Procura-se um Ministro da Fazenda que não seja petista

Como diria o pseudo deputado federal que representa a grande maioria da população: “Pior que ta não fica” – Será?

Qualquer abestado coisado que saiba usar uma calculadora consegue perceber que a economia nacional anda em frangalhos e que se o próximo ministro da Fazenda não for alguém que saiba dialogar com o mercado financeiro e fechar as lacunas deixadas pelas pedaladas de Guido Mantega a coisa irá feder tanto quanto fiofó de gambá.

Por falar em Guido Mantega: Ontem o ex-ministro ainda em atividade que se arrasta no cargo feito um morto-vivo do Walking Dead deu declarações tão sem sentido quanto óbvias com se estivesse ora tentando manobrar um sabonete escorregadio no banho ou ora olhando para o céu e dizendo que o céu é azul.

Quem conhece o apego do brasileiro pela quantidade de dinheiro que entra e sai da sua carteira sabe muito bem que essa “nova classe média” turbinada por linhas de crédito e tarada por comprar eletrodomésticos e fazer pose com imitação de i-phone ficará em breve pau da vida se começar faltar cash para suas comprinhas a prestação, ou se começarem a ficarem inadimplentes num efeito avalanche, pois entre pagar a prestação daquela TV quatrocentas polegadas e dever no cartão, eles preferem fazer as duas coisas sem a menor parcimônia e planejamento.

Se o novo Ministro da Fazenda for fraco e dado a fazer “ajustes pontuais” como  seu antecessor isso é meio caminho andado para o desastre financeiro, sobretudo numa hora que decisões difíceis precisam ser tomadas como contenção da média inflacionária e redefinições fiscais para cobrir um Estado gigante com 90 mil cargos comissionados que aparelham o governo só no primeiro escalão. Fora a farra dos conselhos populares que querem instalar a todo custo. Ser Ministro da Fazenda num país onde as pessoas são apegadas ao dinheiro mais do que a própria esposa, filhos e mãe, isso é o mesmo que ser um avarento numa família de torradores de dinheiro, pois é o Ministro desta pasta quem tem o dever de dizer “não” aos demais ministros, em nome da presidente quando o assunto é grana

.

A grande pergunta do show do rombo bilionário do Tesouro Nacional é: Por que Guido Mantega não foi substituído até agora ora bolas do meu saco? A resposta é simples: Lula quis manter seu contador pessoal até surgir um nome que aceite ser bucha de canhão e tapar os buracos da desastrada Dilma que implantou o plano econômico do PT integralmente deixando de lado todos os pilares da era FHC. Assim sendo, Guido  só irá rapar fora quando o ex-presidente Lula assim decidir.

Daqui algumas semanas o Ministro Mantega que cumpre seu aviso prévio deverá fazer a “transição” ao novo ocupante do gabinete da Fazenda Nacional, isto é, ele vai dizer: “Toma aqui essa bronca agora é sua e veja o que patroa quer fazer e siga as ordens dela”. Como base na escolha do novo nome que irá ocupar o Ministério da Fazenda é que ficará evidenciado os caminhos que Dilma Rousseff escolheu tomar para gestão econômica no seu segundo mandato. Um nome igual ou à esquerda do atual ministro significará a ampliação da política supostamente desenvolvimentista, a mesma que desarrumou as contas públicas e desalinhou os preços relativos e gerou rombos nas contas públicas: Esse nome seria Aloísio Mercadante que iria apenas piorar o que Guido Mantega já tornou ruim.

Um nome mais conservador significará a sinalização de que a inflação, de fato, será combatida, isto é, Dilma teria que contratar um Armínio Fraga genérico para arrumar a casa com doses de pragmatismo técnico nada consensual com seu estilo de gerentona do PAC.

O grande problema ou equívoco é que a crença reinante no PT, mesmo depois de doze anos exercendo o poder se aproveitando da antiga política de FHC e se aproveitando dos bons ventos da economia mundial até 2008, é que a chamada teoria econômica convencional está errada na cabeça deles. Mudar essa crença dogmática de esquerdistas não é tarefa fácil, pois os petistas acreditam piamente em teses que vão desde teoremas econômicos sem sentido no plano fático, até outras teses que possam gerar até mesmo a tão temida coletivização forçada como era praxe na URSS.

