos são infiéis por natureza; são pré-concebidos pela mãe natureza com o desejo de fecundar todas as fêmeas possíveis. Explicava isso para a garota para retirar da mente obsoleta dela que eu não passava dum vil galinha mulherengo com síndrome de Don Juan. No meio da explicação fui interrompido por um pseudo-intelectuais sulista de São Pedro do Sul que taxava-me de homossexual enrustido pelo simples fato de ter falado a verdade sobre devasso Michel Foucault. Um tanto pitoresco taxar de gay quem diz algo contra o ídolo gay do mesmo.

Há pessoas que se auto denominam rockeiros, mas em alguns casos são conhecidas como posers, e estes geralmente usam como pretexto gostarem de rock para terem alguma personalidade visto que não possuem aptidão psicológica ou emocional para se tornarem uma pessoa com identidade própria.

O famigerado filhote de rábula Claudio Homrich, ou Claudinho para os mais íntimos, é um desses típicos seres que se encaixam nessa descrição.  Segundo consta ele é sustendo pelo papai bacana o qual banca o garotinho e seus amiguinhos maconheiros por tabela e outras extravagâncias que o rapazola é chegado. Esses dias o garotinho um tanto mimado resolveu arrumar encrencas nas redes sociais e resolveu me amolar no facebook escrevendo cartinhas repetitivas  para me taxar de homossexual enrustido que não deveria ter direito de expressão na democracia devido ao fato de ter discordado da opinião do mesmo sobre o famigerado Michel Foucault seu grande ídolo o qual endossa todas opiniões e hábitos devassos

Eis a verdade que disse que deixou o pseudo-intelectual gaúcho fora de si: Mencionei que Foucault era uma bichona chapada, um drogadão que defendia o uso indiscriminado de drogas e além disso, Foucault também defendia a descriminalização de todo tipo de sexo incluindo: incesto, pedofilia e estupro. Tudo com o objetivo, segundo ele, de suprimir a culpa, e reinventar o corpo e seus prazeres.   Qualquer coisa parecida com Jean Wyllys não é mera coincidência.  Outra coisa que Foucault defendia era o regime do Irã dizendo que o Estado xiita não é uma ordem política repressiva. Mas será que ele sabe disso? Creio que não…

É sabido que há muitos seres sub-pensantes em nossos meios acadêmicos que defendem o “de haut en bas dévergondé” com unhas e dentes, e seguem o mesmo estilo de vida devasso e chapado de seu ídolo por simplesmente serem manipulados por seus docentes e orientadores acadêmicos – os quais escondem ou também desconhecem as vilanices foucaultianas – que simplesmente lavam o cérebro dos seus alunos usando os artimanhas retóricas das mais sortidas dentre as quais se destaca a redução ao absurdo e ad hominen caso você discorde de qualquer dizer sacrossanto de Foucault. Pois bem, esse parece ser o caso dum tal Claudio Homrich. Esse demente ficou defendo Michel Foucault como se tivesse falado mal, ou melhor, a verdade, sobre a mãe dele. Ao mencionar o que é de conhecimento público – que Foucault era viado e drogado – parece que este desavisado tomou pela primeira vez na vida conhecimento que seu ídolo era um queimador de rosca inveterado e que vivia chapado enquanto misturava anarquismo com concepções de Nietzsche em suas aulas politicamente corretas da nova esquerda.

