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E agora Dr Meirelles?

As propostas do governo de ajustes nas contas públicas até aqui não apresentaram aumento de tributos como medida. Por outro lado o governo Temer duplicou os gastos de verbas e emendas para bancar a base aliada desse presidencialismo de coalizão pós-impeachment. Isso sem dúvida gera reflexo no caixa da União que está combalido e retira dos investidores esperanças que esse governo venha a fazer uma política de acordo com regras sérias. Nesse caso Temer está patinando, ladeado por serviçais envoltos na sombra da corrupção e escândalos constantes e sanguessugas do congresso nacional que vivem de barganha.

Apesar de contar com um ministro da Fazenda que está ficando atolado com índices de retração que não pararam de dar marcha ré até agora, está claro que Henrique Meirelles não um desses economistas que Alexandre Schwartsman taxaria de “quermesseiro keynesiano”.

O ministro da Fazenda já reafirmou que “tudo indica” que não será necessário aumento de tributos para ajudar as contas públicas do país, sobretudo diante dos sinais de recuperação da atividade econômica e que devem alimentar a arrecadação. Além disso, acrescentou ele, o governo deve contar com receitas provenientes de privatizações, concessões, entre outras. Todavia, a maioria dos índices econômicos não pararam de engatar marcha reversa, as pequenas melhorias em alguns apontadores de recuperação deixaram de movimentar-se positivamente.

E agora Meirelles? O que esperar de ti? O que esperar do governo perdulário que faz gastança de verbas para manter uma base de parlamentares incautos e profanadores dos cofres públicos? Renan, numa ação de retaliação quer combater os “super salários” dos servidores, em especial do Poder Judiciário. O Planalto disse que iria cortar os cabides de emprego do aparelhamento estatal petista, mas tudo isso até agora foi apenas um conto da carochinha para boi dormir. Então o que esperar para os próximos meses do governo Temer na área política e econômica que fica correndo atrás do próprio rabo?

O ministro da Fazenda já palestrou diversas vezes mencionando que: “A realidade objetiva é que o Brasil tem uma dívida bruta pública muito elevada para o nosso nível atual de desenvolvimento. Essa é uma realidade que fizemos questão de declarar, a realidade tal como ela é” Disse ainda que: “Para se enfrentar um problema é muito importante que o problema seja reconhecido, explicitado e a partir daí possa ser enfrentado. Esse é o ponto fundamental”. Esse é o diagnóstico, mas onde está o tratamento sendo feito caro ministro? O reconhecimento do problema fiscal brasileiro e da real situação das contas públicas, com o reconhecimento da meta de déficit primário da ordem de 170,5 bilhões de reais e uma previsão de uma meta de 130 bilhões para o próximo ano é sem dúvida um alerta que as coisas não tendem a melhorar em curto prazo.

A queda gradual da receita tributária, da arrecadação em função da crise na atividade econômica do país e falta de confiança com a solvência do país é outro problema do governo. Meirelles sabe que tudo isso é como um problema de saúde, onde a primeira coisa é fazer o diagnóstico correto e depois examinar se o paciente tem condições de enfrentar um tratamento rigoroso com cortes de elementos nocivos a sua saúde e tomar remédios fortes que o farão melhorar.

Assim sendo, não basta o remédio ser apontado com precisão, tem que haver colaboração do paciente tendo uma postura mais saudável ante a enfermidade. Hoje, o governo é um como se fosse um sujeito com obesidade mórbida, que não para de comer tributos e gerar colesterol ruim, isso é, come um alimento que não o nutre e ainda por cima sustenta os parlamentares que causam uma série de problemas ao país por serem deletérios a saúde política do paciente.

Arrecadação escassa e gastos excessivos com parlamentares e Poder Judiciário nababesco sem dúvida não farão fechar a conta no saldo positivo. Então por que não cortar os dispendiosos gastos com as folhas de pagamentos do Legislativo e Judiciário? Por que raios o ministro não toma uma medida nessa direção de forma contundente e acaba com a farra e esse câncer que corrói o governo há décadas? Será que ele é um médico da economia que não quer tratar do paciente de forma completa? E agora Dr Meirelles? Aplicar injeção na testa não vale!

 

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Repatriação é “money for nothing”

Sonegar é preciso, evadir capital do lucro também é! Já para o governo é preciso meter a mão nessa grana de qualquer forma para não investir em nada no final das contas!

O governo federal  sempre tentar criar medidas fiscais, como agora, ao sistematizar regras para favorecer a repatriação de valores lícitos mantidos por brasileiros no exterior, mas não declarados previamente ao fisco nacional. Torcer o nariz para essas regras é a reação habitual de quem tem grana “escondida” no exterior.

O argumento básico de quem envia capital ao exterior se funda na injustiça fiscal praticada pelo governo. A elevada carga de tributos que oneram investimentos, empreendimentos e renda de quem tem capacidade contributiva superior a média nacional no dia a dia também destrói a renda das camadas mais pobres da sociedade. Nesse quesito a incidência fiscal sobre consumo é  a grande vilã da história.

Estamos cansados de saber que as regras tributárias do Brasil são uma arapuca para o contribuinte. As leis tributárias brasileiras são exacerbadamente injustas com os contribuintes. Os “pay-taxes” recolhem regularmente tributos sobre bens, rendimentos, consumo e operações financeiras das mais variadas formas. 

Argumentar que o dinheiro enviado e mantido no estrangeiro, nas praças bancárias chamadas de paraísos fiscais, normalmente soa como algo ilícito e imoral aos leigos. Na verdade, a não comunicação ao fisco brasileiro desses valores realmente gera uma situação de ilegalidade tributária continuada por parte do contribuinte brasileiro emissário de somas voluptuosas ao sistema financeiro estrangeiro.  Por outro lado, sempre é cabível que sejam estipuladas e balizadas entendimentos jurídicos e econômicos mais realistas sobre os motivos pelos quais o contribuinte se interessa mais em manter recursos fora do alcance do fisco brasileiro enviando capital para lugares tais como: Mônaco, Ilhas Cayman, Suíça, Líbano, Liechtenstein. Muitos e variados são os atrativos para remeter valores para esses países, nos quais os sistemas financeiros capitalizam os recursos mantidos lá em fundos lucrativos, de origem ilícita, seguros e longe da instabilidade política macroeconômica ,  da tributação excessiva e caprichos das metas econômicas do governo brasileiro.

A falácia  da imoralidade dos detentores desses valores no estrangeiro deve ser combatida. Tendo em vista a senha fiscal do próprio Estado arrecadador,  ineficiente no uso de verbas financeiras oriundas de tributação mesquinha e onerosa em face ao contribuinte, o qual é menosprezado juridicamente pelas leis tributárias nacionais. Há décadas a total insegurança sobre metas fiscais e políticas de renúncias fiscais, pontuadas apenas para os capitalistas cartoriais de primeiro escalação, demolem as pilastras da economia nacional e cedem aos enredos de ideologias onde, tributar em excesso faz parte do plano orçamentário da Fazenda Nacional. Todo esse leque de dissabores econômicos levam o contribuinte para o método da evasão fiscal continuada, mediante transferência dos ganhos tributáveis para algum paraíso fiscal.

Perante esse escopo, o maior interessado na repatriação de recursos do exterior é, sem menor dúvida, o próprio governo brasileiro que com isso aumenta suas reservas em moeda estrangeira e ainda capitaliza cobrando multas em cima da repatriação forçada. Como diria Dire Straits: Money for nothing…

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Trump mente como Dilma e não entende nada de economia igual a ela!

De acordo economistas liberais proteger empresas nacionais contra a concorrência estrangeira geralmente é uma má ideia.

No Brasil, boa parte dos economistas são formados em universidades públicas, isto significa que quase todos são fãs dos partidos da esquerda brasileira, ou pensam igual aos chefes de organizações de donos de indústrias, como a FIESP, ou remontam suas teses ao pensamento os antigos comandantes da Ditadura Militar com Delfim Neto et caterva, excetuando-se Roberto Campos.

Tomando isso como pano de fundo, não é à toa, que a economia brasileira é uma das mais fechadas do mundo e ainda resistente a alterações políticas que possibilitem maior dinamismo econômico e social. Em diversos setores importantes – como aviação e comunicações -, as empresas estrangeiras são terminantemente proibidas de atuar no Brasil, sob o argumento de se tratarem de “setores estratégicos”. Assim, acabam dominados por empresas nacionais, que geralmente combinam muitas reclamações de clientes com uma grande fatia do mercado, garantida pela falta de concorrência do capitalismo cartorial agenciado pelo Estado.

Outro exemplo assustador são impostos de importação. Os impostos que recaem nesse setor são mais altos e duradouros que os da União Soviética durante todo regime socialista que lá imperou por setenta anos. Basta recordar que durante o primeiro governo Dilma, diversas medidas aprofundaram o protecionismo, como a exigência feita à Petrobras, que passou a incluir uma cota para produtos nacionais em suas compras para isso ficar evidenciado. Em 2015, os resultados dessa medida aparecem com frequencia em artigos sobre a crise na Petrobras e nas páginas policiais.

 

Isto denota que a política de “proteção” se estendeu muito além da Petrobras: entre 2008 e 2012, o Brasil foi o sexto país do mundo que mais editou medidas anti-comércio, de acordo com levantamento da OMC. Não se trata de uma exceção na história do Brasil. Outros presidentes, em especial do período do governo militar, fizeram o mesmo no passado. O acúmulo dessas medidas ao longo do tempo levou o Brasil a ter, hoje, uma das economias mais fechadas do mundo.

