Um anômalo que coloca os pingos os is…

A política brasileira está cheia de coelhos do Bambi que gritam desarvorados: “Fogo, fogo na floresta”. Aliás, não só na política. Na imprensa também, especialmente na imprensa chapa branca.
Alguns lobos velhos da imprensa, desdentados de tanto rancor, enxergam golpe até na própria sombra. É alguém ameaçar seja Lula ou o Palácio do Planalto com a lei, com a Constituição, com as instituições, e eles tossem suas ignomínias: “Golpe… Cof, cof, cof… Golpe!” ou “Deixa o homem trabalhar!” ou chegam ao cúmulo que colocar a Lava Jato em xeque tecendo comentários sem nexo com a realidade. Alguns estão mais para vampiros com sede de sangue. Sangue do povo nas ruas!
Nos últimos dias, devido o STF ter se aliado aos corruptos de plantão mais uma vez, e terem se irmanado para fazerem deboche institucional contra a lei e contra o povo, ficou evidente que o jornalista da Jovem Pan e VEJA, o famigerado Reinaldo Azevedo, tomou ares de constitucionalista de boteco e resolveu afrontar, tanto quanto Renan, decisões judiciais, mas não com desobediência, e sim com teses jurídicas sub-ginasianas emitidas via rádio, colunas , blogs, por simplesmente discordar delas e porque isso faria um petista insignificante do extrato do pelego acreano Jorge Viana chegar a presidência do Senado por algumas semanas colocando mais gasolina na fogueira contra um governo que sucumbe ante a própria incompetência e trapalhadas.
Uma coisa é certa, seja Marco Aurélio ou Renan Calheiros, todos ali juraram defender a Constituição, contudo fazem dela uma prostituta e a usam da forma que lhes bem convém e praticam estupro coletivo. Todos, sem exceção, desde o presidente da República, que mandou acatar o que diz “o livrinho”; subjugam a Carta Magna a um pedaço de papel de pão que só vale quando lhes convém. A imprensa mentecapta segue a mesma toada: inflama o povão a pensar de acordo com aquilo que os mentores do alto clero tucano querem para poderem ter argumentos úteis em face dessa quizumba. Ou seja, há idiotas úteis de todos os lados hoje em dia.
Ao que parece os críticos da lavra de Reinaldo Azevedo, escolhem suas vítimas com precisão cirúrgica sob ordens de algum partido, os quais ordenam para a peãozada da imprensa bater firme ora no Cunha, ora na Dilma, ora no desafeto de ocasião e babar ovo pra Aécio, FHC ou fazer vista grossa para as trapalhadas dos ministros de Miguel Temer e outros escroques do PMDB, PSDB e suas linhas auxiliares no governo de coalizão temerário.
Desmistificando Reinaldo Azevedo fica nítido que ele é um personagem criado pela Veja para substituir o Diogo Mainardi, que foi defenestrado da revista para capitalizar em cima de um projeto jornalístico muito mais louvável, e não me refiro ao Antagonista, mas sim a um ensaio dele sobre paralisia cerebral pela editora Record. Sendo Mainardi fã de FHC, e Reinaldo seu substituto imediato, dotado da mesma personalidade histriônica, fica nítido que a VEJA optou em trazer mais um sub-tucano arruaceiro da imprensa para versar sobre como o PT, e seus aliados, são o que há de pior na face da terra.
É risível atestar que Reinaldo Azevedo tenha fãs de carteirinha, tanto quanto seu desafeto maioral, a saber; o astrólogo Olavo de Carvalho. Os fanáticos por ambos não arredam o pé de suas posições utilitaristas, seja em prol dum Bolsonaro ou de um Aécio de ocasião. De um lado, seguem os devaneios esboçados em podcasts e livros de um, do outro, creem piamente nas falácias transmitidas todo final de tarde pela rádio Jovem Pan, no programa sensacionalista, ao estilo Aqui Agora travestido para política, o qual Reinaldo diz que coloca os pingos nos is como bom professor de gramática que é, porém como jornalista e comentarista político e aventureiro em análises jurídicas, não passa de um embusteiro de marca maior com espaço na indigitada emissora de rádio e revista.
É típico de Reinaldo Azevedo errar crassamente sobre fatos, e por sorte acertar outros fazendo futurologia barata em seus textos, onde jaz sepultado o bom senso do jornalismo informativo, e donde exala a falsa modéstia da crônica opinativa por vezes desconectada da veracidade dos fatos. Essa é forma taxá-lo de embusteiro, mentiroso e inventor de falácias mais suave possível, pois ao lermos os textos, ouvirmos os comentos da lavra do douto jurista culto e pop star da rádio Jovem Pan, ficamos estarrecidos, nos perguntando como é que pode uma emissora apostar num formador de opinião sensacionalista daqueles cujo maior interesse é manter a fama barata de sub-celebridade da imprensa crítica, ao passo que existem jornalistas sérios e mais abalizados que poderiam ocupar aquele horário discorrendo com sobriedade e concretude factual sobre os temas da vida cotidiana da República.