Creio que não seja por acaso que os alunos das universidades aderem tão facilmente ao pensamento de Foucault e se tornem pessoas permissivas que deixam se levar pelo laxismo. Eles idolatram esse tipo de pensamento e aprendem isso com doses maciças de cinismo intelectual nos anos da graduação universitária. Repudiar qualquer forma de tradição filosófica que date mais de duzentos anos é ser intelectual e livre pensador para eles e doa a quem doer. O que vemos na realidade é que grande parte desses são apenas mais uns como tantos outros na multidão ou na manada de adeptos facilmente seduzidos e manipulados por uma intelectualidade vazia do século XX. Vemos repetidas vezes que muitos que ingressam nas faculdades de ciências humanas e são recebidos com saraivadas de relativismo moral, ateísmo, drogas e sexo fácil e ao final do curso estão graduados em falar mal da moral careta da Igreja Católica, que ter relações sexuais com qualquer pessoa por pura necessidade de satisfazer a lascívia é uma conquista cultural e que usar todos os tipos de drogas e defender todas as teses do socialismo anti-capitalista, todas as vertentes do aborto, liberação sexual e das drogas é ser contemporâneo e mente aberta. No final das contas agem todos se fossem filhos de ninguém mais ninguém menos que Michel Foucault. Isto demonstra por si só uma realidade condizente com as nossas faculdades e universidades que não formam pensadores independentes, pelo contrário, são uma linha de fabricação de pseudo-intelectuais e viciados e quiçá de futuros Jean Wyllys que defendem toda sorte de projeto indecoroso da agenda da esquerda.

Foucault louco

Essa crítica não quer dizer que todos os alunos sejam assim tão facilmente manipulados, mas sim que devemos ficar atentos a equívocos causados por essa sua peculiar formação que recebem na graduação universitária e sua inutilidade prática para o avanço do conhecimento em diversos campos. Nesse caso, refiro-me ao constante equívoco quanto à realidade e verdade sobre história da humanidade e do conhecimento e seus valores morais e intelectuais mais elevados. São tantas as distorções que impregnam os cursos, docentes e alunos que muitos já perderam totalmente a percepção que viajam na maionese o tempo todo renutrindo delírios filosóficos gerados em sala de aula. Vemos notoriamente que muitos são meros papagaios, pois são capazes apenas de repetir julgamentos repetidos à exaustão nas faculdades e redes sociais, os quais julgam científicos e racionais, mas que no fundo são sem nenhuma responsabilidade ou autenticidade intelectual e também fruto da indolência acadêmica dos alunos.

Proponho que da próxima vez que os indignados sem causa que me atacaram nesse último episódio, antes de me taxarem disso ou daquilo, ao menos leiam e estudem a obra do autor que defendem com juízo neutro de valores e não influenciados por professores e seus amiguinhos filósofos de boteco. Recomendo que leiam também autores que refutam os mesmos ao invés ocuparem o seu tempo seja na faculdade ou nas redes sociais fazendo o óbvio; que é passar recibo de universitário maconheiro ignorante  que entrou no esqueminha do faz de conta da galera que se acha o máximo da intelectualidade sem ter estudado nada até o presente momento. Do contrário, espero que  sejam trancados em alguma instituição de recuperação de viciados, e só saiam de lá quando  descobrirem que não são donos do mundo e que a  faculdade ou as redes sociais não é  quintal para os seus delírios pseudo-intelectuais…

Agora podem me vaiar à vonté!

Filosofia e Religião na Teoria da História

Filosofia e religião pertencem a esferas autónomas e diferentes; ambas comparecem perante o mais alto grau da consciência humana; ambas correspondem a ansiedades inconfundíveis.

A perenidade da religião está demonstrada pela antropologia. Esta ciência, discernindo os aspectos corporal, animal e espiritual do composto humano, ainda que os não considere substâncias, assevera as diferenças que, históricas e geográficas, meramente empíricas, não chegam a anular a relação, evidente ou mística, do ser consciente com a realidade divina.

O homem que, além de actos insignificantes executa acções significativas, que valida pelos sentimentos as cerimónias que pratica, é por isso mesmo um ente religioso; para assegurar esta verdade basta sômente pôr em evidência as linhas de objectividade do respectivo culto e os princípios fundamentais da respectiva teologia; negar a religião é negar a própria actividade.

Nenhum homem pode deixar de reconhecer a sua dependência e de invocar, por vezes, o auxílio de uma entidade superior; mas ninguém ignora possuir também um certo grau de liberdade, e o suficiente para cumprir o destino singular.

A religião não absorve a filosofia; a consciência humana não pode suprimir um dos termos da linha da sua perfeição; na intimidade do ser pensante está o germe que para a luz sófica se vai desenvolver.