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Nos Estados Unidos, a situação é bastante diferente, mas o polêmico candidato Donald Trump promete mudar isso – e repetir o que Dilma fez por aqui.  Trump promete, caso eleito, trabalhar para que as empresas americanas parem de criar postos de trabalho em países como China e México, e voltem a produzir no país, oferecendo emprego aos locais e combatendo a terceirização.  Ao comentar a implantação de uma fábrica da Ford no México, Trump foi direto e, citando nominalmente o presidente da empresa, disse: “Vou dar algumas más notícias a você (Mark Fields, CEO da Ford): Cada carro, caminhão e peça produzida nessa fábrica pagará um imposto de 35% quando atravessar a fronteira para os Estados Unidos”. E então, explicou a seus eleitores que faria isso porque “eles vão tirar milhares de empregos do país”, embora juristas afirmem que a proposta é ilegal e economistas afirmem que não é isso que vai trazer os empregos de volta aos EUA.

Trump é indesculpavelmente hipócrita ou simplesmente ignorante em economia. Não há diferença econômica, por exemplo, entre uma empresa automobilística americana que investe em fábricas no exterior e os investimentos do próprio Trump em hotéis no exterior. Nos dois casos, são empresas sediadas nos Estados Unidos buscando oportunidades econômicas lucrativas em outros países. A empresa de Donald Trump pretende inaugurar um complexo com 5 “Trump Towers” no Rio de Janeiro, cada uma com 38 andares na região do Porto Maravilha, um projeto da prefeitura que recebeu 4 bilhões de dólares em dinheiro público até as Olímpiadas. Sobre isso ele não falou nada!

 

Sonegação vs Corrupção

“Se uma lei é injusta, o homem não somente tem o direito de desobedecê-la, ele tem a obrigação de fazê-lo.” (Thomas Jefferson)
 
Muitas pessoas colocam no mesmo saco a sonegação e a corrupção, como se fossem sinônimos. Não são, e a dificuldade de enxergar isso é fruto de anos de lavagem cerebral em prol do governo. A diferença mais básica entre ambas é a seguinte: de um lado, temos pessoas tentando preservar a sua própria riqueza das garras do governo; do outro, temos governantes tentando roubar a riqueza alheia, produzida pelos outros. Não se trata de uma diferença sutil, e sim do abismo intransponível entre legítima defesa e roubo.
 
Para alguns libertários, o governo é em si uma entidade ilegítima, sustentada através dos impostos, que nada seriam além de roubo. Partindo desta premissa, fica evidente que qualquer tentativa de sonegação seria apenas um ato de legítima defesa. Tal crença tem respaldo não apenas na lógica do princípio de não-agressão, que sustenta uma sociedade com trocas apenas voluntárias, como também na história, já que as origens do Estado sempre passaram por conquistas violentas, e não contratos sociais. Para esses libertários, todo imposto será roubo, e qualquer indivíduo está no seu direito natural de se defender, como faria se uma gangue de marginais tentasse invadir sua casa e arrombar seu cofre.
 
Mas não é necessário abraçar totalmente a postura libertária para entender a diferença ética entre sonegar impostos e desviar recursos públicos. Bastam alguns exemplos do cotidiano para deixar isso mais claro. Alguém diria que um médico que resolve fazer uma consulta sem recibo está praticando o mesmo tipo de crime que um prefeito que constrói uma obra superfaturada para embolsar o dinheiro dos impostos? Esse médico já é forçado a entregar quase metade do que ganha ao governo, a fundo perdido – pois acaba tendo que pagar tudo dobrado para ter escola particular decente para os filhos, plano privado de saúde e segurança particular no condomínio. Ele está apenas tentando preservar mais do seu dinheiro, enquanto o prefeito enriquece através dos impostos desviados. Não parece evidente que são coisas bem distintas?
 
Existem inúmeros outros exemplos. Podemos pensar num humilde dono de uma barraca de pipoca, que ganha a vida vendendo seu produto de forma ilegal, pois sem licença do governo, mas nem por isso ilegítima. Os sacoleiros que vendem produtos paraguaios para driblar os impostos extorsivos também estariam nessa categoria, assim como todos os camelôs (assumindo que não são produtos roubados, claro). Cada trabalhador que opta por não assinar sua carteira em busca de um ganho um pouco maior está fazendo a mesma escolha: ficar na “informalidade”, um eufemismo para ilegalidade, porque o custo da legalidade é proibitivo. Enfim, são vários casos existentes de pessoas que ganham a vida de forma legítima – através de trocas voluntárias – mas que acabam na ilegalidade para fugir das garras do faminto leão.
 
A bandeira “moralista” de gente que baba de raiva contra a sonegação e o crime do “colarinho branco” parece bem esgarçada. Afinal, atacar os empresários com “caixa dois” e, ao mesmo tempo, defender as quadrilhas nos governos são coisas bem contraditórias. Além disso, os trabalhadores sem carteira assinada e os empresários com “caixa dois” deveriam ser alvos do mesmo tipo de revolta, se os princípios é que são levados em conta. Não são, o que deixa claro que tal revolta não é contra a sonegação em si, mas contra os ricos empresários, explicada por um ranço marxista. Afinal, a diferença entre as ações é apenas na sua magnitude, e ninguém diria que uma prostituta que cobra R$ 50 é menos prostituta que outra cobrando R$ 500.
 
Quando as raízes do problema são analisadas, fica claro que as causas de tanta sonegação estão no próprio tamanho do governo. A informalidade é o ar rarefeito que todos tentam respirar por conta da asfixia causada pelo excesso de governo e burocracia. Ser legal num país como o Brasil, verdadeiro manicômio tributário, parece tarefa hercúlea. Se as empresas tivessem que pagar todos os impostos e taxas e seguir todas as regras burocráticas, poucas sobreviveriam. O governo cria dificuldades legais para vender facilidades ilegais depois. O mesmo para trabalhadores: se todos tivessem que assinar carteira, o desemprego seria muito maior. A informalidade é a salvação dessa gente, contra as “conquistas trabalhistas” impostas pelo governo. Logo, muitos condenam a sonegação apenas dos ricos, e não atacam suas verdadeiras causas.
 
Como alguém pode culpar um empresário por mandar ilegalmente dinheiro para fora do país na tentativa de fugir dos planos mirabolantes dos governos? Alguém acha que o empresário que fugiu do confisco de Collor é o verdadeiro criminoso, e não o próprio governo Collor? Mas a lei está do lado do governo, pois é ele quem a escreve. Por isso alguns libertários defendem a “desobediência civil”, como Henry David Thoureau fez ao ir preso por não pagar seus impostos. Ele sabia que esse dinheiro seria usado para uma guerra imperialista totalmente injusta, e preferiu ser livre na cadeia, com a consciência limpa, em vez de ser cúmplice na guerra injusta.
 
Quando somos obrigados a pagar os impostos, estamos financiando todos os “mensalões” por aí, o dinheiro na cueca e na meia dos políticos safados, os bandoleiros do MST, as obras superfaturadas que enriquecem governantes corruptos, e muitas outras atrocidades realizadas pelo governo. Para piorar, temos em troca estradas caindo aos pedaços, hospitais públicos decadentes onde faltam os remédios mais básicos, uma “educação” patética que não passa de doutrinação ideológica, e a ameaça constante às nossas vidas por causa de uma violência fora de controle. Não que serviços razoáveis justificassem tantos impostos, o que não é o caso, pois cada um deve ter o direito de decidir como gastar o seu próprio dinheiro. Mas é um agravante, sem dúvida, pagar impostos escandinavos e receber serviços africanos. E por uma ironia de muito mau gosto, ainda somos chamados de “contribuintes” pelos defensores do governo! A situação está tão dominada que até mesmo levantar essas questões todas pode ser visto como um ato ilegal, como “apologia ao crime de sonegação”. Seria eu agora um criminoso por mostrar os fatos?
 
Ora, eu gostaria de não precisar viver dessa forma, tendo que me defender de um governo mafioso e corrupto o tempo todo. Mas não adianta você não se importar com o governo: ele se importa com você! Seria maravilhoso viver num país livre, com trocas voluntárias, e com um governo que, no máximo, ficasse restrito às funções básicas de garantir esta liberdade. Mas o parasita tem fome. O Leviatã é um monstro frio e faminto, com apetite insaciável por nossos recursos e liberdades. O respaldo da lei não é garantia alguma de legitimidade. O policial nazista que executava judeus estava “apenas seguindo as leis” do seu governo, e ninguém diria que ele estava certo por isso. O governo é o verdadeiro inimigo!
 
Em suma, espero ter deixado mais claro que sonegar impostos e desviar recursos públicos para o próprio bolso são coisas bem diferentes. A lavagem cerebral feita ao longo de tantos anos dificulta a compreensão disso, mas um pouco de reflexão honesta pode ajudar. O verdadeiro crime é uma quadrilha no poder tomar metade do que ganhamos. O fato de tal roubo ser legal apenas piora a coisa. Um bandido comum ao menos não tenta mascarar seu ato, tampouco pretende nos fazer crer que nos rouba para nosso próprio bem!”

Você come dólar sim, estúpido!

Nos últimos dias os noticiários diariamente estão veiculando o aumento do preço do dólar e a constante desvalorização do real, é cada vez mais fácil ler na internet comentários como “eu não como dólar”, “eu ganho em real” ou “dane-se os Estados Unidos”.
Em todos os casos, o objetivo deste tipo de comentário é desmerecer a importância da subida da moeda americana e taxar a todos que se preocupam com isso como golpistas, ou simplesmente “capitalistas sem coração”. Embora seja desnecessário, afinal nem mesmo uma sonda conseguiria colocar conhecimento na cabeça dessa gente, escrevemos este texto para mostrar que ao contrário do que dizem, você come dólar todos os dias. E bebe também.

Para ficar mais fácil de explicar e compreender, e sem que seja necessário desenhar com giz de cera, vamos utilizar a carne como exemplo, ok?