Como se não fosse muito, ou não bastassem as falácias que Reinaldo se vale, fica nítido que ele é o canal de informação predileto dos militantes anti-petistas de última hora, ou seja, dos coxinhas que começaram a ter opiniões políticas pós protestos de 2013 entrando na modinha e oba-oba das manifestações de rua. Esse tipo de público, sequer entende muito bem como funcionam as instituições e leis do pais, mal sabem como são os bastidores de Brasília, mas creem piamente em tudo que o oráculo da VEJA e Jovem Pan assevera com devoção “PTfóbica”. Inequivocamente resta óbvio que Reinaldo Azevedo é um farsante manipulador de incautos. Apesar do bom humor dele, das imitações do Lula, ele tem momentos de chiliques que atestam sua personalidade histriônica. São momentos nos quais ele ataca com as piores vulgaridades a quem discorde de suas falácias tratando com verborragia os divergentes de suas opiniões.
No mínimo isso é deselegante, e revela um sujeito suburbano, dotado do espírito encarnado das fofoqueiras barraqueiras dos confins das vilas paulistanas; que hoje, graças a Reinaldo de Azevedo, Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro e outros dão a tônica nos debates nas redes sociais. O cidadão que acha que a política e imprensa precisa de melhores práticas, de mais racionalidade, de menos populismo e emocionalismo barato passa ao largo desses sujeitos. Se os cidadãos, mesmo os que tenham pouca instrução e capacidade de abstração, compreendessem que a política vai além das figuras que a usam em benefício próprio, comportando um padrão de modernidade e debates mais civilizados, isso tornaria todo esse emaranhado de opiniões falaciosas de sub-jornalistas um ponto fora da curva.
Desafortunadamente é o contrário disso o que ocorre hoje em dia. Por fim, ante esta visão, está muito claro para muitos que Reinaldo Azevedo pertence ao grupo dos jornalistas espalhafatosos eivados de truculência quando criticados e que reagem com o ego inflado quando aplaudidos.
Por outro lado, Reinaldo Azevedo detesta quando lhe taxam de tucano. Ele dá pitis homéricos nos microfones e blogs se dizem que ele é cego irracional ao ponto de defender o indefensável em prol até de um Renan Calheiros da vida em face de um Marco Aurélio Mello já combalido com a pecha de serviçal petista no STF. Isto aponta, com vasto conteúdo probatório, que o único mote jornalístico do destemido Reinaldão é vociferar contra o PT. Em tese, Reinaldo Azevedo age realmente como um tucano do baixo clero ensimesmado, prepotente e arrogante que não acata nada além do ódio incondicional ao PT.
Por isso que Reinaldo possui fãs, por isso ele é idolatrado pelos coxinhas reinaldetes de última hora, pois nutrir ódio incondicional ao PT é fácil, mas o difícil para essa gente abitolada é enxergar que o PT não vale nada e manter-se desligado emocionalmente desse fato sem pagar mico seja onde for repetindo o que esses jornalistas desmiolados dogmatizam nas cabeças de seus leitores devotos.
Reinaldo e os reinaldetes tiveram seu ápice justamente na época em que o PT estava cambaleando, sendo posto nas cordas, sendo combatido de todas as formas de todos os lados, e para alicerçar a postura anti-PT era preciso elogiar as Forças Armadas, ir em todas as manifestações de rua, bradar palavras de ordem, e incluir no seu menu informativo Olavo de Caravalho, Reinaldo Azevedo como gurus de seitas de coxinhas desavisados que votaram em Aécio Neves, solapando Marina Silva e Dilma nas urnas, mas ao final, graças a Toffoli, Dilma levou e os tucanos ficaram sem eira bem beira. Foi nessa fase que Reinaldo Azevedo se revelou como tucano convicto nas entrelinhas de seus textos e no tom de suas palavras na Jovem Pan. Quem puder analisar os textos e programas dessa época verá isso com clareza.
A tese que Reinaldo seja tucano ainda é alicerçada, pelo fato dele durante o impeachment, ser o mote inspirador do Movimento Brasil Livre, cujos militantes são filiados nas linhas auxiliares tucanas e tem logrado êxito em repetir copiosamente a mesma linha tendenciosa do mestre Reinaldo em suas publicações e conduta política desaforada em alguns momentos. Para eles o PT tem que ser combatido com exorcismo caso as leis e instituições do país falhem.
Esses argumentos acima postos podem até serem alvo de discordância ou causarem dor de barriga nos fãs de carteirinha de Reinaldo Azevedo, mas uma coisa é certa, o jornalismo que ele representa é de péssima qualidade e só tem espaço porque os leitores e ouvintes precisam de entretenimento e sensacionalismo para suportar a podridão da política brasileira ao ponto de fazerem piada de tudo. Para esse público, Reinaldo Azevedo serve como uma luva, mas para quem quer pensar num país de acordo com princípios éticos e legais bem fundamentados, o recomendável é que fuja desse tipo de jornalismo caricatural e busque outras bases para formar opinião e obter conhecimento. Façam isso antes que se contaminem com conceitos errôneos, principalmente no campo do Direito, o qual emana todo ordenamento jurídico pátrio que rege toda a sociedade e instituições.
Em suma, não deixe um serviçal tucano da imprensa adestrar vocês!
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O voto de cabresto de Celso de Mello

