A tara dos calouros de economia por Keynes

Esses dias citei a seguinte colocação do Reinaldo Azevedo no grupo Economia Brasil: “Dilma falou uma barbaridade. Em tom de acusação, a petista afirmou que seu adversário queria levar a inflação para 3% e que isso só seria possível se o desemprego fosse levado a 15%. É uma estupidez. Se os mercados levarem a sério o que diz Dilma, segundo quem só é possível ter inflação baixa com desemprego alto, todos entenderão o óbvio: que ela vai manter baixo o desemprego e alta a inflação”.

Essa reprodução da fala do mesmo tinha a intenção de obviamente dar ensejo a um debate sobre o descalabro dito pela presidenta no debate do SBT e logo de cara um sujeito defensor da Dilma já lançou o argumento fundado no impropério: “Mas que bosta” – Em seguida um sujeito que se disse mestrando ou doutorando em economia financeira chamado André Levy fez ilações dizendo que aquilo não era nenhuma leviandade dita pela presidenta. Rebati a segunda posição, visto que a primeira dentre outras eram de fundo nitidamente de militantes desconhecedores de reles jargões tais como Custo Brasil e outros usados hodiernamente na mídia especializada. Para meu maior espanto o sujeito, André Levy ficou aborrecido e enfurecido e passou a exacerbar um comportamento típico de garotinho mimado pela avó, pois já tinha exterminado teorias descabidas do mesmo em outros grupos comprovando que o mestrado e doutorado dele só poderia ser no máximo um curso de técnico contábil via correspondência, visto que ele mal sabe distinguir verba fiscal arrecadada conforme regras de direito tributário de verba dotada para fins de orçamento regidas por normas de direito financeiro ainda mais específicas.

Parecia que ele queria aplicar todo o dinheiro dos nossos impostos em programas e métodos ortodoxos de adequação e transição da nossa economia para uma normatização econômica venezuelana, fazendo isso através duma tributação à moda francesa rígida e pesada. Não faz sentido algum defender esse modelo híbrido de aplicação de tributos aos moldes duma ditadura e arrecadá-los numa formatação mais voltada ao capitalismo. Isso no mínimo é defender que se instale um Estado fascista que torna o contribuinte refém financeiro do governo. Aliás, é justamente isso que vivemos atualmente de certa forma no Brasil. Ao que tudo indica o rapazola andou bebendo detergente e soltando bolhas e bolhas como se aquilo fosse de fato um argumento louvável devido a sua vasta carga de estudos repletos de Keynes até o talo do seu ser magricela no sentido intelectual.

Ao que tudo indica o sujeito parece ser um tanto empadinha que come salada de chuchu com tomate superfaturado com rodelas de ovos cozidos da granja estatal e deixou de consumir carne bovina alegando falaciosamente ser vegetariano e daí passa a defender tais elementos economicamente deletérios. A blasfêmia do mesmo começa pelo fato do mesmo desconhecer a realidade atual e fundo histórico daquilo que diz estudar no seu pseudo-mestrado, pois das três vertentes keynesianas, cada uma a sua moda tem muito pouco ou nada detém em comum com as outras duas.

A começar pelos radicais keynesianos ortodoxos que são uma raça em extinção desde a década de 70 quando foram quase que totalmente dizimados pela estagflação econômica americana daquela época. Como eles  argumentam que o estado deveria aumentar os gastos para reduzir o desemprego e reduzir os gastos para reduzir a inflação de preços, esses teóricos do caos simplesmente não tinham solução para o que fazer quando ocorresse um cenário com dois elementos possíveis: O de inflação e desemprego altos ao mesmo tempo.  Esse era um fenômeno que eles julgavam impossível.  Após a  estagflação década de 70 a tese deles fez água por todos os lados e eles se afogaram em suas próprias lágrimas.