Em um mundo onde tudo é industrializado e quase nada é vendido sem que haja nenhum tipo de manipulação por máquinas, o preço do dólar é essencial no valor final cobrado por um produto. Vamos começar com a carne, por exemplo. Nossa produção pecuária é destinada ao consumo interno e à exportação. Vamos dizer que metade do que cresce em nossos pastos vão para fora, e a outra metade é consumida aqui dentro. O aumento do dólar, que acaba tornando a importação da nossa carne mais barata, também faz com que a carne vendida dentro do Brasil encareça, pois é preciso compensar o prejuízo que o produtor tem ao vender aqui e não lá fora.

O exemplo acima explica o aumento causado pela oferta e pela procura, e há a resposta padrão para ele. “Então basta não exportar, eu não sou obrigado a pagar mais caro para que um europeu coma filé mignon”. Certo, mas nem tudo é assim tão simples e transparente.

Mesmo que nenhum quilo da carne fosse exportado, o alto preço do dólar ainda aumentaria o custo na prateleira. Como?

Explico: Já que a vigilância sanitária e o Ministério da Agricultura exige uma série de garantias para que a carne (ou qualquer alimento, diga-se de passagem) seja vendida para seres humanos. Isso é feito para que haja segurança total no consumo, e para obter isso os produtores utilizam uma série de remédios, vacinas ou inseticidas e defensivos agrícolas. Como a indústria nacional ainda engatinha neste quesito, um bom quinhão deste material é importado, e com o dólar praticamente dobrando nos últimos quatro anos, é bom levar em conta que o custo que o produtor também dobrou na mesma maneira.

Mas e se todos os medicamentos e etc fossem produzidos no Brasil? Justo. Para que uma fábrica seja montada, há todo um investimento feito com a compra de equipamentos e matéria prima, e quanto mais complexo e desenvolvido ele for, maior é a probabilidade de sua aquisição ser feita no exterior. Neste caso, temos a necessidade da importação, e então o dólar aparece na equação novamente.

Ok. E se TUDO fosse feito no Brasil, não houvesse exportação de nossa produção e não fosse necessário importar um único prego para que tudo fosse produzido? O cenário ainda é o mesmo. Tudo o que é cultivado no ponto A precisa ser transportado para o ponto B, para processar, e então para o ponto C para que você possa comprar no mercado. O Brasil não é auto-suficiente na produção de petróleo e o aumento do dólar, necessário para importar o combustível, faz com que o custo do transporte suba.

Há também o gasto com pneu, desgaste dos caminhões, com embalagem, óleo e derivados. Entendeu a cadeia do dólar no caso da carne? Agora aplique ela para a fabricação e venda de um caminhão, de caixa de papelão, da bobina de papel que vai imprimir o recibo da sua compra no mercado da esquina.

Então, meu caro, é evidente que você come dólar sim, e tentar desdenhar da preocupação dos outros com o aumento da moeda americana não é só imbecil, como também beira ao crime.

O pior é pensar que o preço do dólar que já é alto, pode subir ainda mais, pois a crise não é só econômica mas também política, e o mercado enxerga a saúde do governo como um indicador da força da nossa moeda. Como disse Saul Sabbá, presidente do Banco Máxima, “o problema é que não conseguimos enxergar o que é o preço técnico do dólar, se é que tem. Tecnicamente pode ser R$ 4,00 ou R$ 4,50, depende do grau de deterioração econômica e política que agora passam a andar de mãos dadas. Isso significa que não tem nada certo em relação ao dólar e juros.”

Resumindo: A alta do dólar vai impactar cada compra que você fizer na sua casa e o aumento da moeda americana não prejudica só a madame que vai para Miami, mas também ao pobre no nordeste que vai passar sede se não comprar uma bomba de extração de água, e a subida dele é extremamente preocupante e perigosa, e você deve se sentir assim ao saber que tem gente que finge não entender isso. Ou é tão limitada que realmente não compreende.

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Fora Joaquim Levy e leve a Dilma e o PT junto!

É uma decepção anunciada o que Levy faria na agenda da economia nacional. Além de sujar seu nome como o “Tombão” ainda embaralhou-se com as mesmas sandices que tornaram Mantega um vassalo da visão econômica desastrosa de Dilma.

Achei numa certa altura do jogo que ele tinha aproveitado a situação de debilidade de Dilma para não saudar a mandioca e assim impor o que seria necessário. Ledo engano. Fez uma ajuste sem corte de despesas do governo e todos 39 ministérios restam intacto e gastos e pedaladas deixam esqueletos em todos os ministérios e instituições financeiras públicas. Isso não um ajuste fiscal sério. É um embuste surrealista que só ocorre mesmo no Brasil que precipita-se para ser a nova Grécia daqui alguns anos se nada for feito corretamente.
Se tudo continuar assim ele conserta o que estava errado somente depois de 2018 e só beneficiará o PT com isso nas próximas eleições. A recessão será de 2,5 a 3% em 2015 e 1,5% em 2016.

Quando Levy aceitou entrar na equipe do governo já se sabia que boa coisa não poderia ser devido ser um economista ligado a bancos privados diretamente. Qualquer pessoa com um mínimo de neurônios sabe que com o PT mais bancos só dá isso: A enganação pura. Toda a competência desses calhordas está concentrada na mentira e na formação de quadrilha.

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Extorsão tributária sustenta a farra fiscal da Dilma

Afogado em ministérios e boquinhas para militantes, o governo Dilma não economiza nem no cafezinho. Apenas extorque os “contribuintes”, aumentando impostos e alimentando a inflação. Tudo para manter esse Estado obeso e cada vez mais voraz:
 
 
O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou de janeiro a maio um superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 6,62 bilhões de reais, o pior resultado para o período desde 1998, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira. No mesmo período do ano passado, a economia havia sido de 19,3 bilhões de reais, o que representa uma queda de 65%. Em 12 meses, o governo central acumula um déficit de 32,2 bilhões de reais, o equivalente a 0,57% do PIB.
 
Apenas em maio, o resultado ficou negativo em 8,05 bilhões de reais. No mês passado, as receitas caíram 0,5% e as despesas recuaram 0,3%. “O resultado de maio, de certa forma, deve-se basicamente à queda da arrecadação”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive. No mês passado, houve déficit em todas as esferas do governo central, com resultado negativo de 1,482 bilhão de reais nas contas do Tesouro, de 6,311 bilhões de reais nas contas da Previdência e de 258 milhões de reais no BC.
 
A meta de superávit primário de 2015 para o setor público consolidado – governo central, Estados, municípios e estatais -é de 66,3 bilhões de reais, equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total, 55 bilhões de reais correspondem à obrigação apenas do governo central. O alvo é considerado ambicioso após o Brasil ter registrado déficit primário de 0,63% do PIB no ano passado e em meio a forte efeito da economia fraca sobre a arrecadação federal.
 
Para atingir o alvo deste ano, o governo adotou um duro ajuste fiscal, que enfrenta resistências no Congresso, baseado em aumento de impostos, restrição de gastos, revisão de desonerações e redução de subsídios.
 
O enfraquecimento da arrecadação federal tem prejudicado as contas públicas. De janeiro a maio, registrou o pior desempenho para o período desde 2011. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que apesar da queda na arredação, é “um pouco precipitado fazer qualquer movimento em relação a meta”.
 
Pesa ainda os menores pagamento de dividendos de estatais. Segundo o Tesouro, de janeiro a maio deste ano entraram 2,917 bilhões de reais, quase 70% a menos do que o mesmo período do ano passado.

Caritas in veritate

Caridades lidam com a redistribuição de riqueza: elas coordenam a transferência do “excedente” de algumas pessoas para suprir a “escassez” de outras. Já os empreendimentos do setor privado lidam com a criação de riqueza por meio da produção e venda de bens e serviços que as pessoas querem e desejam.

Sem essa anterior criação de riqueza, as instituições de caridade não teriam nada para distribuir.

Capitalistas e empreendedores são a força que nos retiram do estado brutal da natureza — a pobreza — e nos elevam à pujança. Todos os casos de pobreza têm a mesma solução: a cura não está na distribuição de riqueza, mas sim na criação de riqueza. E isso não é um argumento meramente teórico. Ele pode ser testemunhado em todos os pontos do globo.

Pense, por exemplo, na máquina de lavar. Trata-se de um recurso que consideramos trivial e ao qual não damos a devida importância. Mas a máquina de lavar mudou as vidas de centenas de milhões de pessoas. Não é nenhum exagero dizer que seu inventor mudou o curso da história.

Como?

Reduzindo dramaticamente a quantidade de trabalho manual necessário para fazer a lavagem das roupas sujas. Milhões de pessoas ao redor do globo — mulheres, em especial — foram liberadas da faina de ter de despender várias horas semanais perante um tanque tendo de lavar manualmente as roupas da família. Com a invenção da máquina de lavar, essas mulheres passaram a poder dedicar mais tempo a outros afazeres, como dar mais atenção aos filhos.

Façamos uma estimativa bastante conservadora e digamos que a máquina de lavar poupa cinco horas de trabalho por semana. Se 100 milhões de pessoas possuem uma máquina de lavar, então 500 milhões de horas de trabalho são poupadas por semana — um número tão grande que é difícil sequer imaginá-lo.

São 500 milhões de horas que agora podem ser aplicadas em outras funções mais prementes, como: adquirir educação e cultura, passar mais tempo com a família, trabalhar e adquirir renda, fazer serviços voluntários etc.

