Lobos em pele de cordeiro

Aparentemente na prática eles rejeitam a Era Lula e as medidas do ajuste fiscal de Dilma que retiram direitos dos trabalhadores.  Em suas falas cheias de brios e apoio irrestrito às causas sociais dizem optar por uma ideologia menos esquerdista. Na prática, entretanto, quando debatem sobre política ou votam em eleições, o amor cego e virulento pelo PT vem à tona nos momentos em que ficam sem argumentos. Sem dúvidas é uma tarefa difícil padronizá-los com clareza. Procure-os nas redes-sociais, twitter, nas ruas, nas escolas públicas, nas tendenciosas aulas de ciências humanas do Ensino Médio. Procure-os no Leblon, no Morumbi ou em qualquer área cuja confortabilidade permita pensamentos fáceis, idílicos e cômodos sobre a complexa realidade brasileira.

Muitos destes lobos em pele de cordeiro, de maria vai com as outras, foram forjados pela mentalidade lulopetista de inibição às liberdades individuais, mas quando se sentem acuados pela vergonha ante a corrupção desenfreada da máfia vermelha, os petistas enrustidos ficam em modo de espera, aguardando que algo de bom acontece para soltarem mostrarem suas presas ofídicas. Nas entranhas das discussões sociopolíticas sobre temas relevantes ao país, esses cidadãos são os cães de guarda, os pinschers voluntários não assumidos do Governo Federal contra os chamados golpistas burgueses que ousam criticar o status quo. É interessante, dito isso, analisar o surgimento desse curioso grupo social que assola as redes sociais e emana insidiosamente veneno petralha.

Com sangue nos olhos e facas nos dentes sabemos que os petistas assumidos  mais fanáticos não recuam nem mesmo ante a notícia do escândalo mais escancarado e escabroso envolvendo seus políticos. Não largam o osso nem mesmo que a vaca tussa. Permanecem fiéis à causa lulopetista. Continuam atacar com tacapes e pedras retóricas a elite branca paulista mesmo sabendo que Lula confraterniza tomando Black Label e Chateau Lafite Rotschild com os abastados da alta roda paulistana. No entanto, existem desertores que ficam na penumbra esperando o melhor momento para reintegrar as tropas de asseclas do PT. A covardia impressa em ambos os grupos beira a demência.

Eis os fatos:

Em 2005, o escândalo do Mensalão desmoralizou para sempre a ilusória imagem de ética e humildade do Partido dos Trabalhadores. Desapontados, alguns de seus eleitores mais desiludidos migraram para outras vertentes, mais à esquerda, como o PSOL que passou a ser a principal casamata da maior parte dos ex-eleitores do PT. Outros foram buscar arrego no PSB, mas quando Eduardo Campos compactuou com Aécio foram os primeiros a caírem fora. Assim sendo, mesmo após o escancaramento do maior esquema de compra de votos financiado pela  maior roubalheira da história política contemporânea brasileira, mesmo assim, eles nutrem simpatia pelo PT e suas estratégias sórdidas no fundo de seus corações esquerdopáticos.

lulafabrica

Para os amantes da velha falácia da ética petista que são indivíduos, digamos, mais tolerantes com a corrupção, até mesmo para eles o Mensalão não provocou mais do que uma espécie de recuo ideológico estratégico. Cientes de que defender abertamente a quadrilha de José Dirceu e seus camaradas no auge do fogo cruzado seria um suicídio ético para efeitos argumentativos, eles se omitiram, se calaram e quase se alienaram politicamente. Para desencargo de consciência, alguns deles, no máximo, criticavam timidamente o Governo Federal e diziam que Lula e Dilma não tinham sido contaminados pela ganância e sede de poder de alguns de seus adeptos. A contradita maior veio com o caso do Petrolão, com a Lava Jato, com a CPI do BNDES que abrirá a caixa de pandora das trevas petistas. Desta vez, não haverá choro e ranger de dentes, mas sim uma atípica massa de manobra dizendo que são todos farinha do mesmo saco repetindo à exaustão o já dito por João Vaccari na CPI da Petrobras dias antes de ser posto na carceragem da PF em Curitiba.