Quando mudamos de ideia a respeito de qualquer coisa na vida, há muitas vezes por de trás disso a intenção de corrigir falhas, redimir erros ou render-se a razão. Podemos chamar isso de “animus corrigendi”

Mas quando a própria noção de corrigir um erro, sanar um gravame, ou agir com falsa retratação é comprometida dando lugar a uma mudança de paradigmas para observar  interesses escusos isso se chama: “animus abutendi”, ou seja, intenção de abusar.

Foi essa segunda postura que o ministro decano Celso de Mello tomou ontem no STF ao mudar seu voto na ADPF que deu causa a lide de ontem no STF. Celso de Mello vindo posteriormente a rejeitar a liminar do colega vice-decano Marco Aurélio Mello em face do senador Renan Calheiros obrou com “animus abutendi” e precipitou o STF para além da falta de credibilidade. O decano da Suprema Corte jogou o STF no abismo da falta de legitimidade.

Quem está com a verdade do seu lado, do ponto de vista axiológico jurídico, jamais mudaria de opinião acerca das conclusões que os postulados jurídicos que formaram anteriormente a convicção decisória, para em seguida, numa outra situação particular, dar lugar a um arremedo de voto, ou voto de cabresto, em favor dum réu que nitidamente manipulou a opinião do julgador com subterfúgios extra-legais.

Juízes não podem ser pessoas que alteram suas opiniões e conclusões jurídicas, por mais genéricas que possam ser; ao sabor dos acontecimentos. Celso de Mello, ontem, no julgamento da liminar desobedecida por Renan, obrou exatamente isso da forma premeditada; e para usar palavras do próprio Marco Aurélio foi algo: inconcebível, intolerável e grotesco Celso de Mello ter agido desta forma.

O decano do STF tende a divergir de Marco Aurélio e pela praxe do colegiado, conforme regimento interno, o decano deve ser o último a votar, mas se decide antecipar o voto, isso pode influir os demais pares a segui-lo. Foi exatamente isso que ocorreu ontem, mas não por força dos argumentos do decano, e sim pela chantagem de bastidores à qual determinados ministros cederam da noite para o dia em favor de um réu no próprio tribunal, no qual, dizem zelar pela Carta Magna e sua interpretação.

Mesmo Marco Aurélio tendo dito que o STF incorreria em “deboche institucional” caso não fosse enérgico quanto aos fatos desencadeados pela desobediência de Renan em face duma ordem judicial emanada por um membro da mais alta corte judicial do país, mesmo assim, os seis ministros que acompanharam Celso de Mello, em seu voto de cabresto, levaram a cabo o acovardamento do STF em face de um senador que é investigado em mais de uma dúzia de processos criminais.

A máxima marcoaureliana de que “processo não tem capa, tem conteúdo”; uma citação clássica do eminente ministro flamenguista, apreciador de motocicletas e cavalos puro sangue, nunca foi tão veraz quanto ontem. Uns apreciaram a matéria olhando e temendo o nome contido na capa da lide, outro, desferiu um julgamento em face de um réu que ocupa um cargo de presidente do Senado, podendo ser assim censurado e até sacado do cargo por ser réu em processo crime no STF; isso desde que sejam bem observados os axiomas constitucionais numa exegese mais escorreita.

Num primeiro momento a decisão monocrática de Marco Aurélio teria efeitos concretos como qualquer outra ordem judicial acatada e cumprida à risca. Mas não foi isso que aconteceu. Renan, agindo de forma desaforada, burlou por duas vezes o oficial de justiça do STF, dando-lhe um chá de cadeira, agindo de forma evasiva através de assessores parlamentares, ou seja, foi uma amostra gratuita de quanto Renan não respeita a lei em momento algum.

Após a liminar expedida, e sem efeitos ante a realidade dos acontecimentos, o artigo 5º da lei 9.882 diz ordenava o seguinte: “O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida liminar (…). Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno”. E foi isso o que processualmente aconteceu. A cautelar foi apreciada em no pleno colegiado, e foi aí que as manobras insidiosas de Renan sobre meia dúzia de togados supostos guardiões da Constituição deu razão aos dizeres de Lula quando chamou o STF de um bando de acovardados.

Apesar de Marco Aurélio ser arrogante e narcisista, sua decisão tinha que ser no mínimo apreciada com base nos postulados constitucionais pelos ministros divergentes, simplesmente por ele ser investido de poderes jurisdicionais para tal finalidade. Teriam de operar isso por respeito ao julgador e muito mais pela Constituição e instituições que servem. Mas desde o começo Marco Aurélio, que é só uma peça do STF, já foi atacado e execrado publicamente pelo colega de toga; a saber: Gilmar Mendes, um dos aliados de Renan no STF. Isso já insinuava que o STF tinha se tornado num puxadinho onde as ordens de congressistas do alto clero corrupto dão as cartas e são obedecidos cegamente pelos ministros da Suprema Corte brasileira.

O presunçoso Marco Aurélio achou que tinha bala na agulha. Deve ter achado que teria o corporativismo do STF ao seu lado, ao menos para proteger a classe de magistrados, a qual nenhum corrupto de alto escalão desse país nutre mínimo respeito ao ponto de lavrar leis contra os mesmos desmoralizando-os também com “animus abutendi” no foro legislador. No entanto, Marco Aurélio foi dilacerado apesar de ter acertado a mão dessa vez, e assim o STF recheou uma pizza à moda alagoana feita sob pedido expresso do próprio réu.

Celso de Mello, o decano, e Carmen Lúcia, atual presidente do STF, participaram dessa chicana mantendo aquela pose de santidade que cultivam sempre. Celso de Mello, com auxílio explícito de mais cinco pares, incluindo a presidente do STF, “recolocou” Renan de volta ao cargo que ele nunca perdera na prática. Isso sim foi um verdadeiro golpe contra a lei, contra as instituições e contra o povo. Testemunhamos um réu de grande envergadura mandar nos juízes instância judicial maior do país e nos poderes da República na tarde de ontem.

O voto do Celso de Mello foi contraditório, para dizer o mínimo. Ele repudiou que qualquer ente ou sujeito desacate uma ordem judicial, e depois, lavrou um voto alternativo predefinido extra lei. Daí ficou fácil, até para Dias Toffoli votar acompanhando ele, sem fundamentar nada, cair fora da sessão alegando que tinha mais o que fazer, e ainda pior foi Teori Zavascki, ele se acovardou aderindo à tese costurada nos bastidores, a qual Celso de Mello foi porta voz mor. Zavascki, justo ele, que tinha afastado Eduardo Cunha do mandato, consequentemente do cargo, se rendeu ao jogo de sombras e cordas perpetrado por Renan e lavado a cabo por Celso de Mello e demais pares que acompanharam a divergência.