O impacto da criação de riqueza e do empreendedorismo sobre as pessoas é enorme, ainda que o engenheiro que criou a máquina de lavar tenha sido uma pessoa egoísta. E essa é a beleza do capitalismo. Talvez a única motivação do criador da máquina de lavar tenha sido ganhar dinheiro. Pode até ser que ele tenha bondosamente pensado “Puxa, gostaria muito que as mulheres não tivessem de gastar tantas horas da semana lavando roupa. Vou inventar algo!”, mas isso é improvável. De qualquer maneira, o resultado foi o mesmo. O mundo mudou por causa da sua invenção.

E mais: os benefícios criam um efeito borboleta.

Considere o que ocorre com crianças que nascem em famílias que possuem máquinas de lavar. Elas, também, se beneficiam do fato de suas respectivas mães terem mais tempo livre. Elas podem ser mais bem cuidadas e mais bem educadas. Com mais tempo livre, suas mães podem até trabalhar fora e ajudar no orçamento da família, o que permite que a criança vá a uma boa escola e até mesmo se torne um engenheiro ou empreendedor.

Quem sabe? Talvez a invenção da máquina de lavar tenha dado uma contribuição essencial para a cura de várias doenças. Afinal, as crianças que crescerem e se tornaram médicas tiveram de ter um padrão de vida alto o bastante que as permitisse cursar uma boa universidade de medicina.

Mas os efeitos propagadores não param por aí. Pense nos indivíduos que são salvos pelo médico que faz cirurgias complexas. Eles, e suas famílias, também se beneficiaram da existência da máquina de lavar, e, consequentemente, poderão continuar trabalhando e produzindo ainda mais para o resto da sociedade.

Em outras palavras, a criação de riqueza é exponencial, e literalmente muda o curso da história. Um capitalista ganancioso pode se preocupar apenas consigo próprio, mas as invenções que ele financia, bem como sua eficiência, acabam beneficiando a sociedade de uma maneira extraordinária.

Agora, compare isso à caridade. Dar uma máquina de lavar para uma pessoa irá mudar a vida dela, sem dúvida nenhuma. E certamente criará benéficos efeitos propagadores. Mas criar uma máquina de lavar — ou inventar uma melhor — é o que muda o mundo.

Até mesmo suprir as indústrias com as matérias-primas necessárias para a construção da máquina de lavar muda o mundo. Os trabalhadores das mineradoras, ou mesmo a garçonete que serve o almoço para esses trabalhadores, estão diretamente envolvidos nesse processo de retirar as pessoas da pobreza.

Somos rápidos em elogiar aquilo que vemos — uma instituição de caridade que distribui comida para os miseráveis –, mas negligenciamos ou até mesmo condenamos aquilo que não vemos: todo o trabalho e cooperação que foram necessários para produzir e distribuir comida. O agricultor, o açougueiro, o caminhoneiro, o cozinheiro, o engenheiro, o empreendedor e o capitalista também deveriam ser louvados pelo seu trabalho que possibilitou a existência daqueles pratos de comida que agora saciam os esfomeados.

Sem tais pessoas, não haveria nenhum excedente de comida para que a instituição de caridade aplacasse a fome dos necessitados.

Esse tal de Hayek

Na visão de Keynes, exposta em sua “Teoria Geral”, o ciclo de baixa na Economia teria origem na deterioração das expectativas, ou seja, na quebra da confiança de empresários e consumidores. Com isso, haveria uma queda da demanda agregada (consumo mais investimento) que geraria recessão e desemprego. Como, em sua visão, a política monetária enfrentaria uma “armadilha da liquidez”, popularizada pela idéia de que se pode levar um cavalo ao bebedouro, mas não obrigá-lo a beber, Keynes preconizava então a expansão dos gastos públicos como remédio anti depressivo. Notem que Keynes não deixou clara a causa das crises de confiança.

Enquanto que para Keynes o Estado representava a solução, para Hayek o Estado era o problema. Segundo Hayek, na raiz das recessões ou depressões estava sempre uma política monetária frouxa. Juros artificialmente mantidos abaixo das taxas naturais de equilíbrio favoreceriam malinvestments em setores com ciclos longos de produção. Somente mais e mais artificialismo monetário poderia dar sustentação a estes malinvestments. A liberalidade monetária só poderia levar à inflação e, quando cessasse, resultaria em recessão, pois não haveria demanda para sustentar os investimentos mal feitos. Diante da recessão, os remédios keynesianos só poderiam mascarar problemas e jogá-los para a frente, prenunciando crises ainda maiores. O melhor seria deixar o Estado de fora da crise que ele mesmo causara!

Essas idéias nos rementem para Hayek, e muitos podem estranhar que  Hayek até esteja entre os expoentes de Chicago sendo que ele era essencialmente um “austríaco”. É verdade que a ida de Hayek para Chicago não ocorreu sem alguns percalços. Desde 1945, quando Hayek fazia seu road show nos EUA (com base em Chicago) para divulgar “O Caminho da Servidão”, surgiu um namoro conturbado com a Escola. Este namoro só iria terminar em 1950 com um convite, aceito, para lecionar na Divisão de Ciências Sociais. A admiração de todo o Departamento de Economia era enorme para com o pensador liberal, mas o mesmo não ocorria com a figura de Hayek como teórico da Ciência Econômica.

Os economistas de Chicago não concordavam com a descrição do fenômeno econômico contida na Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos nem com a teoria monetária de Hayek. Havia discordâncias também de natureza metodológica, área onde o empirismo de Friedman passava a ser dominante, não só na Escola como por toda a profissão. Hayek tinha sobre a metodologia uma posição particular. Era contra o cientificismo, que comparava a Economia às ciências físicas e que tentava encontrar constantes no relacionamento entre as variáveis econômicas. Mas aceitava bem o uso da matemática para sistematizar o conhecimento e para estabelecer a natureza geral de padrões de comportamento. Entendiam também os economistas de Chicago que Hayek não concentrava seus esforços intelectuais no desenvolvimento da Teoria Econômica. Diferentemente de seu mestre de Viena, Von Mises, e de mestres do calibre de Friedman e Gary Becker, Hayek nunca tratou a Ciência Econômica como sendo indiscutivelmente a “Rainha das Ciências Sociais”.

A solução encontrada, então, foi contratar Hayek para a Divisão de Ciências Sociais (Committee on Social Thought), à qual o Departamento de Economia estava e está subordinado. Hayek estaria liberto para produzir em outras áreas do conhecimento e ganhariam também com suas luzes os departamentos de Ciências Políticas, Direito, Sociologia, Psicologia e História.

O combate ao Socialismo foi assim uma constante nos afazeres e na produção intelectual de Hayek. Seus trabalhos sobre a transmissão do conhecimento através do sistema de preços livres e sobre a ordem espontânea do Capitalismo complementaram o mais eloqüente e panfletário “O Caminho da Servidão”, para mostrar que, em havendo um regime econômico centralmente planificado, seria inevitável o percurso para o totalitarismo e garantido o insucesso material do país. Na linha de combate ao intervencionismo estatal, cabe notar também a proposta feita por Hayek de completa privatização da moeda, passando esta a ser resultante da livre competição entre bancos privados emissores.

Em 1962, Hayek deixou Chicago. Estava aborrecido por não ser reconhecido por seu pares como um grande economista e deprimido porque o que julgava ser sua obra maior, “The Constitution of Liberty” (Os Fundamentos da Liberdade), não obtivera o sucesso editorial esperado. Convidado então pela Universidade de Freiburg para assumir uma cátedra, aceitou de bom grado o retorno à Europa onde dedicou o final de sua carreira principalmente à produção acadêmica na área do Direito (“Law, Legislation and Liberty”). Viveu o suficiente, no entanto, para ver que na década de 70, em Chicago, foi reabilitado como grande economista por Robert Lucas, em virtude de seu enfoque de equilíbrio geral no trato da macroeconomia e por ter reconhecido teoricamente a incapacidade do governo em lidar com o ciclo econômico. O prêmio Nobel de Economia, recebido em 1974, também viria fazer justiça ao grande intelectual cuja obra influenciou os rumos do século XX.

Socialismo Estatal vs Anarquismo – pontos de intersecção e diferenças

Os economistas neoclássicos vêem o sistema capitalista como um sistema de harmonia natural e vantagens universais. O preço desta idéia sempre foi deixar de lado ou negar todos os problemas sociais e todos os  conflitos sociais importantes. A recompensa desta idéia é, obviamente, pode sentar-se e descansar, esquecer todos os aspectos desagradáveis do mundo e aproveitar os sonhos de visão beatífica e da felicidade eterna.

Ainda ansioso para convencer os capitalistas de que tenham em alta conta os seus interesses, Keynes assegurou aos que viviam de rendas que “não havia como defender o socialismo do estado”. Ele queria que o governo agisse de maneira a possibilitar a continuação do lucro, e estas funções do governo podiam ser introduzidas gradualmente e sem uma captura das tradições gerais da sociedade.

Toda teoria social se baseia em uma determinada teoria psicológica e ética, explicitamente exposta ou implicitamente aceita, quase todos os economistas neoclássicos baseiam uma teoria econômica na concepção utilitarista e hedonista da psicologia e da ética humana.

Provavelmente nenhuma agitação já tenha alcançado a magnitude, tanto em número de adeptos quanto em área de influência, que foi conseguida pelo Moderno Socialismo, e ao mesmo tempo tenha sido tão pouco entendida e tão mal compreendida, não apenas pelos hostis e indiferentes, mas pelos amigáveis e até mesmo pela grande massa de seus próprios defensores. Esse infeliz e altamente perigoso estado de coisas se deve em parte ao fato de que os relacionamentos humanos que este movimento ? se algo tão caótico pode-se chamar de movimento ? pretende transformar não envolvem nenhuma classe ou classes especiais, mas literalmente toda a humanidade; parte se deve ao fato de que esses relacionamentos são infinitamente mais variados e complexos em suas naturezas do que aqueles aos quais qualquer reforma especial tenha sido chamada para lidar; e parte se deve ao fato de que as grandes forças transformadoras da sociedade, os canais de informação e luzes, estão quase que exclusivamente sob o controle daqueles cujos imediatos interesses pecuniários são antagônicos à reivindicação central do Socialismo de que o trabalho deve ter a posse do que lhe é devido.