Será mera questão de paciência aguardar que esta profecia se confirme no plano fático cada dia mais com maior veemência por parte dos incautos militantes das hordas petralhas que reagem a tudo ora como cobras a espera do momento perfeito para o bote ora como raposas que atcam galinheiros. Como eles já sabem, o melhor remédio para apagar a memória de uma população caduca como a brasileira, além de uma equipe publicitária de marqueteiros inegavelmente competente, é o tempo. Portanto, às vésperas das eleições de 2018, quando tudo possivelmente estiver mais calmo e sereno, se até lá o PT não tiver sido extinto por confundir política com ladroagem, será nessa época que os velhos desertores voltarão para infantaria e vociferarão contra tudo e contra todos de peito aberto, cara lavada e sem ressentimentos com o PT ladrão de sempre.

Com agressividade subserviente de mercenários, cinismo e arrogância típica de escroques como José Genoíno, e mentalidade típica de Maria do Rosário e Sibá Machado, eles passarão a proteger novamente seus gurus engravatados como hienas. Qualquer pequena crítica à gestão petista que já se tornou razão para desentendimentos graves, inviabilizando a possibilidade de uma relação saudavelmente diplomática e respeitosa entre partes discordantes será uma declaração de guerra para eles empunharem as marretas e foices retóricas futuramente com maior devoção. A pluralidade ideológica, tão sagrada em uma democracia, deixou de ser bem-vinda em debates político-partidários e no amanhã será algo relegado a conversas subversivas contrárias a ordem do dia da agenda normativa do lulopetismo.

Impera durante todo esses anos da era Lula e Dilma a retrógrada lógica maniqueísta, destarte, que cataloga liberais e esquerdistas, respectivamente, como vilões e mocinhos de um pseudo-romance socialista. Para os petistas desertores e foragidos das linhas de frente do embates acalorados contra o PT nos dias atuais, mesmo para eles em suma, não há meio-termo: todo aquele que ousa não defender a totalidade do Brasil socialmente melhorado e cheio de grandes feitos do governo Lula e Dilma mistificado pelo PT é automaticamente um antipatriota e inimigo nacional golpista, membro duma elite podre que precisa ser extirpada do seu status quo. Não é mera coincidência, nesse ponto, qualquer semelhança ao “ame-o ou deixe-o” bordão do governo ditatorial de Médici há quatro décadas atrás.

Embora a maturidade democrática do país nos dois períodos seja incomparável, são notórias as similaridades no quis diz respeito ao tom ufanista e megalomaníaco desses defensores petistas e de propagandas governamentais. Neste tempo de fúria e brados retumbantes de todos os lados, seja nas ruas ou nas galerias do congresso nacional, estamos vendo nascer um país que foi dividido e fragmentado em classes por uma ideologia marxista gramsciana que prevê o script do caos como forma de governar sobre tudo e todos sem ser questionado. Bem vindo ao Brasil onde aqueles que no passado eram terroristas e caguetas, mas hoje são ídolos duma democracia que vive de mancadas e cambalachos. Estamos presenciando a era pós Lula, na qual o temperamento da idiossincrasia pelega que idolatra o caudilho no poder é modo de ser aceitável nas melhores famílias, cujos filhos e filhas são empadinhas, ou dos bastardos de outras, que são mortadelas segundo os estudos que indicam quem recebe e não o Bolsa Família carro chefe da sanha eleitoral fraudulenta. Sem falar daqueles que viram no FIES algum dia um meio de quitar a prestação do diploma superior arruinados.