Resumo da ópera: O voto de cabresto de Celso de Mello safou Renan Calheiros. Agora aguardemos o voto de cabresto dos eleitores alagoanos que deverão reconduzi-lo a mais um mandato, ao menos que haja um juiz nesse país capaz de colocar esse senador cangaceiro atrás das grades antes da próxima eleição.

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“Inúteu”!A gente somos “inúteu”!

“Inúteu”!A gente somos “inúteu”!
 
“A gente não sabemos escolher presidente” – São 13 anos de atraso! A cada vez que a OCDE divulga o seu ranking mundial do ensino, elaborado a partir da aplicação do teste Pisa em mais de 70 países, o Brasil é confrontado com todo o seu atraso em relação à educação praticada no país. Neste último ranking, ficou evidente não apenas o nosso atraso, mas o quanto estamos regredindo, em vez de evoluir.
 
Depois de 13 anos de governos petistas, ainda estamos, no setor educacional, no mesmo patamar de quando eles assumiram o governo. E o PT e seus puxadinhos chamados de “movimentos sociais”, além de terem ficado em silêncio sobre o ranking da OCDE, ainda se mantém inflexíveis contra qualquer tipo de reforma no sistema de ensino. A esquerda não quer evolução do ensino, e sim a propagação da mediocridade. Por esse e outros motivos o Brasil gritou: Fora PT!
Kant dizia que a sociedade era mantida autoritariamente num estado a que chamou de “menoridade”, ou seja, a incapacidade de servir ao seu próprio entendimento, de pensar e agir a partir de sua própria análise crítica. Em outras palavras, era como se a sociedade não tivesse capacidade de tomar conta de si, conduzida por aqueles que tinham o poder político, econômico e social.
 
No entanto, o filósofo alemão também afirmava que deveríamos nos erguer diante disso e tentar sair do tal estado de menoridade. A forma pela qual isso se tornaria possível? Através da crítica, interrogando as “verdades” que nos são dadas.
 
De forma extremamente resumida, a crítica, segundo Kant, seria o exercício da autonomia frente àquilo que é imposto e, portanto, essencial à busca pela liberdade e por uma sociedade mais justa.
 
Bem mais tarde, Foucault formulou a seguinte questão: o que nos tem levado à atual organização social econômica, notoriamente cheia de problemas, após o exercício de tantas críticas durante tanto tempo? Seria a insuficiência da razão ou haveria poder contrário demais?
 
Como seres notoriamente orgulhosos de sua racionalidade, a insuficiência da razão não parece ser a opção mais adequada (por mais que pertinente), ainda mais diante da alternativa “poder contrário demais”. Sendo possível optar pelas duas opções, razoável escolher ambas.
 
Pois bem, agora, meio século depois, perguntamos: como exercer tal crítica num tempo em que a falta de representatividade popular é gritante em todas as instâncias do estado democrático, somado ao ensurdecedor silêncio dos instrumentos de comunicação (referindo-se a mídia tradicional e de grande alcance) diante das inúmeras tentativas de retirada de nossos direitos?
 
Como sair da menoridade que nos é imposta por decisões político governamentais e que parecem nos excluir do jogo político, como o andamento da medida provisória de reformulação do ensino médio ou o Projeto de Emenda Constitucional do teto dos gastos, entre tantos outros? Como se erguer diante de um judiciário que aparenta estar cada vez mais contaminado por posições políticas e que tem nos mostrado possuir, em inúmeros exemplos e nas mais diversas instâncias, mais intenção do que isenção em seus julgamentos e decisões?
 
É notável como a luta dos estudantes secundaristas e universitários e suas ocupações ganhou tamanha importância mesmo não ocupando o espaço que merece na mídia tradicional e nos debates na esfera pública: as ocupações são o mais puro exercício da crítica e da autonomia perante a força governamental e tem nos permitido perceber, de forma cada vez mais clara, as conexões entre os mecanismos de coerção entre o Estado e demais poderes.
 
Para ficar somente em alguns exemplos, como não lembrar do silêncio midiático do 4º Poder, que finge não ver aquele que já é, talvez, um dos maiores movimentos políticos protagonizados por estudantes, ou o uso exacerbado das forças repressoras do Estado personificado na brutalidade policial nas escolas ocupadas, ou uso de instrumentos legais claramente abusivos, como a ordem do juiz que permitiu que métodos e artifícios de tortura fossem empregados para desocupação de secundaristas de uma escola estadual, além da tentativa de individualizar e criminalizar quem ocupa, conforme solicitação e orientação formal do próprio Ministério da Educação às instituições ocupadas, entre tantos outros exemplos.
 
Mas se as mais diversas instituições demonstram estar em pleno exercício da “arte” pedagógica, econômica e política de como nos governar, os estudantes se permitiram e estão nos mostrando que é possível pensar em “como não ser governado” tão passivamente e por princípios, objetivos e formas dos quais discordamos ou julgamos injustos.
 
Num momento em que a PEC 55 (ex-241) é vendida como única solução para a economia do país e a reformulação do ensino médio desconsidera o diálogo com as partes mais interessadas (educandos e professores), posto que a melhor solução teria sido encontrada pelo atual governo, embalada e despachada como lei por medida provisória com pouco ou quase nada a discutir, estes jovens e suas ocupações têm nos mostrado que é possível erguer-se e tomar o direito de interrogar o discurso do Estado, que se impõe como verdadeiro tão somente pelo seu poder.
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(fonte: Observatório da Imprensa)

Requião de comedor de mamonas à bolivariano meia sola

Requião, um homem desequilibrado e não mais respeitado. Foi o que sobrou para ele: gritar raivosamente contra manifestantes taxando-os de “mentecaptos manipuláveis”. Déspota e destemperado, agressivo, quando no poder; gagá e ridículo, agora. Requião caminha para as sombras, no estertor da sua já empoeirada vida política.