Situando a filosofia e a religião em pontos extremos, cujos extremismos correspondem a formas doentias do individualismo e do misticismo, necessánamente se nos afigura o intervalo que importa preencher. Aliás, os dualismos, que podem ter utilidade transitória no discurso expositivo, acabam por denunciar a falsidade intrínseca dos processos de convenção; na ordem especulativa, a autenticidade é sempre explicitada pelo temário.

Entre a filosofia e a religião está «situado» aquele termo que, por ser misto, espelha o drama da humanidade: a natureza e a arte ou, por outras palavras, a natura e a cultura. Mas não convém penetrar neste domínio obscuro antes de mais oportuna lição.

A religião é universal e os cultos são sociais. Só confundindo estas noções que, aliás, correspondem a planos diferentes, é possível acreditar na irreligião do porvir.

Os adversários da religião, quer dizer, os adversários de todo e qualquer culto, confiam em que o tempo a favor deles opere, e esperam que dentro de poucos séculos a política, se não a ciência, venha a dar mais valiosa satisfação à moderna ansiedade das almas.

Mas os inimigos da filosofia, esses, não podem esperar, porque asseveram ser condição indispensável das realizações sociais a imediata, se bem que provisória, supressão da liberdade de pensar e de agir. Simultâneamente agredidas pela artificial cultura, a filosofia e a religião testemunham reciprocidade e complementaridade existenciais.

Não tem, pois, significação autêntica qualquer conflito entre a filosofia e a religião; pode, sim, haver incompatibilidade entre um culto religioso e uma doutrina filosófica; assim, por exemplo, entre os católicos é dada preferência ao sistema filosófico elaborado pelo clero regular, porquanto a disciplina intelectualista salvaguarda o dogma das interpretações ousadas pelo pensamento especulativo.

Aludimos à Escolástica, cujo magistério exemplar tem sido servilmente imitado – até mesmo pelos que se dizem agnósticos perante a vida religiosa – nos vários ramos do ensino filosofal.

Considerando o catolicismo, que devemos ter sempre presente, observemos a trajectória desenhada pela inquietação dos heterodoxos; indaguemos os motivos que levam o homem baptizado e catequizado a abandonar primeiro os sacramentos e depois os dogmas; deixemos de referir a pecados e a vícios o processo do descrente, porque esses acidentes morais, comuns a fiéis e a infiéis, não levam necessàriamente ao rompimento definitivo com o culto.

Que verificamos, por fim? O heterodoxo ou integrará os actos que considera mais significativos e mais valiosos no ritual de outro culto, celebrando declaradamente a conversão, ou permanecerá numa atitude de disponibilidade que compensa pela atribuição de excessivo valor aos ofícios profanos, até que lhe seja anunciado o momento de voltar a ser católico praticante.

Um estudo desta índole foi feito por D. Marcelino Menendez y Pelayo no ensaio fenomenológico «História de los heterodoxos españoles», obra por vários predicados valiosa, mas que, por incluir os heterodoxos portugueses, é para nós de uma utilidade excepcional.

Nesse livro encontram-se as seguintes afirmações do autor:

«Para mim, a Reforma em Espanha é só um episódio curioso e não de grande transcendência. Para outros desvios tem sido e é mais propenso o pensamento ibérico. Hostil sempre a esses termos médios, quando se aparta da verdade católica, chega a levar o erro às suas últimas consequências: não pára em Lutero, nem em Calvino, costuma lançar-se no antitrinitarismo, no ateísmo – e mais geralmente no panteísmo cru e nítido, sem reticências nem ambiguidades. De tudo isto se verão exemplos no decurso desta história, começando pela doutrina de Prisciliano. Em quase todos os heterodoxos espanhóis de relevo e de alguma originalidade, fácil é descobrir o vírus panteísta» (1)

Também Sampaio Bruno que, em largos passos de alguns dos seus livros, estudou os heterodoxos portugueses, afirma a impopularidade do protestantismo. Assim, no livro intitulado «A questão religiosa», após uma referência ao Santo Ofício da Inquisição, como factor da unidade nacional, escreveu o filósofo portuense:

«Não porque grandemente receassem os nossos antigos portugueses a intromissão em Portugal da heresia ou do dogmatismo, da heterodoxia cristã ou do livre pensamento racionalista; os casos que se patentearam foram individuais e esporádicos, como o luteranismo de Damião de Góis ou de Pereira Marramaque; a heresia, mercê de motivos que não vêm para aqui, não alastrava nas massas, confinava-se em personalidades eminentes isoladas»(2) 

Sampaio Bruno, que perseguia obstinadamente uma fecunda investigação, não teve a ousadia de delinear o sistema a que lhe dava direito a cópia de interessantissimas conclusões.

