A contadora do turco

Para quem olha para Meire Poza aparentemente acha ela uma simples contadora inofensiva. Na realidade a ex-contadora de Alberto Youssef é uma caixa preta que já alegou em revista de grande circulação nacional que: “Eram malas e malas de dinheiro”

O depoimento da mesma na CPMI da Petrobrás espalhou o feijão podre até então oculto nas sacas da blindagem e jogou milho para que as galinhas dos ovos de ouro comecem a aparecer uma a uma revelando um verdadeiro esquema mafioso que supostamente leva até José Dirceu como cabeça do esquema do Petrolão.

José Dirceu teria articulado envios de malas de dinheiro através do seus assessor Breno Altman  para os demais tentáculos da operação.

No começo dessa semana em depoimentos  o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef – os dois delatores mais famosos do Brasil – começaram a detalhar um dos mais vastos, ricos e poderosos esquemas de corrupção já descobertos no país.

Nos últimos meses, as provas reunidas pelos investigadores da Operação Lava Jato fechava o cerco no rastreamento de quantias de valores movimentos pelos suspeitos e suas possíveis origens.  Com o foco das investigações se fechando foram se  revelando fortes indícios da existência de uma organização criminosa articula em diversos núcleos como no  caso do Mensalão. Isto significa que o epicentro de comando teria ligação íntima com os atuais patronos políticos da República.

Foram encontrados e apreendidos desde extratos bancários, anotações, e-mails, bem como investigados telefonemas interceptados, contas secretas em paraísos fiscais.. No presente momento  encaixam-se as peças que faltavam a este quebra cabeças. A partir da confissão dos dois principais operadores do esquema tudo passou a tomar uma linha clara de como funcionava o esquema.

Os depoimentos de Paulo Roberto e Alberto Youssef detalharam como funcionava o esquema e denunciaram a existência dum conluio com as maiores empreiteiras do Brasil. A acusação de comprarem diretores da Petrobras e de pagarem propinas aos partidos PT, PP e PMDB ficaram escancaradas nas confissões de Costa e Youssef.

Em seu depoimento Paulo Roberto mencionou que na raiz do esquema, está a mesma prática utilizada no Mensalão: O aparelhamento político da máquina pública é constante e gradual e visa entregar nas mãos dos partidos aliados controle e hegemonia de forma ilícita no comando da República. A Petrobrás ingressa nesse esquema como maior empresa do Brasil, portanto passa a ser assim o principal objeto do desejo dos movimentos escusos de políticos que acossam o Planalto.

Anteriormente antes do Mensalão chegar ao conhecimento público com todos os detalhes, Lula e o ex-ministro da Casa Civil responsável por articular alianças políticas José Dirceu relutavam em dar aos partidos o que eles tanto queriam dentro Petrobras. Paulo Roberto assumiu o cargo em 2004, por indicação do PP e com a bênção e aval do PT, mas apenas após muita pressão,pois para que Paulo Roberto Costa assumisse a cadeira de diretor, esses agentes políticos trancaram a pauta no Congresso durante 90 dias. Lula ficou acuado e teve de ceder segundo alegações de Alberto Youssef e de PRC que ainda disse:

“Na Petrobras, desde que me conheço como Petrobras, as diretorias e a presidência foram sempre por indicação política. Ninguém chega a general se não for indicado nas Forças Armadas. Então, as diretorias da Petrobras nos governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, quer seja nos governos do presidente Lula, foram sempre por indicação política. E fui indicado pelo PP para essa diretoria”, disse Paulo Roberto no depoimento. “Foi dito que o partido (PP) tinha interesses. É óbvio que nenhum partido indicou algum diretor só pela capacidade técnica dele.”

Segundo Paulo Roberto e Youssef, os verdadeiros chefes da organização criminosa eram os manda chuvas dos partidos – PT, PMDB e PP – que afiançavam as nomeações na Petrobras. Acima deles, apenas Palácio do Planalto de Lula sob controle do PT, que era de onde partiam as ordens para nomear os afilhados dos partidos.Segundo consta Paulo Roberto passou a operar com mais liberdade somente após o Mensalão, em 2005, à medida que a Petrobras se tornava a principal fonte de renda dos políticos.

