Quebrando o cofrinho do Requião?

Ano passado recebi uma proposta para prestar consultoria jurídica na eleição do PT-PR. Não aceitei devido a ter tomado conhecimento por outras vias que o levantamento em relação as contas das campanhas do partido no estado estavam sob análise do Tribunal Eleitoral competente e acompanhados com grande interesse pelos Procuradores Federais da Operação Lava Jato.  Por outro lado, não havia cabimento aceitar patrocinar consultoria ao partido devido discordar das ações governamentais do mesmo em todas as esferas. Portanto por uma questão de ética e princípios profissionais recusei a generosa oferta do Partido dos Trabalhadores para servi-los numa área que me especializei no campo acadêmico e profissional, a saber: lavagem de dinheiro e causas eleitorais no quesito de financiamento de campanha. Esta última simultaneamente devido minha trajetória profissional no interior paulista em defesa de outros partidos e candidatos com contas reprovadas que se assemelham ao PT na operação de caixa dois de campanha.

Nessa última nesta sexta-feira (13), outro levantamento, esse já ligado aos autos da Lava Jato e noticiado pela mídia do Paraná mostra que a senadora Gleisi Helena Hoffmann (PT), que aparece na lista do PGR Rodrigo Janot como beneficiária de recursos desviados da Petrobras, financiou a campanha de toda a bancada estadual eleita pelo Partido dos Trabalhadores no Paraná em 2014. Os deputados Tadeu Veneri, Professor Lemos e Péricles Mello receberam de Gleisi, respectivamente, R$ 54.016,00, R$ 126.617,00 e R$ 165.832,00.

As doações suspeitas nas campanhas dos deputados paranaenses não se limitam aos recursos distribuídos pela senadora Gleisi Hoffmann. Também o ex-deputado federal André Vargas (ex-PT), cassado no ano passado por associação com o doleiro Alberto Youssef, fez um verdadeiro derrame de dinheiro em forma de doações na campanha de 2010. Nada menos que R$ 893,9 mil para 32 candidaturas, sendo que parte significativa desses recursos foi parar nas contas dos mesmos deputados do PT, reeleitos em 2014 com os recursos distribuídos por Gleisi. Menos generosa que Vargas, a senadora petista igualmente distribui recursos – R$ 352 mil aos seus associados e apadrinhados políticos.

O levantamento exposto na mídia do Paraná chamou a atenção, mais uma vez, para o deputado estadual petista Tadeu Veneri, habitual e implacável crítico de desvios éticos de qualquer natureza, que agora frequenta com certa regularidade episódios nebulosos.  Em 2011, o mesmo foi investigado pelo Ministério Público pelo uso irregular de verbas de gabinete. Entre seus financiadores de campanha aparecem novas surpresas. Além de André Vargas e Gleisi Hoffmann, que têm como denominador comum o doleiro Alberto Youssef, também aparece na contabilidade de Veneri uma empreiteira alvo das investigações da Operação Lava-Jato.

Apesar de ser um crítico feroz dos pedágios e das Parcerias Público-Privadas, Tadeu Veneri foi o único candidato da Assembleia Legislativa do Paraná a receber doação da construtora Norberto Odebrecht. Na prestação de contas da campanha de Veneri, entregue ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, há o registro de duas contribuições com recursos da empreiteira: uma de R$ 71.250,00 e outra de R$ 142.500,00 – totalizando R$ 213 mil. Por incrível que possa parecer, é justamente a construtora Odebrecht quem está encarregada da duplicação de rodovia no Paraná, obra que contará com pedágio.

Não obstante disso, há uma suspeita de correlação ainda com outras campanhas aliadas com outros partidos e candidatos que já disputaram eleições estaduais e para mandatos federais posteriormente. A ligação é mais uma vez com dinheiro advindo de empresas do setor de construção de grandes obras que se coadunam com obras feitas no estado durantes as gestões passadas à época em que Lula era Presidente da República e contava com farta camada de apoio pelo governado do estado do Paraná.

Essas e outras ações deverão todas ser investigadas pela Operação Lava Jato nessa fase de investigação do núcleo político ligado aos casos de propinas e financiamento ilegal de campanha de diversos governadores, como no caso Tião Viana (AC) Luiz Fernando Pezão e do ex-governador Sérgio Cabral do estado do Rio de Janeiro entre outros suspeitos.

Perante isso, há que se recordar um fato que pode se ligar com tudo isso: Documentos, recibos e anotações de próprio punhos esquecidos na gaveta de um cofre no Palácio das Araucárias em 2010 revelam detalhes da contabilidade pessoal de Roberto Requião (PMDB) e de como ele operava seu caixa 2 entre 2003 e 2010. São cópias de empréstimos e pagamentos em dólares no Brasil e no exterior, certidões de transações imobiliárias, recibos assinados por terceiros e pela mulher do senador, Maristela Requião, cópia de depósito na conta pessoal de Maristela e o envolvimento de um secretário direto de Requião nos negócios da família do senador. Os papéis serão entregues ao Ministério Público, e uma das suspeitas é que pelo menos uma das operações tenha servido para lavar ou esquentar dinheiro desviado.

Diante desses fatos aguarda-se que a Operação Lava Jato elucide a origem dessas doações de campanha e seus destinatários políticos finais e que se houver irregularidade que se puna os envolvidos.

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Sobre Aloprado Alonso

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Publicado em 14 de março de 2015, em Uncategorized e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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