Debate sobre Marxismo na Ringue Filosófico – Parte I

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Braz –> Para tornar mais grave a nossa indigência, floresce o “marxismo legal”, amparado nos umbrais das academias, a produzir subjetividades e especulações, quando não a cometer desatinos, imputando como sendo um socialismo real aquilo que nunca chegou a ser socialismo.

 

AA:  Marxismo é um pensamento a priori não acadêmico, mas sim dum movimento social, a saber: Socialismo & Comunismo.

 

Braz : Quando Marx o teorizou e chamou a atenção da universidades que a consideraram importante boa apenas teórica e não prática claro que existia antes o comunismo primitivo a dos cristãos  que Marx a considerava apenas ação humanistas e o socialismo comunitário proposto pela própria burguesia leis —- Quem quiser ler sobre  isto no livro de Michel lowi  “A teoria da revolução no jovem Marx”

AA: Quando Marx começou a teorizar mais minuciosamente quando ele estava na França (e com influência de Engels) trabalhando para uma revista do Partido Socialista depois disso expressou o caldo mais grosso de suas perspectivas de política econômica numa associação belga de trabalhadores. O processo todo se deu em suma fora dos centros acadêmicos. Marx além disso JAMAIS compreendeu a cristandade e pensamento judaico-cristão e direito romano e filosofia grega como alicerces de suas perspectivas. Pelo contrário esvaziava ela de sentido axiológico. O marxismo heterodoxo este sim é de formatado e originado em centros acadêmicos, ao contrário do “premier marxism” que foi feito dentro de estruturas de movimentos sociais visando fundamentar esses movimentos em sua época.

AA: Outra interpretação ao enunciado. (Para não dizerem que sou positivista ou olavista) O Braz Augusto Menezes tem razão quando menciona que o marxismo legal é uma causa indigência, ora pois, o jusmarxismo encabeça as seguintes propostas:

I – Divergência em relação ao determinismo histórico marxista e ênfase na importância da superestrutura (aspectos religiosos, culturais e ideológicos da sociedade) para a dominação burguesa no capitalismo, e não somente no papel da propriedade privada dos meios de produção e na relação de exploração que ocorre entre burguesia e proletariado na base ou estrutura, desfazendo, de certa forma, a tradição economicista do marxismo ortodoxo, embora reconhecendo que, em última instância, o componente econômico da sociedade é determinante, sem, contudo, negar a influência dos elementos ideológico e cultural, e reconhecendo a relevância destes últimos

 

Considerações:

 

1.1) A evolução teórica em relação à visão marxista do Estado e a revitalização do conceito de superestrutura:

 

Em três pontos principais, Gramsci representou uma evolução, e não uma ruptura, com o marxismo – leninismo tradicional e ortodoxo:

 

a) divergência em relação ao determinismo histórico marxista e ênfase na importância da superestrutura (aspectos religiosos, culturais e ideológicos da sociedade) para a dominação burguesa no capitalismo, e não somente no papel da propriedade privada dos meios de produção e na relação de exploração que ocorre entre burguesia e proletariado na base ou estrutura, desfazendo, de certa forma, a tradição economicista do marxismo ortodoxo1, embora reconhecendo que, em última instância, o componente econômico da sociedade é determinante, sem, contudo, negar a influência dos elementos ideológico e cultural, e reconhecendo a relevância destes últimos;

b) ampliação do conceito marxista de Estado;

 

c) consideração de que a sociedade civil está situada na superestrutura, e não na estrutura, conforme afirmava Marx.

 

Gramsci apresentou uma visão evolutiva em relação ao materialismo histórico de Marx e Engels. Segundo o referido materialismo histórico destes últimos, de acordo com Magalhães (2001:75),

 

“as instituições sociais, políticas e culturais, as ideologias predominantes e a própria consciência da coletividade são modeladas pelas relações econômicas e pelas condições materiais – ou, em termos marxistas, a superestrutura social é sustentada por uma base econômica. Marx e Engels identificaram uma série de estágios históricos correspondentes ao desenvolvimento progressivo da produção material, partindo do comunismo primitivo, prosseguindo pela escravidão e pelo feudalismo, até chegar ao capitalismo, o qual seria suplantado pelo socialismo e, por fim, pelo comunismo avançado”.

Segundo Taylor (in Marsh & Stoker, 1995:253): “Para Gramsci, a mudança histórica não pode ser entendida em termos de um desenvolvimento linear simples (Comunismo inevitavelmente supera o capitalismo), mas tem que ser julgada em toda a sua complexidade. Ela é aberta e contingente e existem dimensões políticas, ideológicas e culturais que são cruciais para o desenvolvimento da consciência. ‘Consciência’ aqui se refere a mais do que a experiência econômica da exploração; ela envolve um entendimento de como as pessoas estão sujeitas aos efeitos de visões ideológicas concorrentes em relação ao mundo”.

