Jair Bolsonaro versão “estupra mas não mata”

Dizem que a política numa democracia sólida é a capaz de reger as diferenças alicerçada na justiça e dignidade humana. No Brasil as coisas parecem que não são bem assim.

Na filosofia política clássica há o ensinamento de cada individuo isoladamente não pode ser medida para todas as coisas, e também que cada indivíduo isoladamente é fraco para defender seus interesses e ideais por si só. Ante a isso, é por tal razão que temos a política e a justiça como uma forma de reger diferenças entre as pessoas.

O discurso individual passa a ser político quando encontra eco dentre outros indivíduos que compartilham e comungam das mesmas opiniões e visões sobre determinado assunto ou interesse. Quando uma fala isolada dum cidadão encontra adeptos em outras pessoas isso torna-se uma forma de influência política sobre certa parte da sociedade. Assim sendo, quando o Deputado Jair Bolsonaro pela sua exuberância retórica encontra na sociedade defensores para suas falas e opiniões tanto como o Deputado Jean  Wyllys do PSOL ou Lula encontram adeptos para suas teses e declarações mais polêmicas estamos trazendo diversas alegações e práticas dessas figuras para o cenário da influência política e tornando cada um deles porta vozes de determinados segmentos da sociedade em grande escala.

Sem dúvida o mal uso da palavra na política decorre quando o discurso é exercido sombriamente através de discursos que contradizem valores e costumes como aqueles que incentivam violência e perseguições. Sabidamente o discurso inflamado e polêmico de alguns políticos do nosso atual cenário em conjunto com uma prática política carismática são ingredientes que influenciam a opinião de muitas pessoas e por outro lado essa livre expressão é defendida por princípios democráticos.

Diante dos graves problemas sociais e humanos que nos cercam é dever do agente político e do cidadão comum fazer uso da palavra para defender suas teses e interesses sociais. Isso é totalmente permitido numa sociedade onde a livre expressão impera como valor constitucional e democrático. Ainda mais nas casas parlamentares onde quanto mais habilmente o político souber explorar o discurso para transmitir concepções e idéias melhor este parlamentar se posicionará em alguns assuntos ou cenários ou ao menos irá atrair a atenção da mídia e população para seus dizeres. Nesse caso o Deputado Jair Bolsonaro tem se saído como um mestre da retórica em seu favor e desfavor.

Bolsonaro fala com a franqueza e defende valores que a camada mais conservadora da sociedade costuma apregoar sobre os mesmos temas em conversas particulares. Os assuntos tratados por Bolsnaro em seus discursos são eco de como essa classe pensa e fala também. Isso por um lado atrai simpatizantes e por outro gera opositores que dizem que isso viola o direito de liberdade de expressão e outros direitos. Entretanto, os opositores que alegam isso, são em resumo muitos dos mesmos que querem calar a voz da imprensa nacional, e que tratam de outros assuntos livremente fazendo o uso da palavra da mesma forma espalhafatosa que geram o mesmo efeito que Bolsonaro gera para seus simpatizantes e opositores. Isso não pode ser detido, pois qualquer tentativa por menor que seja de tentar calar as vozes dos parlamentares ou populares é um ato anti-democrático.

Quando o Deputado Jean Wyllys defende que pedofilia é algo normal e que deve ser incentivado como experiência natural da vida sexual, por mais que isso seja chocante isso reflete que há uma camada da sociedade que não conseguimos identificar – a não ser nas páginas policiais na maioria dos casos – que pensa assim e identifica-se com essa fala. Quando Bolsonaro diz que a Maria do Rosário deveria ser estuprada também gera reverberação de péssimo tom na mídia e opinião pública, mas a questão que fica é: Esses políticos com suas declarações infelizes são anti-democráticos ou reflexo duma sociedade que padece duma consciência política de péssima qualidade?

O discurso de Jair Bolsonaro não serve apenas para uma parcela da população  radicalista ora dita como de direita assim como o discurdo de Jean Wyllys não serve apenas para a esquerda. Serve também para seus opositores uns dos outros, como é o caso do Deputado Jean Wyllys e a própria Maria do Rosário também fazerem mais barulho em outras ocasiões depois que o estardalhaço causado pelas fals de Deputado Jair Bolsonaro cessarem. Seja Bolsonaro ou Wyllys quando falam sabem que logo suas declarações serão assunto de dias nas redes sociais e na mídia. Nessa guerra de declarações escandalosas ninguém ganha, pois o debate político fica amaldiçoado por duas classes de indivíduos que não querem saber de democracia, mas sim de tirania e troca de insultos com fulcro em certos ideais e imposição de suas teses a ferro e fogo.

Quando vimos a transformação que o Wikileaks fez na forma de transmitir denuncias através dum simples site de internet, podemos também pensar em como políticos como Jair Bolsonaro e Jean Wyllys tem atrás de suas figuras seguidores mais radicais capazes de levar ao extremo suas bandeiras além do mero campo das palavras. A culpa do eleitorado nisso passa longe da discussão muitas vezes, porém deveria ser trazida como fator integrante dessa disputa de teses e declarações visto que um parlamentar fala em nome de seus eleitores e expressa o que eles aderem ideologicamente e politicamente como cidadãos.

Em suma Jair Bolsonaro detém o dever de ser porta voz de quase meio milhão de eleitores brasileiros que são basicamente numa correlação simples contrários a parcela que votou em Maria do Rosário ou Jean Wyllys. Entretanto, não vemos nenhum desses pólos da conversa em debates produtivos e cordiais sobre nada no Congresso Nacional. O que nos deparamos vez após vez são condutas nocivas ao debate político democrático de excelência que gera entendimento entre diferenças. Não vimos até agora no mandato deste debates e discussões políticas que realmente atendam as reais necessidades de pessoas que encontram nesse tipo de político defensores de seus próprios ideais com base na dignidade e justiça.

Ao elegerem políticos dessa monta, o eleitor está fazendo a democracia regredir aos tempos das lutas com tacapes e pedras onde uma tribo ou clã impõe sua consciência ou vontade em face à outra pela violência prática das palavras e atos. A diferença é que agora no nosso tempo essa luta é legalmente protegida por leis de imunidade parlamentar que vigoram por quatro anos de mandato.

Se querem mais quatro anos disso nas próximas eleições a escolha cabe aos eleitores que a priori corroboram com todas as declarações e condutas daqueles em quem votaram para os representarem politicamente.

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 10 de dezembro de 2014, em Política e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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