Quase que as únicas pessoas que se pode dizer que compreendem mesmo aproximadamente a significação, os princípios e os propósitos do Socialismo são os líderes das alas extremas das forças Socialistas, e talvez uma minoria dos próprios reis do dinheiro. Essa é uma matéria de que ultimamente se tornou moda para o pastor, para o professor e para o jornalista tratar, e, na maior parte das vezes, um trabalho lastimável foi feito, excitando o escárnio e a piedade daqueles competentes para julgar. Que aqueles proeminentes nas divisões intermediárias do Socialismo não compreendam o que defendem é evidente pelas posições que ocupam. Se compreendessem, se fossem pensadores consistentes, lógicos, se fossem o que os franceses chamam de homem conseqüente, suas faculdades analíticas já os teriam levado a um extremo ou outro.

Pois é um fato curioso de que os dois extremos do vasto exército agora sob consideração, embora unidos, como se insinuou anteriormente, pela reivindicação comum de que o trabalho deve possuir o que lhe é de direito, estão mais diametricamente opostos um ao outro em seus princípios fundamentais de ação social e em seus métodos de alcançar os fins almejados do que mesmo o inimigo comum entre eles, a sociedade existente. Eles se baseiam em dois princípios, a historia de cujo conflito é quase equivalente à história do mundo desde que o homem passou a habitá-lo; e todos os partidos intermediários, incluindo aquele dos que apóiam a sociedade existente, são baseados num compromisso entre eles. Está claro, portanto, que qualquer oposição inteligente, enraizada, à ordem de coisas que prevalece precisa vir de um desses extremos, pois qualquer outra coisa advinda de outra fonte, longe de ser revolucionária em caráter, só poderia ser uma modificação superficial, que em última análise seria incapaz de concentrar sobre si o grau de atenção e de interesse agora dispensado ao Moderno Socialismo.

Os dois princípios referidos são a Autoridade e a Liberdade, e os nomes das duas escolas de pensamento Socialista que totalmente e sem reservas representam uma ou outra delas são, respectivamente, o Socialismo de Estado e o Anarquismo. Qualquer pessoa que saiba o que essas duas escolas querem e quais os meios que defendem entende o movimento Socialista. Pois, como acabou de ser dito que não há meio termo entre Roma e a Razão, então deve-se dizer que não há meio termo entre o Socialismo de Estado e o Anarquismo. Há, na verdade, duas correntes rapidamente fluindo do centro das forças Socialistas as quais se estão concentrando na esquerda e na direita; e, se o Socialismo vier a prevalecer, é uma das possibilidades que,após esse movimento de separação tenha sido completado e a ordem existente tenha sido destruída entre os dois campos, o conflito final mais amargo ainda virá. Nesse caso, todos os homens de oito horas, todos os sindicalistas, todos Cavaleiros do Trabalho, todos os defensores da nacionalização das terras, todos os greenbackers1 e, em suma, todos os membros dos diferentes batalhões pertencentes ao grande exército do Trabalho, terão deserdado de seus antigos postos e, alguns sendo dispostos de um lado e outros do outro, a grande batalha começará. O que uma vitória final para os Socialistas de Estado representará e o que uma vitória final para os Anarquistas representará é o propósito deste paper tentar explicar brevemente.

Para fazer isso inteligentemente, contudo, eu preciso primeiro descrever a base comum dos dois, as características que fazem ambos serem Socialistas.

Os princípios econômicos do Moderno Socialismo são uma dedução lógica do princípio apresentado por Adam Smith em seu “A Riqueza das Nações” ? a saber, que o trabalho é a verdadeira medida do preço. Mas Adam Smith, após afirmar esse princípio mais clara e concisamente, imediatamente abandonou toda posterior consideração a ele para devotar-se a si mesmo a mostrar o que realmente mede o preço e como, portanto, a riqueza é distribuída no presente. Desde seus dias quase todos os economistas políticos seguiram seu exemplo ao se confinarem a suas funções de descrever a sociedade como ela é, em suas fases industrial ecomercial. O Socialismo, pelo contrário, estende sua função à descrição da sociedade como ela deveria ser e à descoberta dos meios de fazê-la o que ela deveria ser. Meio século ou mais após Smith ter enunciado o princípio supracitado, o Socialismo o pegou onde ele foi abandonado e, seguindo-o até suas conclusões lógicas, o fez a base de uma nova filosofia econômica.

Isto parece ter sido feito independentemente por três homens diferentes, de três diferentes nacionalidades, em três diferentes idiomas: Josiah Warren, um americano; Pierre J. Proudhon, um francês; e Karl Marx, um judeu alemão. Que Warren e Proudhon tenham chegado a suas conclusões sozinhos e sem auxílio é certo; mas se Marx não deveu a Proudhon suas idéias econômicas é questionável. À parte dessas questões, a apresentação de Marx das idéias foi em tantos aspectos peculiar dele próprio que ele justamente deve receber o crédito da originalidade. Que o trabalho desse interessante trio tenha sido feito quase que simultaneamente pareceria indicar que o Socialismo estava no ar e que o tempo era propício e as condições favoráveis ao aparecimento dessa nova escola de pensamento. No que se refere à prioridade do tempo, o crédito parece pertencer a Warren, o americano ? um fato que deveria ser notado por aqueles estúpidos oradores que se aprazem em declamar contra o Socialismo como um artigo importado. Do mais puro sangue revolucionário, também, este Warren, pois descendia do Warren que caiu no Bunker Hill.2

Do princípio de Smith de que o trabalho é a verdadeira medida do preço ? ou, como Warren colocou, que o custo é o limite apropriado do preço ? esses três homens fizeram as seguintes deduções: que a remuneração natural do trabalho é o seu produto; que essa remuneração, ou produto, é a única fonte justa de renda (deixando de lado, é claro, presentes, heranças, etc); que todos aqueles que derivam suas rendas de qualquer outra fonte abstraem-na direta ou indiretamente da remuneração justa e natural do trabalho; que esse processo de abstração geralmente toma três formas ? juro, aluguel e lucro;que esses três constituem a trindade da usura e são simplesmente diferentes métodos de arrecadar tributos pelo uso do capital; que o capital, sendo apenas trabalho armazenado que já foi remunerado em sua totalidade, deve ser de uso gratuito, sob o princípio de que o trabalho é a única base do preço; que o credor de capital tem direito ao seu retorno intacto e nada mais; que a única razão pela qual o banqueiro, o acionista, o senhorio, o manufatureiro e o mercador são capazes de extrair usura do trabalho se deve ao fato de que são sustentados por privilégios legais, ou monopólios; e que a única forma de assegurar que o trabalho usufrua de seu total produto, ou de sua remuneração natural, é acabar com o monopólio.

Não se deve inferir que Warren, Proudhon ou Marx usaram estas exatas palavras, ou que seguiram exatamente essa linha de pensamento, mas isso indica definitivamente o fundamento comum tomado pelos três, e seus pensamentos substanciais até o limite em que estão de acordo. E, a não ser que eu seja acusado de reproduzir as posições e argumentos desses homens incorretamente, deve-se dizer em antecipação que eu os citei ao largo e que, para o propósito de uma aguda, vívida e enfática comparação e contraste, eu tomei considerável liberdade com seus pensamentos ao rearranjá-los numa ordem e num fraseamento meus próprios, mas eu estou satisfeito em fazer isso sem contudo os representar incorretamente em qualquer particular essencial.

Foi neste ponto ? na necessidade de acabar com o monopólio ? que difeririam seus caminhos. Aqui a estrada se dividiu. Eles perceberam que precisavam ou virar à direita ou à esquerda ? seguir o caminho da Autoridade ou o caminho da Liberdade. Marx foi por um lado; Warren e Proudhon, por outro. Assim nasciam o Socialismo de Estado e o Anarquismo.

Primeiro, então, o Socialismo de Estado, o qual pode ser descrito como a doutrina de que todas as relações dos homens deveriam ser gerenciadas pelo governo, não levando em consideração a escolha individual. Marx, seu fundador, concluiu que a única forma de abolir os monopólios de classe era centralizar e consolidar todos os interesses comerciais e industriais, todas as agências produtivas e distributivas, em um vasto monopólio nas mãos do Estado. O governo precisa se tornar banqueiro, manufatureiro, fazendeiro, carregador e mercador, e nessas capacidades ele não deve sofrer competição. A terra, as ferramentas e todos os instrumentos de produção devem ser retirados das mãos individuais e tornarem-se propriedade da coletividade. O indivíduo só pode possuir os produtos a serem consumidos, não os meios de produzi-los. Um homem só pode ter propriedade de suas roupas e de sua comida, mas não a máquina de costura que faz suas camisas, ou a pá com a qual ele colhe suas batatas. O produto e o capital são coisas essencialmente diferentes; o primeiro pertence ao indivíduo, o último à sociedade. A sociedade deve se apoderar do capital que lhe pertence, pela urna se puder, pela revolução se precisar. Uma vez em possessão dele, ela precisa administrá-lo sob o princípio da maioria, através de seu órgão, o Estado, utilizá-lo na produção e na distribuição, fixar todos os preços pela quantidade de trabalho envolvida e empregar todas as pessoas em suas oficinas, fazendas, armazéns, etc. A nação precisa ser transformada numa vasta burocracia, e todo indivíduo num Oficial do Estado. Tudo precisa ser feito no princípio do custo, as pessoas não tendo motivo para auferir lucros elas mesmas. Os indivíduos, não podendo possuir capital, ninguém pode empregar outros, nem ele mesmo. Todo homem precisa ser um assalariado e o Estado o único empregador. Aquele que não trabalha para o estado deve morrer de fome ou, mais provavelmente, ir para a prisão. Toda a liberdade de comércio precisa desaparecer. A competição precisa desaparecer totalmente. Toda atividade industrial e comercial precisa ser centrada num vaso, enorme, totalizante monopólio. O remédio para osmonopólios é o monopólio

Esse é o programa do Socialismo de Estado, como adotado por Karl Marx. A história de seu crescimento e progresso não pode ser contada aqui. Neste país, os partidos que o defendem são conhecidos como Partido Socialista Trabalhista, que pretende seguir Karl Marx; Nacionalistas, que seguem Karl Marx filtrado através de Edward Bellamy; e os Socialistas Cristãos, que seguem Karl Marx filtrado através de Jesus Cristo.