Requião virou um heteróclito da política nacional. Bajulador do Lula e demais canalhas petistas bolivarianos. E, óbvio, que também, ele está se defendendo do que vem por aí de mais deletério quer onde haja evidências contra ele. Ah se Itaipu falasse!

Não devemos mais dar atenção a esse senhor decrépito cujo destino será o opróbrio constante até o findar de sua biografia marcada pela paspalhice. Requião não tem credibilidade para mais nada. Ele usurpa das prerrogativas do cargo para usar a tribuna para defender o indefensável nos últimos tempos como se fosse um petista convicto. Se não fosse ele do PMDB, seria fácil reconhecê-lo como senador petista, dado o recorrente uso dos mesmos jargões falaciosos dos defensores de Dilma e simpatizantes de Lula.

 

O senador paranaense hoje não passa de figura histriônica e caricatura que representa com fidelidade a política de baixo quilate moral e intelectual. Esteve ao lado de Sérgio Moro num debate no Senado sobre abuso de autoridade como relator do projeto que visa desmantelar a Lava Jato. Nessa posição de escroque duas caras ele valeu-se de toda sua cara de pau para falsamente elogiar o juiz em rede nacional, e tacar-lhe o pau pelas costas nos bastidores. Requião nas suas inserções na mídia e tribuna da casa moderadora, mas como imoderado, sempre faz questão de colocar a imagem do magistrado da Lava Jato em dúvida com jogo de palavras e falácias das mais boquirrotas Eis que Roberto Requião é exemplar e adepto da mesma hipocrisia renaniana que impera no Senado Federal há décadas.

Requião ainda teve um governo fértil em escândalos de corrupção e ingerência administrativa. Um exemplo claro disso envolve a Sanepar e a empresa Pavibrás. A Pavibrás venceu licitação no valor de R$ 69 milhões para executar obras no litoral do estado do Paraná. Em certa altura das obras, a empresa tinha recebido R$ 113 milhões, mas as obras ainda não tinham sido concluídas. Depois disso, Requião foi acusado ainda de caixa dois durante todo o tempo que passou no Palácio da Araucária.

Por essas e outras é que Requião não deve nem pode ser levado a sério como político e deve ser esquecido pelos eleitores do Paraná, e apenas lembrado pelas autoridades judiciárias. Os mentecaptos manipuláveis são sem dúvida aqueles que o elegeram e reelegeram…

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E agora Dr Meirelles?

As propostas do governo de ajustes nas contas públicas até aqui não apresentaram aumento de tributos como medida. Por outro lado o governo Temer duplicou os gastos de verbas e emendas para bancar a base aliada desse presidencialismo de coalizão pós-impeachment. Isso sem dúvida gera reflexo no caixa da União que está combalido e retira dos investidores esperanças que esse governo venha a fazer uma política de acordo com regras sérias. Nesse caso Temer está patinando, ladeado por serviçais envoltos na sombra da corrupção e escândalos constantes e sanguessugas do congresso nacional que vivem de barganha.

Apesar de contar com um ministro da Fazenda que está ficando atolado com índices de retração que não pararam de dar marcha ré até agora, está claro que Henrique Meirelles não um desses economistas que Alexandre Schwartsman taxaria de “quermesseiro keynesiano”.

O ministro da Fazenda já reafirmou que “tudo indica” que não será necessário aumento de tributos para ajudar as contas públicas do país, sobretudo diante dos sinais de recuperação da atividade econômica e que devem alimentar a arrecadação. Além disso, acrescentou ele, o governo deve contar com receitas provenientes de privatizações, concessões, entre outras. Todavia, a maioria dos índices econômicos não pararam de engatar marcha reversa, as pequenas melhorias em alguns apontadores de recuperação deixaram de movimentar-se positivamente.

E agora Meirelles? O que esperar de ti? O que esperar do governo perdulário que faz gastança de verbas para manter uma base de parlamentares incautos e profanadores dos cofres públicos? Renan, numa ação de retaliação quer combater os “super salários” dos servidores, em especial do Poder Judiciário. O Planalto disse que iria cortar os cabides de emprego do aparelhamento estatal petista, mas tudo isso até agora foi apenas um conto da carochinha para boi dormir. Então o que esperar para os próximos meses do governo Temer na área política e econômica que fica correndo atrás do próprio rabo?

O ministro da Fazenda já palestrou diversas vezes mencionando que: “A realidade objetiva é que o Brasil tem uma dívida bruta pública muito elevada para o nosso nível atual de desenvolvimento. Essa é uma realidade que fizemos questão de declarar, a realidade tal como ela é” Disse ainda que: “Para se enfrentar um problema é muito importante que o problema seja reconhecido, explicitado e a partir daí possa ser enfrentado. Esse é o ponto fundamental”. Esse é o diagnóstico, mas onde está o tratamento sendo feito caro ministro? O reconhecimento do problema fiscal brasileiro e da real situação das contas públicas, com o reconhecimento da meta de déficit primário da ordem de 170,5 bilhões de reais e uma previsão de uma meta de 130 bilhões para o próximo ano é sem dúvida um alerta que as coisas não tendem a melhorar em curto prazo.