Entretanto, ainda restaram alguns defensores que isso ainda é impossível. E ao que tudo indica Dilma parece advogar essa tese com base na cola repassada por seus assessores nos debates, os quais são cria da equipe econômica que adora pedalar numa bicicleta cujas rodas e rodinhas são os contribuintes.  Dentre estes assessores repletos de descalabros, o mais proeminente é Guido Mantega, aparentemente um devoto fiel do lendário keynesiano ortodoxo Kenneth Galbraith Junior (Júnior é por minha conta)

Certamente os economistas do atual Ministério da Fazenda são aparentemente seguidores dessa seita e assíduos praticantes dos dogmas de Kenneth pai e Kenneth filho, o Messias que anualmente atormenta o mundo ocidental através do website “The Nation”. Os textos lá publicados revelam com solar clareza que Juninho herdou a ignorância econômica de seu pai com maior empolgação do que o supracitado pseudo-mestrando. Numa de suas últimas articulações teóricas Juninho lançou mão dum argumentum non sequitur tão infeliz que me fez ter um ataque de gargalhadas. Juninho Kenneth dizia explicitamente com todas as letras, que os déficits fiscais são maravilhosos, que os gastos estatais são supimpas e que é a dívida pública que faz uma economia crescer. Se algum leitor duvida disso e acha que eu estou inventando ou exagerando, pode conferir por sua própria conta e risco que a verdade é essa mesmo.

Já os neo-keynesianos são farofa do Keynes com sabor de remédio amargo. Estes são vulgarmente chamados de “neoclássicos” e seus  representantes mais idolatrados são: São Gregório Mankiw e Santo Olivier Blanchard, ambos redatores de obras pops de macroeconomia adotados pelas principais universidades do mundo.  Finalmente, chegamos aos pós-keynesianos.  Estes se auto-proclamam os verdadeiros keynesianos com todo ar de seus pulmões. Por sua vez essa laia considera os keynesianos ortodoxos muito ignorantes e os neo-keynesianos muito ignorantes também por não distiguirem uma coisa da outra.

Assim sendo apenas eles, eles são a raça escolhida, os ungidos dentre os 144 mil economistas mais fodões do unvierso cósmico. Os pós-keynesianos parecem Testemunhas de Jeová que dizem realmente leram e entenderam Keynes assim como um TJ diz que leu e realmente entendeu a bíblia — é o que eles próprios dizem.  O problema aqui é que ler Keynes é uma coisa, entender é outra.  O fato mais óbvio é que “A Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda” do Keynes  é  absolutamente incompreensível e explica bem esse fenômeno bizarro de mutações em seus seguidores. Afinal de contas, o mesmo livro foi capaz de gerar três seitas que não se entendem, não se bicam e se vituperam mutuamente como se fossem religiões originadas cada uma para adorar um ser supremo diferente.

Vamos recorrer a uma explicação mais plausível e inteligível aos leigos:

Economicamente falando, os pós-keynesianos estão, por assim dizer, à direita dos keynesianos ortodoxos e à esquerda dos neo-keynesianos, que eles chamam de neoliberais.  Quanto a estes últimos, as principais diferenças estão na política monetária.  Para um pós-keynesiano, a moeda é o segredo de tudo. Isto é, trata-se da pedra filosofal deles.  É ela quem gera a riqueza de uma economia.  Se o país não está crescendo, se a economia está aquela pasmaceira, basta imprimir dinheiro e reduzir os juros  que  crescimento virá como que se maná no deserto.

É fácil encontrar nas universidades (e eu falo isso de experiência própria, pois tive um professor pós-keynesiano) Os professores pós-keynesianos que dizem com absoluta convicção que o Banco Central não deve ter medo de imprimir de dinheiro. Sim é isso mesmo: Quanto mais dinheiro, maiores serão os salários, maior será a demanda, maior será o crescimento econômico.  Inflação? “Ah, isso é perfeitamente ajustável.  Basta controlar os gastos do governo”.  Desemprego? “É só aumentar os gastos e duplicar a velocidade da impressora.” Capital e produção? “Hein?! O que é isso?”

Sim, para um pós-keynesiano, a manipulação monetária é tudo.  É da moeda que vem a riqueza e o bem estar geral da nação e louvado seja Keynes por isso.  São os juros baixos, tendentes a zero, que propiciam investimentos vultosos e profícuos em todos os setores.  O fato de o capital advir da poupança é, para eles, uma ficção científica da mais incomuns e deve ser lorota a bem da verdade.  O fato de a produção ter necessariamente de vir antes do consumo é bobagem. Nada disso possui lógica intrínseca ao sistema econômico moderno.  E, principalmente, o fato de papel pintado e numerado gerar demanda, mas não necessariamente gerar oferta (pois oferta precisa de produção e produção precisa de capital e capital só advém da poupança) é algo totalmente fora do comum — na verdade, isso é sequer é considerado como fator econômico.  Para um pós-keynesiano a vida é simples e fácil: Basta você imprimir dinheiro que as coisas surgem do nada.