Que outras aplicações este princípio da Autoridade, uma vez adotado na esfera econômica, se desenvolverão é evidente. Significa o absoluto controle da maioria de todas as condutas individuais. O direito de tal controle é admitido pelos Socialistas de Estado, embora eles mantenham que, na verdade, ao indivíduo seria permitida uma liberdade muito maior do que atualmente. Mas a ele seria apenas permitida a liberdade; ele não poderia reclamá-la para si. Não haveria um fundamento de uma sociedade sobre uma garantida igualdade da maior liberdade possível. Essa liberdade, como pode existir, existiria por sofrimento e poderia ser tomada a qualquer momento. Garantias constitucionais não teriam nenhuma serventia. Não haveria nenhum artigo na constituição de um país Socialista de Estado: “O direito da maioria é absoluto”.

O argumento dos Socialistas de Estado, contudo, de que esse direito não seria exercido em matérias concernentes ao indivíduo nas relações mais íntimas e privadas de sua vida não é sustentada pela história dos governo. Sempre foi uma tendência do poder de adicionar a si mesmo, de aumentar sua esfera, de se encrustar além dos limites estabelecidos para ele; e onde o hábito de resistir tal tendência não é incentivado, e onde ao individuo não é ensinado a ser zeloso de seus direitos, a individualidade gradualmente desaparece e o governo ou o Estado se torna tudo em tudo. O controle naturalmente acompanha responsabilidade. Sob o sistema do Socialismo de Estado, portanto, o qual toma a comunidade como responsável pela saúde, riqueza e sabedoria do indivíduo, é evidente que a comunidade, através da expressão de sua maioria, insistirá mais e mais em prescrever as condições de saúde, riqueza e sabedoria, e assim debilitaria e finalmente destruiria a independência individual e com ela todo o senso de responsabilidade individual.

O que for que os Socialistas de Estado disserem ou não, então, o sistema deles, se adotado, está fadado a acabar numa religião do Estado, ao qual todos devem contribuir e no altar do qual todos devem se ajoelhar; uma escola estatal de medicina, pelos praticantes da qual os doentes devem invariavelmente ser tratados; um sistema estatal de higiene, prescrevendo o que todos podem ou não comer, beber, vestir e fazer; um código estatal de moral, que não se contentará em punir crimes, mas proibirá o que a maioria decidir ser um vício; um sistema estatal de instrução, o qual acabará com todas as escolas, academias e faculdades privadas; um berçário estatal, no qual todas as crianças precisam crescer juntas às expensas do público; e, finalmente, uma família estatal, com uma tentativa de estirpicultura, ou procriação científica, na qual nenhum homem ou mulher poderá ter filhos se o Estado os proibir e nenhum homem ou mulher pode se recusar a ter filhos se o Estado assim ordenar. Assim a Autoridade chegará ao seu apogeu e o Monopólio chegará ao seu máximo poder.

Tal é o Estado Socialista lógico ideal, tal é o objetivo que está no fim do caminho que Karl Marx escolheu. Deixe-nos agora seguir as fortunas de Warren e Proudhon, que tomaram o outro caminho ? o caminho da Liberdade.

Isso nos traz ao Anarquismo, que pode ser descrito como a doutrina de que todas as relações humanas devem ser gerenciadas pelos indivíduos ou por associações voluntárias, e de que o Estado deve ser abolido.

Quando Warren e Proudhon, ao perseguir suas buscas por justiça ao trabalho, vieram a se deparar com o obstáculo dos monopólios de classe, eles viram esses monopólios como sustentados pela Autoridade e concluíram que a coisa a ser feita não era fortalecer essa Autoridade e assim tornar o monopólio universal, mas extirpá-lo totalmente e assim fazer brandir o princípio oposto, a Liberdade, ao fazer a competição, a antítese do monopólio, universal. Eles viam na competição o grande nivelador de preços ao custo de produção do trabalho. Nisto eles concordaram com oseconomistas políticos. A pergunta então que se apresentou era por que os preços não caíam ao custo do trabalho; onde há qualquer espaço para rendas adquiridas de outra forma além do trabalho; em suma, por que o usuário, o recebedor de juro, aluguel e lucro, existe. A resposta era encontrada na presente competição unilateral. Foi descoberto que o capital tinha manipulado a legislação de fora que a competição ilimitada só era permitida na oferta de trabalho produtivo, assim mantendo os salários abaixo do ponto da fome, ou tão perto dele quanto possível; que uma grande porção de competição é permitida na oferta de trabalho distributivo, ou no trabalho das classes mercantis, assim mantendo, não os preços dos bens, mas os lucros dos mercadores sobre eles abaixo do ponto em que salários eqüitativos se aproximam do trabalho dos mercadores; mas que quase nenhuma competição é permitida na oferta de capital, da ajuda do qual tanto o trabalho produtivo quanto o distributivo dependem para seus completar suas realizações, assim mantendo a taxa de juros sobre o direito e sobre os aluguéis de residências e de terras num ponto tão alto quanto as necessidades das pessoas podem suportar.

Descobrindo isso, Warren e Proudhon acusaram os economistas políticos de terem medo das próprias doutrinas. O homem de Manchester foi acusado de inconsistência. Eles acreditavam na liberdade de competir com o trabalhador para reduzir os salários, mas não na liberdade de competir com o capitalista para reduzir sua usura. Laissez faire era um ótimo tempero para a gansa, o trabalho, mas era um tempero ruim para o ganso, o capital. Mas como corrigir essa inconsistência, como servir esse ganso com tempero, como colocar o capital a serviço dos empresários e trabalhadores ao custo ou livre da usura, esse era o problema.

Marx, como nós vimos, o resolveu declarando o capital uma coisa diferente do produto, e mantendo que ele pertencia à sociedade e deveria ser tomado por ela e empregado para o benefício de todos igualmente. Proudhon escarneceu dessa distinção entre capital e produto. Ele manteve que o capital e o produto não eram diferentes tipos de riqueza, mas simplesmente condições alternadas ou funções da mesma riqueza; que toda riqueza passa por uma incessante transformação do capital até o produto e do produto de volta para o capital, o processo se repetindo interminavelmente; que o capital e o produto são termos meramente sociais; que o que é produto para um pode imediatamente tornar-se capital para outro, e vice versa; que se houver só uma pessoa no mundo, toda a riqueza seria para ele simultaneamente capital e produto; que o fruto do labor de A é seu produto, o qual, então, quando vendido para B, se torna o capital de B (a não ser que B seja um consumidor improdutivo, em qual caso é meramente riqueza desperdiçada, fora do escopo da economia social); que uma máquina a vapor é um produto tanto quanto o é um casaco, e que um casaco é um capital tanto quanto uma máquina a vapor; e que as mesmas leis de eqüidade que governam a possessão de um governam a possessão do outro.

Por essas e outras razões, Proudhon e Warren se encontraram incapazes de sancionar qualquer plano de tomada do capital pela sociedade. Mas, embora se opusessem à socialização da propriedade do capital, eles objetivavam socializar seus efeitos fazendo seu uso benéfico para todos ao invés de um meio de empobrecer os muitos para enriquecer os poucos. E quando a luz se acendeu sobre eles, eles viram que isso poderia ser feito sujeitando-se o capital à lei natural da competição, assim fazendo com que o preço de seu uso caísse ao custo ? isto é, a nada além dos gastos incidentais de manejo e transferência deles. Então eles levantaram o estandarte do Absoluto Livre Comércio; livre comércio em casa e livre comércio com os outros países; o resultado lógico da doutrina de Manchester; laissez faire, a regra universal. Sob esse estandarte eles começaram suas lutas contra os monopólios, sejam eles os monopólios totais dos Socialistas de Estado ou os vários monopólios de classe que agora prevalecem.

Dos últimos, eles distinguiram quatro de principal importância: o monopólio da moeda, da terra, das tarifas e das patentes.