A queda gradual da receita tributária, da arrecadação em função da crise na atividade econômica do país e falta de confiança com a solvência do país é outro problema do governo. Meirelles sabe que tudo isso é como um problema de saúde, onde a primeira coisa é fazer o diagnóstico correto e depois examinar se o paciente tem condições de enfrentar um tratamento rigoroso com cortes de elementos nocivos a sua saúde e tomar remédios fortes que o farão melhorar.

Assim sendo, não basta o remédio ser apontado com precisão, tem que haver colaboração do paciente tendo uma postura mais saudável ante a enfermidade. Hoje, o governo é um como se fosse um sujeito com obesidade mórbida, que não para de comer tributos e gerar colesterol ruim, isso é, come um alimento que não o nutre e ainda por cima sustenta os parlamentares que causam uma série de problemas ao país por serem deletérios a saúde política do paciente.

Arrecadação escassa e gastos excessivos com parlamentares e Poder Judiciário nababesco sem dúvida não farão fechar a conta no saldo positivo. Então por que não cortar os dispendiosos gastos com as folhas de pagamentos do Legislativo e Judiciário? Por que raios o ministro não toma uma medida nessa direção de forma contundente e acaba com a farra e esse câncer que corrói o governo há décadas? Será que ele é um médico da economia que não quer tratar do paciente de forma completa? E agora Dr Meirelles? Aplicar injeção na testa não vale!

 

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Esquerda e Direta são conceitos do passado?

A esquerda continua no processo de derretimento irreversível em diversos establishments onde a democracia e liberdade de expressão são as ferramentas para banir os políticos alinhados com a esquerda. É também essencial não deixarmos a direita autoritária livre para oprimir em outros lugares ou tomarem o espaço vazio deixado pela esquerda populista. Nunca se esquecendo é claro, de continuar a pregar o caixão do marxismo e suas ideologias auxiliares.

O próximo front dessa batalha será na França ano que vem. Aguardemos o desenrolar dos efeitos negativos e positivos da eleição de Donald Trump, pois esse fato será pano de fundo para que a extrema direita angarie mais adeptos e vitórias eleitorais em vários lugares da Europa no futuro.

Depois do desmanche do bloco socialista e da incontestável constatação de que o paraíso do proletariado não passa de lorota, as coisas começaram a mudar em vários lugares do mundo desde a queda do muro de Berlim. A visão de mundo de esquerdistas e direitistas convergiu a ponto de ser hoje muito difícil  apontar diferenças significativas. Cada uma das duas correntes de pensamento deu um passo em direção à outra.

Desencantados com experiências fracassadas, os socialistas já não preconizam intervenção do Estado em todos os meandros da sociedade. Por outro lado, assustados com o liberalismo excessivo que levou ao baque econômico de 2008 a direita já reconhecem a necessidade de uma certa dose de regulação por parte do Estado na economia e intervenção direta nos mercados financeiros.

Diante disso, falar em esquerda e direita faz menos sentido a cada dia que passa. Assim mesmo, clichês têm vida longa. Na Europa, jornalistas e analistas ainda fazem questão de colar uma etiqueta na testa de mandatários e de partidos. A força do hábito faz que apliquem automaticamente os mesmos parâmetros a políticos e à política de países longínquos.

No Brasil depois de quatro mandatos com presidentes de esquerda há uma evidente antipatia aos partidos e políticos de viés socialista. Para todos analistas mundo a fora Evo da Bolívia, Maduro da Venezuela, os irmãos Castro de Cuba, Rafael Correa do Equador e outros tantos políticos latinos são classificados como políticos de esquerda e ditadores populistas. Outros como, Michèle Bachelet do Chile, Mauricio Macri da Argentina, Horacio Cartes do Paraguai são taxados como de direita.

Não compartilho dessa percepção. A linha divisória entre campos políticos na América Latina não passa entre esquerda e direita. Dizer que nossos mandachuvas se dividem entre sérios e populistas estaria mais próximo da verdade. Os europeus e norte-americanos têm enorme dificuldade em se dar conta disso.

Os sérios podem ser partidários de maior ou menor intervenção do Estado ‒ não é essa a marca que os distingue dos outros. O mesmo vale para os populistas. A diferença mais marcante entre eles é que os sérios, que se tornaram mercadoria rara, vendem pastel com recheio. Já os populistas ‒ que, no Brasil, ocupam o topo da pirâmide há vários anos ‒ vendem pastel de vento.

 

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Trump fechou o cerco!

Sejamos honestos e sensatos. Desde que o Sarkozy levou um pau na França com a eleição do Hollande, devido o povo lá ser anos luz mais politizado rejeitando os erros da situação e votando na oposição ao governo em peso, foi desse momento em diante que a possibilidade, mesmo que remota, do Trump ser eleito passou a ser desenhada pelos estrategistas eleitorais.
 
Depois disso ainda houve referendo na Colômbia e Brexit e outros eventos onde a opinião que o fechamento ao contexto interno nacional em todos os sentidos se tornou uma grande tendência. Se voltar a se repetir na França com o eleitorado retirando Hollande, elegendo Le Pen, e deixando Sarkozy chupando o dedo mais uma vez não será novidade.
 
Trump foi eleito explorando erros do governo Obama, aproveitando a insatisfação do americano obeso, branco, armamentista, que vive no interior do país. Foi justamente esse tipo de cidadão que votou em Trump em massa. Essa parcela da população não convive com a insanidade dominante dos grandes centros urbanos onde pautas da economia doméstica são deixadas de lado dando maior espaço para ideologias canastronas propagadas pela mídia de aluguel. Foi um cerco que foi sendo fechado e não contabilizado pelos métodos de pesquisas eleitorais falhos e ultrapassados.
 