foto dilma na rev.época

Nesse contexto de enredo de samba do crioulo doido do caos político social, a fúria desses petistas à simples existência de uma oposição – e, por tabela, da liberdade de expressão – se evidenciou com nitidez nos protestos de Junho de 2013 e no caderno de teses do PT de 2015 nas ruas do Centro Cívico de Curitiba. Assim que a ficha caiu e perceberam a toada antigovernista do “Fora Dilma” tomando conta das ruas e redes socais, houve uma camada de buchas de canhão que reiterou nos mesmos lugares a declaração de que quem é favor de reformas socioeconômicas estranhas à lógica petista de dominação são golpistas e elite nociva a tão sonhada democracia socialista dilmista coração valente. Eles propagaram, internet afora, uma teoria conspiratória estapafúrdia que tomou maior forma nas palavras de Sibá Machado dizendo que tudo é uma conspiração da CIA para arruinar a sólida democracia brasileira. Lançando mão de um argumento que comoveria George Orwell na época de Animal Farm, os petistas do armário alertaram para o perigo de um novo golpe militar de extrema-direita ora defendido pelos lacaios de Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro.

Para tanto, compararam as capas dos jornais atuais às de 1964 como estratégia pérfida preferida, ignorando com conveniência o abismo contextual que separa os dois períodos históricos. Diante de tal expediente esdrúxulo coube ainda ao PSOL entoar cânticos em louvor a Maduro e Fidel e seus capangas do regime dizendo que democracia real e verdadeira é a da ilha regada a sangue e rum, ou aquela das ruas de Caracas cujo povo se manifesta sentindo no peito o baque do chumbo grosso repressor do governo bolivariano chavista.

No dia a dia, além de não aceitar manifestações legítimas por um país mais justo, as ovelhas do governo, em algumas ocasiões, como é típico de correntes fascistas e autoritárias, chegam a defender a censura à imprensa sob a falácia de regulação econômica da mídia. O argumento não varia muito: quando não concordam com alguma opinião ou percebem uma posição implicitamente contrária à gestão vigente, defendem o conceito de que, por ser parcial, determinado órgão da imprensa não consiste em jornalismo. E foi aí que surgiu o conceito altamente covarde do PIG. Como se existisse imparcialidade no jornalismo e este não tivesse o dever, a obrigação de fiscalizar o governo com liberdade e autenticidade. Ora, uma lógica diferente dessa, vale ressaltar, não passa de armazém de secos e molhados, como diria Millôr Fernandes.

Essa função fiscalizatória, porém, não deve – ou pelo menos não deveria – ser de responsabilidade apenas da imprensa. Nesse sentido, cabe a cada um, mais do que votar a cada dois anos, exercer seu direito à cidadania, sem se deixar intimidar pela presidência ou por grupos autocráticos. Ninguém se torna necessariamente elitista ou lobo mau antipatriota por não se deixar manipular pela publicidade grandiloquente do governo ou por discursos distorcidos. Um senso crítico, aliás, é o mínimo que se espera de um indivíduo pensante em uma democracia que se preze – ainda mais em uma pátria com tantos problemas socioeconômicos.

A postura questionadora, mesmo quando um pouco exagerada, certamente é preferível ao posicionamento de alienação e negligência diante dos erros dos governantes do Brasil. Nações sem oposição tendem à acomodação e ao consequente fiasco. Não se constroem os alicerces de uma torre com engenheiros apáticos e bajuladores. Nem mesmo numa Suécia ou Reino Unido parlamentar todas as cadeiras são do partido da situação. Há vozes contrárias o tempo todo ecoando em face ao governo, e melhor ainda, há a possibilidade do time sharing de forma mais civilizada e rotineira movidos  principalmente por atributos como idoneidade, ética e competência. Justamente isso que está em falta ou mui escasso, melhor dizendo, num eterno volume morto na administração pública brasileira. Além da sempre imprescindível sanidade mental e lógica, se exige moralidade e não um monte de bazófias ditas por um sujeito bêbado e desprovido de razão que ainda quer mandar naquilo que ajudou arruinar.

Por essas e outras, tomemos cuidado com os lobos em pele de cordeiro que rodam a democracia do Brasil, não para devorar a chapeuzinho vermelho, mas sim usar a mesma como propaganda para aceitar que o lobo mau é politicamente correto.

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 11 de maio de 2015, em Política e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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