A partir disso o conjunto de esquemas na Petrobras, que agora se convencionou chamar de Petrolão, é o ainda maior e mais amplo do que o Mensalão. Não é fato fortuito que o primeiro patrono de Paulo Roberto – o deputado e líder do PP José Janene, morto em 2010 – tenha participado tão decisivamente dos dois esquemas. Youssef também foi envolvido no Mensalão, como doleiro responsável por lavar dinheiro do operador Marcos Valério. Até o operador João Cláudio Genu, lugar-tenente de Janene e condenado no julgamento do Mensalão participou dos dois esquemas.

No segundo mandato de Lula, enquanto o MPF e STF trabalhavam no julgamento do Mensalão, parte dos acusados continuava a fazer miséria com dinheiro público. Haviam apenas mudado de praça. E estavam mais ricos e mais poderosos.

A prosperidade veio com o início da construção de refinarias, no segundo mandato de Lula. Havia anos a Petrobrás não investia na área e subitamente, resolveu construir muitas: Abreu e Lima, Comperj, Premium I, Premium II. Todas, obras orçadas em bilhões. Também comprou a infame refinaria de Pasadena no EUA, a qual segundo Paulo Roberto, foi nesse momento que as grandes empreiteiras se uniram, segundo ele num “cartel”, para fazer negócios na área de abastecimento – encarregada de tocar  essas obras; Conforme PRC esclarece:

 “Existia, claramente, isso foi dito pelos presidentes das companhias, de forma muito clara, que havia uma escolha de obras dentro da Petrobras e fora da Petrobras. Ocorreu de eu ter reuniões dentro da companhia, às vezes até reuniões com representante de grupo político, para a inclusão de empresas nas licitações”.

Ambos afirmam ainda que as propinas no caso das refinarias eram de 3% do valor do contrato:

“Me foi colocado pelas empresas e também pelo partido (PP) que, dessa média de 3%, o que fosse da Diretoria de Abastecimento, 1% seria repassado para o PP, e os 2% restantes ficariam para o PT dentro da diretoria que prestava esse serviço, que era a Diretoria de Serviços. Isso me foi dito com toda a clareza. A Diretoria Internacional tinha indicação do PMDB, então, havia recursos que eram repassados também para o PMDB”.

Segundo os dois delatores, o então diretor de Serviços, Renato Duque, indicado pelo PT e capitaneado pelo tesoureiro informal do partido, João Vaccari, era cúmplice no esquema. Youssef afirmou ter estado duas vezes com Vaccari para “tratar de Petrobras”. Disse, ainda, que cada partido tinha seus operadores e meios de repasse de dinheiro. Respeitavam-se os espaços, para não haver brigas, como a que expôs o Mensalão. Nas demais diretorias comandadas pelo PT, Paulo Roberto disse que a propina de 3% também era aplicada, mas o valor não era dividido com mais ninguém. Youssef ainda menciona: “Não operei em outra diretoria. Mas sei que existiam os mesmos moldes nas outras diretorias. Sei porque os próprios empreiteiros, operadores, eles falavam”.

No depoimento desta semana passada, Paulo Roberto contou que foi abordado no começo do ano por um candidato ao governo do Rio de Janeiro. Nesse depoimento, ele não mencionou o nome do candidato. Na delação que fez ao procurador-geral da República, contou que se tratava do então Senador Lindberg Farias do PT.

Dois lobistas que trabalhavam com Paulo Roberto confirmaram a proximidade dele com Lindberg: “O objetivo é que eu preparasse para ele um programa de energia e infraestrutura de maneira geral. E participei de umas três reuniões com esse candidato lá no Rio de Janeiro, assim como outras pessoas participaram. Foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir para o cargo político a que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura do Rio de Janeiro. Listou uma série de empresas com que eu tinha contatos. Outras não. Hope, não conheço. Mendes Júnior, conheço. UTC, conheço. Constran, não. Engevix, conheço. Iesa, conheço. Toyo Setal, conheço. E foi solicitado que houvesse a possibilidade de as empresas participarem da campanha. E me foi dito pelo candidato.” Aos procuradores, Paulo Roberto afirmou ter pedido as contribuições de campanha, mas disse não saber se houve pagamentos.

No depoimento, Youssef confirmou que as reuniões para tratar da propina repassada a políticos e a outros agentes públicos eram registradas em atas. Desses encontros, disse Youssef ao magistrado Sérgio Moro, participavam ele, Paulo Roberto e Genu. Ele disse ainda, durante a audiência, que as reuniões eram feitas com as empreiteiras individualmente. Serviam para discutir valores, andamento das obras e, naturalmente, o pagamento da propina. Youssef afirmou que entregará esses documentos para ser anexados ao processo. Documentos estes que pode estar nas mãos de sua ex-contadora mediante cópias ou até mesmo originais.