Um ministro da Fazenda que entre cortando gastos e aumentando juros é tudo que o PT abomina e se depender de suas lideranças isso não acontecerá, mas por outro lado essa sangria já começou por ser evidentemente necessária para fazer as contas maquiadas do governo fecharem nesse ano. Isto é, o povo paga a conta do desastre da gestão Dilma. Quem votou nela e vai pagar tudo mais caro deve agora se calar e pagar seus boletos quietinho sem dar um pio.

Mas o fato concreto é que a inflação está subindo e está acima do teto da tal meta, e por mais que a mídia anuncie que está no teto não está. Saiam às ruas e vejam o preço do limão, cerveja e carne para ter um panorama básico da situação. O câmbio está depreciando e ora apreciado artificialmente essa bipolaridade só ajuda a especulação, os preços de tudo nas prateleiras estão desalinhados e o ministro que come caviar e toma champanhe em jatinhos diz que está tudo sob controle.

Ao escolher um novo nome os rumos do futuro serão imediatamente clareados para o mercado e se eles não endossarem o nome podem ter certeza que o juros será elevado na marra novamente pelo COPOM. Se, por exemplo, vier o Henrique Meirelles, teremos uma gestão sob a economia convencional. Se vier um Arno Augustin, teremos a persistência do desenvolvimentismo. Agora se for Nelson Barbosa, aí sim a coisa pode trepidar, pois o mesmo tem um ponto divergente com boa parte da atual e futura base aliada do governo: Ele defende um freio nos gastos em programas sociais, entre os quais se encontram as grandes vitrines dos 12 anos da gestão petista, os programas Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.

É bom que se diga que a chamada economia convencional é a única que fornece ferramental compatível com o combate aos problemas da crise econômica. Ela “sabe” que a lei da escassez existe e que o Estado não cria riquezas, quando muito a distribui através de pesados fardos para população economicamente ativa e com emprego via tributos que recaem mais onerosamente sobre os mais pobres. Assim, isso facilita   dilapidar boa parte do que se arrecada com impostos antes de chegar ao seu destino final.

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As leis econômicas são naturais e não sujeitas ao controle de nenhum governo. Ou as respeita, ou não. O que Dilma Rousseff fez nos últimos anos foi simplesmente ignorar as leis econômicas e aplicar cartilhas de contabilidade que só fazem sentido numa URSS onde todos os dados sobre economia são pura invenção ao arbítrio do mandante.

O desenvolvimentismo pretende ser a teoria alternativa para inspirar governantes. Sua raiz esquerdista é evidente e ela parte da crença de que tudo é vontade política, incluindo a escassez, e que a emissão de moeda para “desenvolver” a economia não é um problema em si, mas como sabemos é  um problema que gera outros problemas. Toda vez que os governantes brasileiros entraram nessa barca furada levaram o país à crise econômica. É precisamente essa a origem dos problemas econômicos atuais, que Dilma, enquanto presidente da República, quis pôr o pé no acelerador do desenvolvimento se endividando e fazendo contabilidade criativa para conseguir fazer pouco gastando muito. Isto é, Dilma deixou o país mais caro para pessoas mais pobres e gerou pouquíssima riqueza para quem deveria gerar mais riqueza. No mais permitiu que ricos ficassem ricos sem correrem riscos desnecessários.

Nesse cenário dos últimos anos Dilma conseguiu apenas fazer retornar a inflação, que se aproxima dos dois dígitos, e reduzir o crescimento do PIB. De quebra, ressuscitou o fantasma dos déficits na balança comercial, com os quais o país quebrará de novo e de novo e de novo até acertarem as contas internas e investirem em infra-estrutura  e outros setores como a industria. Pior do que isso, ela administra o câmbio, queimando as preciosas reservas internacionais como se fossem sacas de café, impedindo o ajuste natural via sistema de preços. Essa política está entrando em colapso e mais alguns meses dela o barco começa a fazer água e afundar.

Ao meu ver, não é apenas o nome certo para o Ministério da Fazenda que irá fazer tudo entrar nos eixos, o que está em jogo é algo além disso: É toda uma crença política que é defendida ferreamente pelos integrantes do PT, mesmo que alguns deles saibam que a crença é errada e puramente ideológica que não funciona na prática pois não passa de teoria econômica furada. O desenvolvimentismo empobrece e desorganiza a economia, aprofundando as injustiças sociais. A ortodoxia econômica é que pode refazer as bases para a retomada do desenvolvimento e da melhoria da distribuição de renda.

Uma coisa nisso tudo é certa: O novo ministro da fazenda tá fodido logo que entrar no cargo. Simples assim.

E tenho dito!

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 8 de novembro de 2014, em Economia e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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