O primeiro em importância de sua influência nefasta eles consideravam o monopólio da moeda, que consiste num privilégio dado pelo governo a certos indivíduos, ou a indivíduos possuidores de certos tipos de propriedade, de emitir meios circulantes, um privilégio que agora é aplicado neste país por um imposto nacional de dez por cento sobre todas as outras pessoas que tentem fornecer meios circulantes e por leis estatais que tornam uma ofensa criminal emitir notas como moeda. Diz-se que os detentores desse privilégio controlam a taxa de juros, a taxa de aluguéis das casas e prédios e os preços dos bens ? os primeiros diretamente e os segundos e terceiros indiretamente. Pois, dizem Proudhon e Warren, se o ramo bancário se tornasse livre para a entrada de todos, mais e mais pessoas entrariam nele até que a competição se tornasse tão aguda até reduzir o preço de emprestar dinheiro ao seu custo de trabalho, o qual as estatísticas mostram ser menos de três quartos de um por cento. Nesse caso, as milhares de pessoas que são agora proibidas de entrar no mercado pelas taxas ruinosamente altas que precisam pagar pelo capital com o qual começar e manter seus negócios encontrarão suas dificuldades removidas. Se elas têm propriedades que não sejam converter em dinheiro por meio da venda, um banco as tomará como garantias para um empréstimo de uma certa proporção de seus valores de mercado com um desconto de menos de um por cento. Se elas não têm propriedades mas são industriosas, honestas e capazes, em geral serão capazes de conseguir suas notas individuais endossadas por um número suficiente de partes conhecidas e solventes; e em tal papel de empresários, elas serão capazes de conseguir empréstimos num banco a termos similarmente favoráveis. Assim os juros cairão com uma explosão. Os bancos realmente não estarão emprestando capital, mas estarão fazendo negócios com o capital de seus clientes, o negócio consistindo numa troca de créditos conhecidos e largamente disponíveis dos bancos pelos desconhecidos e indisponíveis, mas igualmente bons, créditos dos clientes e um gasto portanto de menos de um por cento, não como juro pelo uso do capital, mas como pagamento pelo trabalho de se ir aos bancos. Essa facilidade de se adquirir capital dará um ímpeto jamais visto aos negócios e, conseqüentemente, criará uma demanda sem precedentes por trabalho ? uma demanda que sempre será maior que a oferta, ao contrário da presente condição do mercado de trabalho. Então será vista uma exemplificação das palavras de Richard Cobden, segundo as quais quando dois trabalhadores buscam um empregador, os salários descem, mas quando dois empregadores buscam um trabalhador, os salários sobem. O trabalho estará então numa posição de ditar seus salários e assim assegurar sua remuneração natural, seu produto completo. Assim, a mesma explosão que abaixa os juros fará os salários subirem. Mas isto não é tudo. Os lucros também cairão. Pois os mercadores, em vez de comprarem com altos preços no crédito, pegarão emprestado dinheiro dos bancos a menos que um por cento, comprar a preços baixos por dinheiro e, assim, reduzir os preços de seus bens para os consumidores. E com o resto irá os aluguéis das casas. Pois ninguém que pode pedir emprestado capital a um por cento, com o qual construir uma casa de sua própria vontade, consentirá em pagar um senhorio a uma taxa maior que essa. É isso que dizem Proudhon e Warren quanto aos resultados da simples abolição do monopólio da moeda.

Em segundo lugar em importância vem o monopólio das terras, os efeitos maléficos do qual são vistos principalmente nos países agrários como a Irlanda. Esse monopólio consiste na proteção do governo de títulos de terra que não se baseiam na ocupação pessoal e no cultivo. Era óbvio para Warren e Proudhon que, tão logo que os individualistas não fossem mais protegidos por seus companheiros em nada além da ocupação pessoal e o cultivo da terra, o aluguel das terras desapareceria, e assim a usura teria uma perna a menos com a qual se sustentar. Seus seguidores de hoje em dia estão dispostos a modificar essa reclamação a ponto de admitir que a pequena fração do aluguel das terras que se baseia não no monopólio mas na superioridade do local ou do solo continuará a existir por um tempo e talvez para sempre, embora tendendo constantemente ao mínimo em condições de liberdade. Mas a desigualdade dos solos que faz com que surja o aluguel econômico da terra, como a igualdade de habilidades humanas que dá origem ao aluguel econômico das habilidades, não é uma causa para sério alarme mesmo para o mais empedernido oponente da usura, já que sua natureza não é daquela de um germe do qual se podem surgir outras e mais graves desigualdades, mas daquela de um galho decadente que pode finalmente secar e cair.

Em terceiro lugar, o monopólio de tarifas, que consiste em incentivar a produção a altos preços e sob condições desfavoráveis infligindo a pena de taxação sobre aqueles que produzem a preços baixos e sob condições favoráveis. O mal ao qual esse monopólio dá origem pode ser mais apropriadamente chamado de desusura em vez de usura, porque ele compele o trabalho a pagar não exatamente pelo uso de capital, mas pelo uso incorreto do capital. A abolição desse monopólio resultaria numa grande redução de preços de todos os artigos taxados e essa poupança aos trabalhadores que consomem esses artigos seria um outro passo rumo à garantia do trabalhador de sua remuneração natural, de seu produto completo. Proudhon admitiu, contudo, que abolir esse monopólio antes de abolir o da moeda seria uma política cruel e desastrosa, primeiro porque da maligna escassez de dinheiro, criada pelo monopólio de moeda, seria intensificada pelo fluxo de dinheiro para fora do país, o qual estaria envolvido num excesso de importações sobre as exportações, e, segundo, porque aquela fração dos trabalhadores do país que agora estão empregadas nas indústrias protegidas seriam então deixados sem rumo, para se depararem com a fome sem o benefício de uma insaciável demanda por trabalho a qual um sistema competitivo de moeda traria. Proudhon insistia que o livre comércio de moeda em casa, tornando o dinheiro e o trabalho abundantes, era uma condição anterior ao livre comércio de bens com países estrangeiros.

Em quarto lugar, o monopólio de patentes, que consiste em proteger os inventores e os autores contra a competição por um período longo o suficiente que os permita extorquir das pessoas um prêmio enorme além da medida de trabalho de seus serviços ? em outras palavras, em dar a certas pessoas o direito de propriedade por um período de anos sobre as leis e os fatos da Natureza e o poder de extrair tributos dos outros pelo uso de suas riqueza naturais, que deveriam ser abertas para todos. A abolição deste monopólio instigaria em seus beneficiários um grande medo da competição que os faria ficar satisfeitos com o pagamento por seus serviços igual ao que os outros trabalhadores conseguem pelos seus, e colocariam seus produtos e trabalhos no mercado desde o princípio a preços tão baixos que suas linhas de negócios não seriam atrativas para os competidores quanto quaisquer outras.

O desenvolvimento do programa econômico que consiste na destruição desses monopólios e na substituição deles pela competição mais livre levou seus autores à percepção do fato de que todos os seus pensamentos se baseavam num princípio fundamental, a liberdade do indivíduo, seu direito de soberania sobre si mesmo, seus produtos e suas relações, e de rebelião contra a ditadura de uma autoridade externa. Assim como a idéia de tirar capital dos indivíduos e dá-los para o governo levou Marx a um caminho que termina por fazer do governo tudo e do indivíduo nada, a idéia de tirar o capital dos monopólios protegidos pelo governo e colocá-los ao fácil alcance de todos os indivíduos colocou Warren e Proudhon num caminho que termina em fazer do indivíduo tudo e do governo nada. Se o indivíduo tem o direito de governar a si mesmo, toda autoridade externa é tirania. Portanto a necessidade de se abolir o Estado. Esta era a conclusão lógica à qual Warren e Proudhon foram forçados a admitir, e se tornou o artigo fundamental de suas filosofias políticas. É a doutrina que Proudhon chamou de Anarquismo, uma palavra derivada do grego, que significa não necessariamente a ausência de ordem, como se supõe, mas uma ausência de domínio. Os anarquistas são simplesmente Democratas jeffersonianos sem medo. Eles acreditam que “o melhor governo é aquele que menos governa”, e que aquele que menos governa é nenhum governo. Mesmo a simples função policial de proteção da pessoa e da propriedade eles negam aos governos sustentados por taxação coercitiva. Eles vêem a proteção como algo a ser provido, tanto quanto necessária, por associações voluntárias e por cooperações de auto-defesa, ou como uma mercadoria para ser comprada, como qualquer outra, daqueles que desejam oferecer o melhor artigo pelo menor preço. Na visão deles, é em si mesma uma invasão do indivíduo compeli-lo a pagar por ou sujeitar-se a uma proteção contra invasão que ele não tenha pedido e que não deseja. E eles ainda argumentam que a proteção se tornará um remédio no mercado, após a pobreza e o conseqüente crime terem desaparecido através da realização de seus programas econômicos. A taxação compulsória é, para eles, o princípio da vida de todos os monopólios, e eles contemplam a resistência passiva, mas organizada, quando a hora apropriada chegar, aos coletores de impostos como um dos métodos mais efetivos de alcance de seus objetivos.

A atitude deles quanto a isso é a chave para a atitude deles quanto a todas as outras questões de natureza política ou social. Na religião eles são ateus até onde corcernem suas próprias opiniões, pois eles olham para a autoridade divina e para a sanção religiosa da moralidade como os maiores pretextos avançados pelas classes privilegiados para o exercício da autoridade humana. “Se Deus existe”, disse Proudhon, “ele é o inimigo do homem”. E em contraste ao famoso epigrama de Voltaire “Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo”, o grande Niilista russo Mikhail Bakunin colocou esta antitética proposição: “Se Deus existisse, seria necessário aboli-lo.” Mas embora não acreditassem nele, vendo a hierarquia divina como a contradição da Anarquia, os Anarquistas entretanto firmemente acreditam na liberdade de acreditar nele. Qualquer negação da liberdade religiosa é oposta por eles.

Sustentando assim o direito de todo indivíduo de ser ou selecionar seu próprio pastor, eles igualmente defendiam o direito de ser ou selecionar seu próprio médico. Nenhum monopólio na teologia, nenhum monopólio na medicina. Competição em todos os lugares e sempre; conselhos espirituais e conselhos médicos tem que igualmente permanecer ou desaparecer por seus próprios méritos. E não apenas na medicina, mas na higiene, este princípio da liberdade deve ser seguido. O indivíduo pode decidir por ele mesmo não só o que fazer para estar bem, mas o que fazer para manter-se bem. Nenhum poder externo precisa ditar para ele o que ele deve ou não comer, beber, vestir ou fazer.