A contadora Meire Poza admitiu ter guardado um contrato  – apreendido pela Polícia Federal em seu escritório – de um empréstimo de R$ 6 milhões entre a 2 S Participações LTDA, empresa de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto, mas disse desconhecer sua utilização por Enivaldo Quadrado.

Menciona a contadora: “Eu não tenho conhecimento de que tenha havido nenhum tipo de chantagem. Quando ele me pediu para que eu guardasse esse contrato, em momento algum falou para que ele tinha utilizado ou para quem ele tinha utilizado. Eu só soube do teor depois da publicação da revista Veja”.

Em depoimento à CPMI da Petrobras, ela disse que ficou encarregada de buscar R$15 mil durante três meses com uma pessoa ligada ao diretório nacional petista. Mas ela negou ter conhecimento de que Alberto Youssef operasse um esquema de lavagem de dinheiro com prefeituras do PT. Segundo ela disse:

Uma das coisas que eu deixei claro foi que eu não teria dito que o Beto tinha essa ascendência em prefeituras do PT. Então, voltando a isso, o Beto talvez, o Alberto Youssef, talvez esteja sendo dado a ele um poder, talvez, porque eu não sei, ele está em um processo de delação premiada, mas talvez um poder um pouco maior do que o que ele tenha”

Após a contadora Meire Poza negar ter conhecimento sobre suposto  desvio de R$ 6 milhões da Petrobras, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), criticou reportagem publicada pela revista Veja sobre o assunto e tentou eivar de suspostos equívocos a investigação da Operação Lava Jato.

Segundo a revista, o ex-sócio da corretora Bônus Banval Enivaldo Quadrado, condenado no julgamento do Mensalão, teria chantageado o PT para não fornecer detalhes da suposta operação que envolveria membros do partido. Mesmo sem a confirmação de Meire Poza, o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) acredita que o contrato teria sido usado por Quadrado para chantagear o PT.

Enquanto isso, Youssef detém em seu poder 12 ou 13 atas manuscritas em papel no formato A4, sobre reuniões que ocorriam em escritórios, hotéis e restaurantes. Delas participavam políticos e executivos das empreiteiras envolvidas nas principais e mais caras contratações da estatal.

Com minúcia de detalhes, as atas ajudam a esclarecer como eram partilhados os contratos superfaturados e o caminho da propina. Uma dessas atas traz até o carimbo de uma das empresas investigadas no escândalo. Existem também anotações sobre os partidos beneficiados pelo desvio de recursos – PT, PP e PMDB.
O conjunto de provas de Youssef vai além das atas. Ele dispõe de uma série de notas fiscais, emitidas contra as empreiteiras participantes do esquema com anotações sobre o valor líquido – a propina – a dividir entre os operadores e os chefes de esquema de corrupção.

Além disso, ele garantiu aos investigadores acesso a aparelhos telefônicos ponto a ponto, usados somente entre duas pessoas, usados por integrantes do esquema. São pelo menos dez canais exclusivos de comunicação.

Outro personagem do escândalo de corrupção do Petrolão revelado por Meire Poza, é o jornalista petista Breno Altman é muito ligado a José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula condenado por chefiar a quadrilha do Mensalão. Altman inclusive acompanhou Dirceu à Polícia Federal, em São Paulo, quando o ex-ministro se entregou para cumprir sua pena de prisão na penitenciária da Papuda, em Brasília.

Segundo a ex-contadora do doleiro Breno Altman atuava como o “homem da mala”, entregando-lhe R$ 15 mil mensais, em espécie, para o pagamento de multa fixada pelo Supremo Tribunal Federal para o doleiro Enivaldo Quadrado, um dos condenados por integrar a quadrilha do mensalão. A oposição concluiu que esse fato é mais uma prova de que José Dirceu, chefe de Altman, comandava de fato a quadrilha do Mensalão no governo Lula – o maior escândalo de corrupção da História, antes, é claro, do Petrolão revelado pela Lava Jato, cujas dimensões parecem maiores e que ainda estão sendo apuradas pela Justiça.

CONTADORA DO DOLEIRO

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Sobre Aloprado Alonso

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Publicado em 11 de outubro de 2014, em Política e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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