Os democratas contavam com votos dos estados do Centro-Oeste, por causa do tradicional apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump. A importância dessa classe para os democratas tinha sido subestimada em projeções feitas antes do pleito, segundo o jornal “The New York Times”. Analistas dizem o apoio desses trabalhadores a Obama já tinha sido menor em 2012, principalmente pelo receio de perder o emprego para outros países. Os trabalhadores rurais de estados centrais e do Norte também escolheram em peso o republicano e fizeram diferença no resultado.
 
Hillary não ter consistência eleitoral na Florida, Michigan e Pensilvânia e até mesmo Vírginia abriu caminho para Trump encaixar colégios eleitorais importantes no resultado final e enterrar de vez a candidata democrata. Em Utah, Hillary estava empatada com o candidato independente McMullin, isso revela o quanto ela não soube explorar em campanha estados onde poderia ter vencido, mas sucumbiu deixando Trump vencer com ampla vantagem.
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Trump make history again

A vitória de Donald Trump representa a vitória do inesperado! Confesso que preferia a Dona Clinton por motivos econômicos mais fáceis de serem contabilizados em curto prazo dada a influência do poder político do EUA interferir diretamente no mercado mundial.
 
 
No entanto, em médio a longo prazo os mercados tendem a precificar a vitória de Trump e tudo voltará a ter um ponto de equilíbrio dentro dos padrões aceitáveis a longo prazo. Se isso não acontecer se preparem para um crise econômica afetando diretamente todos os ajustes fiscais feitos no Brasil no presente momento.
 
Trump não é vitória da civilização ocidental contra a suposta diabólica máquina de destruição da liberdade referendada pela chamada elite globalista do politicamente correto. Ele apenas representa, ao mesmo tempo, uma vitória do povo americano contra os políticos tradicionais ligados ao establishment americano e contra a mídia tendenciosa que cria gargalos de massas de manobra e enfoques distorcidos da realidade. Em face desses dois pontos chaves a vitória do movimento trumpista é estupenda, mas não significa que será algo concreto ao decorrer do tempo, pois o sistema irá se regenerar e retornar ao epicentro do cenário com força em breve, ainda mais devido a polarização inegável que existe no EUA nesse momento.
 
O Tio Sam não é nenhuma republiqueta bananeira onde um único político e seus adeptos irracionais será capaz de arruinar as estruturas institucionais duma vez por todas como os pessimistas anti-Trump acham em cumplicidade com o jornalismo de aluguel. Se vitória de Donald Trump representa a derrota do establischment, especialmente da grande mídia e dos institutos de pesquisa que mentiram de forma desavergonhada no EUA, isso é tão somente uma amostra grátis que o cidadão mediano ainda é facilmente manipulável por discursos demagogos e bem posicionados dentro do contexto eleitoral, político e econômico.
Aqueles que se informaram por meio da mídia independente sem se deixar levar pelas grandes emissoras de comunicação têm agora a prova concreta de que houve um revés inesperado contra a grande mídia. E isso é muito saudável para qualquer democracia se tornar mais consistente e crítica quanto ao seus governantes e sistemas administrativos.
 
O resultado final da eleição americana demonstra que o Partido Republicano fez barba, cabelo e bigode. Além da Presidência o partido tem maioria ampla tanto na Câmara dos Representantes (deputados) como no Senado. Agora é deixar a história continuar a ser escrita no EUA, no Brasil e no mundo sem se deixar levar por achismos e conclusões apressadas. Enquanto isso, Hillary Clinton chora histericamente e seu velório político terá o cortejo fúnebre dos democratas que deixam o poder sem deixar um legado consistente a ser seguido.
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Hillary wins!

Dentre todas as corridas presidenciais americanas, a de 2016 talvez entre para a História como marca da infâmia e da falência do processo eleitoral dos Estados Unidos: os dois piores candidatos lideram as intenções de voto praticamente isolados. Pelo Partido Republicano, está Donald Trump, a cara do corporativismo e do protecionismo que destroem os valores essenciais dos Founding Fathers, enquanto, do outro lado, coloca-se, pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, símbolo da corrupção e do belicismo imperialista. Infelizmente, o candidato Gary Johnson, do Partido Libertário, pontua não mais que 10% das intenções de voto em vários estados – o que, portanto, é insuficiente para vencer o pleito.

Hillary Clinton acabará sendo eleita.

A eleição de Hillary não é mero palpite (tampouco uma esperança do autor). Mas dados não podem ser ignorados: existe uma pesquisa de 2011 sobre a influência da mídia nas eleições americanas que embasa essa afirmação.

Seguindo os pressupostos e a conclusão trazida por uma pesquisa de Chun-Fang Chiang e Brian Knight, Hillary Clinton venceria as eleições americanas porque conta com o apoio de veículos midiáticos com credibilidade e maior neutralidade. E não é porque a CNN, por exemplo, é um polo de clara influência democrata e faz propaganda para Hillary.

A pesquisa de Chiang e Knight foi feita 2011, mas enquadra perfeitamente a realidade atual dos Estados Unidos. Trata-se de uma investigação da relação entre o viés da mídia e a influência da mídia em um contexto de recomendações de voto por parte desses canais midiáticos. O modelo econométrico considera que muitos eleitores confiam em fontes melhores informadas – como jornais – para balizar seu voto. Mas, como jornais e mídias em geral já assumem um viés favorável ou contrário a determinado candidato, os eleitores filtram esses apoios ou rejeições com base na credibilidade do apoiador. E a realidade, por sua vez, demonstra recomendações de voto por parte de veículos midiáticos influencia, sim, a decisão de eleitor, bem como o grau dessa influência depende do nível de credibilidade do emissor da mensagem.