O esquema Anarquista também não fornece nenhum código de morais a ser imposto sobre o indivíduo. “Preocupe-se com seus próprios negócios” é a única lei moral. Interferência nos negócios alheios é um crime e o único crime, e como tal pode ser devidamente resistida. De acordo com essa visão os Anarquistas vêem as tentativas de suprimir arbitrariamente os vícios como crimes em si mesmos. Eles acreditam que liberdade e o resultante bem-estar social são uma cura certa para todos os vícios. Mas eles reconhecem o direito do bêbado, do jogador, do libertino e da prostituta de viverem suas vidas até que eles livremente escolham abandoná-las.

Sobre a questão do sustento e da criação das crianças, os Anarquistas não instituiriam nem os berçários comunistas que os Socialistas de Estado favorecem nem manter o sistema escolar comunista que ora existe. Os mentores e professores, assim como os médicos e pastores, precisam ser selecionados voluntariamente, e seus serviços precisam ser pagos por aqueles que os apadrinham. Os direitos dos pais não devem ser tirados e as responsabilidades dos pais não devem ser impostas sobre os outros.

Mesmo numa questão tão delicada como aquela das relações dos sexos, os Anarquistas não diminuem a aplicação de seu princípio. Eles reconhecem e defendem o direito de qualquer homem e mulher, ou de quaisquer homens e mulheres, de amarem-se por quanto tempo suportarem, quiserem ou puderem. Para eles, o casamento legal e o divórcio legal são igualmente absurdos. Eles esperam por um tempo no qual todo indivíduo, homem ou mulher, seja auto-suficiente, e quando cada um tenha um lar próprio independente, seja ela uma casa separada ou quartos numa casa com outras pessoas; no qual as relações amorosas entre esses indivíduos independentes sejam tão variadas quanto são as inclinações e atrações individuais; e no qual as crianças nascidas dessas relações pertençam exclusivamente às mães até terem idade suficiente para pertencerem-se a si próprios.

Tais são as características principais do ideal social Anarquista. Há uma grande diferença de opiniões entre aqueles que o defendem quanto ao melhor método de se chegar a ele. O tempo proíbe o tratamento dessa parte do assunto aqui. Eu simplesmente chamarei atenção para o fato de que é um ideal totalmente inconsistente o daqueles Comunistas que falsamente se chamam de Anarquistas ao passo que defendem um regime de Arquismo tão despótico quanto aquele dos Socialistas de Estado. E é um ideal que pode ser tão pouco avançado pelo Príncipe Kropotkin quanto retardado pelas vassouras daquelas senhoras Partingtons que os sentenciam à prisão; um ideal o qual os mártires de Chicago fizeram muito mais para ajudar com suas gloriosas mortes na forca para a causa comum do Socialismo que por suas infelizes defesas durante suas vidas, no nome do Anarquismo, da força como uma agente revolucionária e a autoridade como uma garantia da nova ordem social. Os Anarquistas acreditam na liberdade tanto como um fim quanto como um meio, e são hostis a qualquer coisa que se antagonize a isso.

Eu não me encarregaria de sumarizar totalmente uma exposição do Socialismo do ponto de vista do Anarquismo se a tarefa já não houvesse sido completada para mim por um brilhante jornalista e historiador francês, Ernest Lesigne, na forma de uma rápida série de antíteses, das quais a leitura para você como uma conclusão desta exposição eu espero aprofundar a impressão que foi meu objetivo causar.

“Existem dois Socialismos.
Um é comunista, o outro solidarista.
Um é ditatorial, o outro libertário.
Um é metafísico, o outro positivo.
Um é dogmático, o outro científico.
Um é emocional, o outro reflexivo.
Um é destrutivo, o outro construtivo.
Ambos estão em busca do maior bem estar possível para todos.
Um tenta estabelecer a felicidade para todos, o outro possibilitar que cada um seja feliz da sua própria maneira.
O primeiro considera o Estado como uma sociedade sui generis, de uma essência especial, produto de um tipo de direito divino fora e sobre toda a sociedade, com direitos especiais e capaz de exigir obediências especiais; o segundo considera o Estado como uma associação como qualquer outra, geralmente manejada pior que as outras.
O primeiro proclama a soberania do Estado, o segundo não reconhece nenhum tipo de soberano.
Um deseja que todos os monopólios sejam mantidos pelo Estado; o outro deseja a abolição de todos os monopólios.
Um deseja que a classe governada se torne a classe governante; o outro deseja o desaparecimento das classes.
Ambos declaram que o estado de coisas existente não pode durar.
O primeiro considera revoluções como agentes indispensáveis de evoluções; o segundo ensina que a repressão sozinha transforma evoluções em revoluções.
O primeiro tem fé num cataclismo.
O segundo sabe que o progresso social resultará do livre jogo dos esforços individuais.
Ambos entendem que nós estamos entrando num período histórico.
Um deseja que não houvesse nada além de proletários.
O outro deseja que não houvessem mais proletários.
O primeiro deseja tirar tudo de todos.
O segundo deseja deixar cada um com a posse do que é seu.
Um deseja expropriar a todos.
Outro deseja que todos sejam proprietários.
O primeiro diz: “Faça como deseja o governo.”
O segundo diz: “Faça como você deseja.”
O primeiro ameaça com o despotismo.
O último promete liberdade.
O primeiro torna o cidadão um sujeito do Estado.
O último torna o Estado o empregado do cidadão.
Um proclama que as dores do trabalho serão necessárias para o nascimento de um novo mundo.
O outro declara que o real progresso não causará sofrimento para ninguém.
O primeiro tem confiança numa guerra social.
O outro acredita somente nos trabalhos da paz.
Um aspira comandar, regular, legislar.
O outro deseja conseguir o mínimo de comando, de regulação, de legislação.
Um seria seguido pelas mais atrozes reações.
O outro abre ilimitados horizontes ao progresso.
O primeiro fracassará; o outro sucederá.
Ambos desejam a igualdade.
Um abaixando as cabeças que estão altas demais.
O outro levantando as cabeças que estão muito baixas.
Um vê a igualdade sob um jugo comum.
O outro assegurará a igualdade em completa liberdade.
Um é intolerante, o outro tolerante.
Um assusta, o outro tranqüiliza.
O primeiro deseja instruir a todos.
O segundo deseja habilitar todos para instruírem a si mesmos.
O primeiro deseja sustentar a todos.
O segundo deseja habilitar todos para sustentarem-se.
Um diz:
A terra para o Estado.
A mina para o Estado.
A ferramenta para o Estado.
O produto para o Estado.
O outro diz:
A terra para o cultivador.
A mina para o mineiro.
A ferramenta para o trabalhador.
O produto para o produtor.
Há somente esses dois Socialismos.
Um é a infância do Socialismo; o outro é sua idade adulta.
Um já está no passado; o outro é o futuro.
Um dará lugar ao outro.Hoje cada um de nós precisa escolher um ou outro desses dois Socialismos, ou então confessar que não é Socialista.”

 

 

Quarenta anos atrás, quando o ensaio acima foi escrito, a negação da competição ainda não havia efetivado a enorme concentração de riqueza que agora tão gravemente ameaça a ordem social. Ainda não era tarde demais para parar a corrente de acumulação por uma reversão da política de monopólio. O remédio Anarquista ainda era aplicável.

Hoje o caminho não é tão claro. Os quatro monopólios, desimpedidos, têm tornado possível o moderno desenvolvimento do truste, e o truste é agora um monstro que eu temo que nem mesmo o mais livre sistema bancário pudesse ser instituído ele seria capaz de destruí-lo. Enquanto o grupo da Standard Oil só controlava cinqüenta milhões de dólares, a instituição da livre competição o teria mutilado sem piedade; ele precisava do monopólio de moeda para sua sustentação e seu crescimento. Agora que ele controla, direta e indiretamente, talvez dez bilhões, ele vê no monopólio de moeda uma conveniência, para ser claro, mas não mais uma necessidade. Ele pode se sustentar sem isso. Se todas as restrições bancárias fossem removidas, o capital concentrado lidaria com sucesso com a nova situação sacrificando anualmente uma soma que removeria todo competidor do mercado.

Se isso for verdade, então o monopólio, que pode ser controlado permanentemente só por forças econômicas, passou do ponto além do alcance e precisa ser combatido por um tempo somente por forças políticas ou revolucionárias. Até que medidas de confisco forçado, através do Estado ou em desafio a ele, tenham abolido as concentrações que o monopólio criou, a solução econômica proposta pelo Anarquismo e delineada nas páginas anteriores ? e não há outra solução ? permanecerão algo para se ensinar à nascente geração, que as condições podem ser favoráveis à sua aplicação após um grande nivelamento. Mas educação é um processo lento e pode não chegar rapidamente. Anarquistas que pretendam acelerá-lo juntando-se à propaganda do Socialismo de Estado ou da revolução cometem um triste erro. Eles ajudam assim a forçar a marcha de eventos que as pessoas não terão tempo de descobrir, pelo estudo de suas experiências, que seus problemas são devidos à rejeição da competição. Se essa lição não for aprendida numa temporada, o passado se repetirá no futuro, caso em que teremos que procurar consolação na doutrina de Nietzsche segundo a qual isso devia acontecer de qualquer forma, ou na reflexão de Renan de que, do ponto de vista de Sirius, todas essas questões são apenas um pequeno momento.

B.R.T., 11 de agosto de 1926.

Notas

1 De 1874 a 1888 nos EUA os greenbackers formavam um movimento que defendia uma união entre a indústria e a agricultura e advogavam uma inflação de papel-moeda (“greenbacks”). [N.T.]

2 A batalha de Bunker Hill (1775) foi uma das mais sangrentas da Guerra Revolucionária Americana. Terminou com a vitória dos britânicos, mas eles tantas baixas que a batalha é considerada uma vitória pírrica, isto é, uma vitória que impõe um custo devastador ao vencedor. [N.T.]