Mas no livro intitulado «O Encoberto», onde encaminha a pesquisa histórica pelas seguras linhas da etnologia, o filósofo portuense faculta ao leitor perseverante alguma luz para a teoria do que se pode designar por «cívilização portuguesa».

Um preconceito iberista levou Menendez y Pelayo a incluir os heterodoxos portugueses no âmbito do seu estudo, mas induziu-o também a generalizar indevidamente as respectivas conclusões.

Há um inegável contraste entre os dois povos peninsulares no aspecto da religiosidade, e ainda quando, por influência espanhola, a política portuguesa foi levada à intolerância no regime do culto, latente permaneceu a diferença original.

No século XIX observamos também este contraste, sublinhado aliás por Menendez y Pelayo (3). Em Portugal, a heterodoxia caminha para um puro ou impuro comtismo, em Espanha para um puro ou impuro hegelismo. O alcance desta divergência ainda não foi avaliado.

Teófilo Braga afirmara, num dos seus melhores livros, esta sentença de intérmina fertilidade:

«O gênio e a missão histórica do povo português revelam-se na deslocação das civilizações do Mediterrâneo para o Atlântico, e pela audaciosa actividade marítima, com que iniciaram a era nova de civilização pacífica e industrial. Todas as investigações do nosso passado histórico devem dirigir-se a este fito: mostrar como lógicamente cumprimos esse destino, encetando as grandes navegações, e como se deve perpetuar na marcha da humanidade o lugar de honra que nos compete» (4)

Não digamos que por não haver mais terras a descobrir e por ser ilícita a expansão guerreira, terminou a missão histórica do povo português; pelo contrário, procuremos espiritualizar a nossa imaginação, logo veremos caminhos novos de direcção universal.

A luz da historiografia, ainda que bruxuleante, não é para desprezar; mas a sequência exacta dos eventos históricos não satisfaz a quem exige um conhecimento científico, que tanto é dizer de ordem causal; ora o positivismo não possui eficiência explicativa; o segredo da política pertence à religião – à religião concebida tanto na ortodoxia como na heterodoxia.

Se nos é lícito interpretar a história de Portugal como aventura romântica, – pois as interpretações até agora tentadas apenas divergem segundo o tipo de romantismo que implícita ou expllcitamente postulam, poderemos também mostrar quanto a teoria de Sampaio Bruno prepara, fundamenta e possibilita a profecia de Fernando Pessoa:

«…a nossa grande Raça partirá em busca de uma fndia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas «daquilo de que os sonhos são feitos». E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi obscuro e carnal ante-arremedo, realízar-se-á divinamente».(5)

Temos, pois, como origem a Idade Média, e dela recebemos os mitos que dinamizaram, e que podem vir a dinamizar, a nossa actividade histórica. Temos, como fim, a Índia, se soubermos agora interpretar a alegoria. A importância da Idade Média e da Índia no nosso subconsciente mitico explicam, justificam e legitimam a nossa incompreensão da Grécia; a cultura clássica parece-nos superficial e exterior, incompatível com a nossa mentalidade; o êxito das tentativas pedagógicas, nesse campo, não tem sido brilhante.

Aliás, a oposição entre classicismo e romantismo, situada no país das lutas extremistas, não tem profundo significado entre nós. Ora o catolicismo, em Espanha, está do lado do classicismo. Assim também a nacional e parcial verdade do pensamento dé Menendez y Pelayo.

O «transcendentalismo panteísta» que Fernando Pessoa descobriu na nova poesia e que será, talvez, o sistema filosófico mais capaz de explicar a história da lusitanidade, contradiz diametralmente a tese de Menendez y Pelayo.

A problemática portuguesa é portanto diversa da problemática espanhola.