Entretanto, vale notar que o apoio a candidatos democratas por parte de um canal tradicionalmente mais de esquerda não tem tanta influência como o apoio de um canal neutro ou mais tendente à direita. E o mesmo vale para um candidato republicano: maior será a influência sobre a decisão de voto das pessoas se a recomendação vier de um canal neutro ou de esquerda. Ou seja, se a CNN apoiar Hillary, o efeito sobre os eleitores não será tão expressivo quanto um apoio do The Wall Street Journal. Da mesma maneira, se a FOX News apoiar Donald Trump, o efeito não será tão significativo quanto um apoio do The New York Times.

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Segundo um levantamento feito pela The Economist, a maioria dos veículos midiáticos apoia Hillary Clinton. Além disso, veículos tradicionalmente mais tendentes aos republicanos recomendaram voto não em Trump, mas em Hillary, como Columbus Dispatch, Arizona Republic and Richmond Times-Dispatch, que haviam apoiado republicanos nas últimas nove eleições. E o próprio quadro editorial da The Economist, extremamente respeitado por sua credibilidade e afinco aos dados da realidade, recomendou voto na democrata. O USA Today, que nunca fez recomendações eleitorais, mesmo não apoiando Clinton, lançou uma campanha “não vote em Trump”.

As recomendações de voto por parte dos jornais tendem a favorecer o partido de oposição. Em 2008, na primeira eleição de Obama à Presidência dos Estados Unidos, o candidato contava com o apoio de 71% da mídia. Já em sua segunda eleição, esse apoio caiu para 56%. Entretanto, esse não é o contexto em uma eleição com Donald Trump: sua rejeição pesou muito mais. A grande mídia está com Hillary Clinton.

Evidentemente que a eleição de Hillary Clinton não é uma certeza. Entretanto, tudo indica que a candidata democrata deverá vencer o pleito e se tornar a próxima Presidente dos Estados Unidos da América. Imprevistos, naturalmente, podem acontecer: todas as intenções de voto em Hillary podem não refletir a ida do eleitor às cabines de votação, enquanto o eleitor de Trump coloca-se como um agente engajado e comprometido com a campanha do republicano. Mas os dados históricos apontam: Hillary vai levar.

Trump é o candidato dos tapados!

 

Jornal da Klu Klux Klan é pró Trump. E sim a KKK é cristã, eles se autodenominam: “Voice of White Christian America”. Num mundo cheio de extremistas religiosos e demagogos econômicos colocar um sujeito que represente essas duas tendência (além de outras nocivas ao livre mercado e liberdade social) no assento da Casa Branca parece ser modinha bem aceita pela maioria…

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Trump defende coisas do tipo: Mesquitas vigiadas, suspeitos torturados. Trump defende que mesquitas em solo americano sejam postas sob vigilância dos serviços de inteligência como parte de esforços para combater a radicalização de muçulmanos. O bilionário também defende que suspeitos de terrorismo sejam torturados para confessar seus supostos planos. E argumenta que o que classifica como “métodos rigorosos” de interrogação são mais brandos, por exemplo, que as execuções levadas a cabo por militantes do grupo extremista autodenominado “Estado Islâmico”. Ao que tudo indica Trump não preza a liberdade de culto e acha que todo e qualquer muçulmano venha ser um terrorista em potencial.

Trump promete, se eleito, construir um muralha na fronteira dos EUA com o México para conter a imigração ilegal no país. Para ele e seus fãs a construção serviria também para combater o crime organizado no país. Se já é questionável sob vários aspectos, a muralha de Trump causou ainda mais furor por conta do argumento de que a conta da obra, girando em torno de US$ 2 bilhões a US$ 13 bilhões, a qual teria que ser paga, pasmem, pelo governo mexicano.

Além de culpar imigrantes ilegais pela criminalidade nos EUA, Trump propõe deportar 11 milhões deles – uma iniciativa criticada por ser considerada xenofóbica e de custos proibitivos, estimados em mais de US$ 100 bilhões. Além disso, o candidato republicano quer revogar a lei que dá cidadania americana automática a filhos de imigrantes ilegais nascidos em solo americano. Para Trump se você não é “white american citzen” você só pode ser um “la cucaracha” com tendências para criminalidade.

Trump no setor econômico e comercial ainda promete impor precondições à China para que continue fazendo negócios com os EUA. Se eleito, ele diz que fará Pequim abandonar a política de desvalorização do yuan e que forçará o país a adotar melhores condições de trabalho e melhores políticas ambientais. Mas ao mesmo tempo em que defende “água e ar limpos” como pontos importantes para os outros, o candidato considera “fraudes” as pesquisas sobre mudanças climáticas. Trump é contrário a restrições ambientais a atividades econômicas, sob o argumento de que isso torna as empresas americanas menos competitivas no cenário global.

Trump quer reduzir impostos e isentar de tributação americanos que ganhem menos de US$ 25 mil por ano. Ele também defende que a alíquota de imposto para grandes empresas seja de 15% e oferece para multinacionais a chance de repatriar seu dinheiro para os EUA a uma taxa de apenas 10%. No entanto, analistas financeiros alegam que alguns pontos de sua política fiscal farão com que ricos paguem menos impostos.

Daí virão os bolsominions e dirão que esse argumento não cola. Mas sabe o que não cola, é o argumento que não cola, geralmente quem defende o Trump cegamente, também defende o Bolsonaro cegamente achando que ele é um genérico do Trump made in Brazil ou vice versa. Essa concepção tacanha e idolatria a personagens políticos sempre terminou em regimes ditatoriais ou totalitaristas ou no mínimo em excrescências que ofendem a dignidade das pessoas de várias formas através dos governos quando eleitos.