Esse professor pós-keynesiano que tive na universidade vivia tecendo loas e louvores ao FED, ainda em 2006 dizia em seus artigos:  “Aquilo, sim, é que é um Banco Central heterodoxo, pós-keynesiano mesmo!  Lá não tem essa bobagem de contenção monetária que praticamos aqui”.  Isso, obviamente, foi antes da crise econômica.  É bem provável que hoje ele não mais fale isso nem sob tortura das mais ultrajantes.  No entanto, não podemos ignorar a exatidão e a honestidade de sua análise.

Feitas essas considerações, vamos ao descalabro dum segundo interlocutor que surgiu nesse debate querendo de todos os modos me expulsar do grupo Economia Brasil: Jhean Steffan Martinez é o nome da criança que ainda não saiu do cueiro e disse que eu deveria respeitar os que taxaram a minha colocação sarcástica, entre aspas e feita de segunda mão como é o meu habitual, pois citei “in verbis” Reinaldo Azevedo comentando na Rádio Jovem Pan o debate do SBT entre Dilma e Aécio.  Ora veiculada lá a fala do mesmo, isso na visão deturpada da realidade do tal Jhean era uma manifestação da turba que eu queria gerar dentre os membros e  gerar ainda intrigas eleitorais e um vendaval de disputas inférteis sem nada ter de teoria econômica. Acima eis que há muita teoria econômica por de trás do que fora por mim pautado e comentado naquele tópico que atraiu anti-tucanos e pseudo-mestrandos que devem ter ingressado na faculdade de economia via PROUNI.

Alguns apedeutas pouco mais amenos e pouco informados, ainda se esforçam para me refutar com gráficos de sites luleiros e tiveram a boa vontade de se calarem quando viram que a realidade se sobrepõe as farsas deles, pois simples cálculos aritméticos desmascaram os gráficos ora postados. E eu que não sou santo nem nada retruquei apenas aquelas colocações do tal Jhean que mais parecia estar num púlbito de igreja pregando moral e bons costumes do que numa comunidade de debates sobre economia. Chegou ao ponto de dizer como um padre em casório: “Quem quer que o Alonso permaneça aqui fale agora ou cala-se para sempre!” – Poucos parecem ter notado, mas sujeito parecia enervado e ao mesmo tempo tristonho e melancólico por querer me retirar a todo custo do grupo por simplesmente não reconhecer dados e teorias embutidas em colocações simples que sempre estão correndo na mídia especializada em economia.

É bastante comum encontrar alunos e estudantes de economia desequilibrados emocionalmente. Eles tem uma aparência pacata e parecem pacíficos e bonzinhos, mas no fundo querem mesmo é impor suas posturas pessoais e intelectuais inseguras goela a baixo dos outros numa demonstração de insegurança quanto a sua própria masculinidade posando de machões autoritários. O tal Jhean se encaixa nessa descrição perfeitamente e seu correligionário André Levy também.  É lógico que, durante dias eles irão ficar lambendo suas feridas, pois causei danos a auto-estima de ambos me valendo duma retórica que ironizava a todo momento a postura psicológica deles e a falta de conhecimento deles sobre os assuntos pautados naquele tópico e em tantos outros.

Em minha defesa digo que não fiz isso por maldade, mas sim por pura diversão, pois ver esmorecer e cair por terra teses e argumentos sem pé nem cabeça desse tipo de calouros é algo muito engraçado.  Agora, como é possível imaginar, esse pessoal posa de casca-grossa e de entendidos no assunto, mas justamente na hora que vão demonstrar isso com algum suposto saber teórico fogem da raia e preferem uma rota de fuga.  Para eles, é condição sine qua non esse tipo de conduta da parte deles para o debate “ser realizado com respeito as idéias deles”.

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 19 de outubro de 2014, em Economia e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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