O clássico é, para nós, estrangeiro, tal como o romantismo para o discurso francês. A Espanha é campo de luta das duas correntes contrárias.

A cultura clássica tem por efeito, entre os Portugueses, desinteressá-los do culto católico e, mais ainda, da revelação cristã; a esse desinteresse pode seguir a reforma do intelecto pelo molde impietista; e, em última fase, a ignorância do que seja a religião.

Ignorância não quer dizer inexistência. O Português que porventura medite será impelido a divinizar uma realidade de ordem inferior, o que equivale a descer na escala da revelação. Não há outra rota.

Inevitáve1mente nos referimos à revelação, seja de progresso ou de regresso o movimento que pretendemos determinar. Tanto a religião intuitiva como a religião intelectiva parecem situadas nos confins da impiedade.

A revelação, com as consequências estéticas que tornam admirável o culto e possível a arte, é tão indispensável ao nosso conceito de religião, como para a nossa filosofia, que é especulativa, a gradação de processos gnósicos. Ora, para resolver o mais difícil problema da teoria da história (que é distinguir o contingente do necessário, e estabelecer as respectivas relações) importa primeiramente definir os verdadeiros conceitos de filosofia e religião.

NOTAS
(1) Obra citada, Volume I, página 26
(2) Obra citada, página -392.
(3) Obra citada, Volume III, página 809.
(4) Teófilo Braga, As modernas ideias na literatura portuguesa, na 345.
(5) Fernando Pessoa, A nova poesia portuguesa. Página final.

Nosce te ipsum – Conhece a ti mesmo

Quem você realmente é? O que está fazendo neste mundo? Estas e outras perguntas movem seres humanos de todos os tempos.

A Filosofia Clássica é um caminho para uma vida de realizações e plenitude, no qual estas e muitas outras questões podem ser compreendidas.

Entender o mundo e a si mesmo na companhia de Aristóteles, Platão e Sócrates e outros. Esse é o desafio compreender para entender. Compreender que significa Encerrar em si, abranger, incluir algo para si, compor-se, conceber, perceber pelo espírito: compreender o pensamento de qualquer pessoa ou até mesmo aceitar com abertura de mente e espírito as razões de uma pessoa.

Para isso devemos equilibrar o conhecimento teórico com a vivência filosófica através de três frentes de estudo: Ética, Sociopolítica e Filosofia da História. Na Ética, estão as leis que regem nossa vida interior. Com a Sociopolítica, compreendemos nosso relacionamento com o que se passa à nossa volta. E com a Filosofia da História, é possível resgatar no passado ensinamentos para o presente e o futuro.

A partir dessas três linhas de conhecimento, ajudamos a compreender aquilo que somos e onde estamos e como estamos antes tudo a isso, pois do entendimento e compreensão das questões mais antigas do ser humano: de onde viemos, para onde vamos e qual é o nosso papel no mundo é que podemos dar novos passos rumo aos desafios futuros.

Barbudo no controle remoto

Quando a gente pensa que a TV chegou ao fundo do poço, eles vão lá e cavam mais. Mas, engano meu. Quando não podem cavar mais, fazem é outro poço!
Trocando de canal caí num desses programas sobre animais. Dou de cara com uma matéria sobre gambás. Closes no bicho, comentários sobre o fedor que o infeliz tem e tatata. Aí entrou a explicação: o bicho fede como forma de se proteger. Disse o locutor que “3 glândulas localizadas no ânus do animal expelem um líquido que, devido ao forte odor, afugenta os predadores
Antes que eu pudesse terminar o pensamento de “ah, não vão mostrar isso…”, um mega-super close no furico do gambá começou a mostrar, em câmera lenta, o tal processo! Ou seja, você liga a TV e dá de cara com a toba  de um gambá preenchendo toda a tela da sua tv! (imagina se for uma dessas de 30 e tantas polegadas plasmáticas) E, em câmera lenta, uns troços disformes se espremendo e soltando uma nuvenzinha bizarra com um líquido nojento.
Nem ouso a perguntar “onde isso vai parar”, porque é capaz de mostrarem, sei lá, o caminho que o cocô faz até ver a luz. Que nhaca!!!