 

è  Conclui-se, então, que, para Gramsci, ao contrário do marxismo economicista tradicional, não é só o aspecto econômico que merece consideração, os componentes superestruturais, referentes à ‘consciência’ tais como a cultura, a religião, a ideologia, as diferentes visões de mundo (burguesa e proletária) também são importantes para explicar a dominação burguesa na sociedade capitalista. Os argumentos anteriormente apresentados são enfatizados por Taylor, que escreve que:

 

“a chave para entender a originalidade teórica de Gramsci reside no fato de que a propriedade privada dos meios de produção é uma base necessária, mas não suficiente, para a dominação capitalista (…). Se quisermos entender a complexidade de qualquer conjuntura particular, então é essencial, na opinião de Gramsci, examinar as dimensões política, cultural e ideológica da luta de classes. Então, enquanto ele estaria disposto a admitir que o curso básico da história humana é explicado pelo desenvolvimento das forças produtivas, ele também enfatiza que sua trajetória seria modelada de acordo com as circunstâncias particulares de cada país” (Gramsci, 1971, p.240)

 

(Taylor, in Marsh & Stoker, 1995:253).

 

Ainda sobre a importância atribuída por Gramsci à superestrutura, o autor antes mencionado afirma que o pensador italiano considera que “a luta pela consciência é tão importante quanto a luta pela propriedade dos meios de produção” (Ibidem:254). Por fim, em relação ao reconhecimento, por Gramsci, da preponderância do componente econômico no funcionamento da sociedade capitalista, o mesmo autor escreve que “Entretanto, apesar de Gramsci enfatizar intensamente a autonomia da superestrutura, ele reconhece que ela está intimamente ligada às relações de produção. Apesar da hegemonia ser ético-política, ‘ela também tem que ser econômica, tem necessariamente que ser baseada na função decisiva exercida pelo grupo líder no núcleo decisivo da atividade econômica’(Gramsci, 1971, p.160)” (Ibidem:254).

Em relação ao segundo ponto, referente à ampliação do conceito marxista de Estado, trata-se do aspecto de que “o Estado era muito mais do que o aparelho repressivo da burguesia; o Estado incluía a hegemonia burguesa na superestrutura” (Magalhães, 2001:101). Coutinho (1989:76 e 77) também se refere a este assunto, que denomina de “A teoria ampliada do Estado em Gramsci (conservação / superação da teoria marxista “clássica”)” .

 

De acordo com ele:

 

“o Estado em sentido amplo, com novas determinações, comporta duas esferas principais: a sociedade política (que Gramsci também chama de “Estado em sentido estrito”ou de “Estado coerção”), que é formada pelo conjunto de mecanismos através dos quais a classe dominante detém o monopólio legal da repressão e da violência, e que se identifica com os aparelhos de coerção sob controle das burocracias executiva e policial-militar; e a sociedade civil formada precisamente pelo conjunto das organizações responsáveis pela elaboração e/ou difusão das ideologias, compreendendo o sistema escolar, as Igrejas, os partidos políticos, os sindicatos, as organizações profissionais, a organização material da cultura (revistas, jornais, editoras, meios de comunicação de massa)etc” (Coutinho, 1989:76 e 77).

 

Ou seja, a inovação promovida por Gramsci em relação à ampliação do conceito marxista de Estado foi no sentido de que Marx concebia o Estado apenas como sociedade política, como braço repressor da burguesia sobre o operariado, e Gramsci passou a considerar o Estado como parte também da superestrutura responsável pela imposição e difusão da hegemonia burguesa, embora tenha reconhecido que o Estado capitalista é, também, braço repressor da burguesia sobre o operariado, sendo, porém, mais do que isso.

Com referência à questão da sociedade civil, Carnoy (1988:92) escreve que esta última, para Marx, é o “domínio das relações econômicas”. Segundo o mesmo autor a sociedade civil ” engloba o conjunto do intercâmbio material dos indivíduos, no interior de um estágio determinado de desenvolvimento das forças produtivas. Ela engloba toda atividade comercial e industrial de um dado estágio de desenvolvimento…” (Ibidem:92). Já Gramsci considerava que a sociedade civil era “o conjunto dos organismos vulgarmente denominados “privados””(Ibidem:93).

 

A diferença entre Marx e Gramsci, segundo Carnoy (1988:93) é que, “para Marx, a sociedade civil é estrutura (relações na produção). Para Gramsci, ao contrário, ela é superestrutura, que representa o fator ativo e positivo no desenvolvimento histórico; é o complexo das relações ideológicas e culturais , a vida espiritual e intelectual, e a expressão política dessas relações torna-se o centro da análise, e não a estrutura”.

 

Carnoy também identifica nesse ponto a principal contribuição de Gramsci para a renovação e evolução do marxismo:

 

“Foi em sua concepção de sociedade civil e sua elevação da hegemonia burguesa a um lugar de destaque na ciência política que Gramsci foi além de Marx, Engels, Lênin e Trotski. Ao fazê-lo, ele enfatizou de forma muito mais aguda que os teóricos precedentes o papel da superestrutura na perpetuação das classes e na prevenção do desenvolvimento da consciência de classe (…). Ele atribuiu ao Estado parte dessa função de promover um conceito (burguês) único da realidade e, conseqüentemente, emprestou ao Estado um papel mais extenso (ampliado) na perpetuação das classes” (Carnoy, 1988:90 e 91).

 

continua…

 

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 28 de março de 2013, em Política. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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