O conceito de propriedade está em xeque?

Certa vez, li um livro de histórias sobre um juiz famoso no Japão do século XVIII chamado Ooka Tadasuke. Um dos casos que ele decidiu foi uma demanda dum proprietário de uma loja de alimentos. Um estudante pobre que poderia comprar arroz só foi comer seu arroz enquanto apreciava delicioso cheiro vindo da loja de comida. O proprietário queria cobrar estudante para pagar os cheiros aromas de que ele estava gostando. Afinal, estudante estava roubando seus aromas segundo o proprietário!

Esta história, muitas vezes vem à mente quando acontecem acusações das pessoas de roubarem qualquer bem ou serviço ou algum tipo de propriedade intelectual.

Parece ridículo para nós para tratar cheiros como propriedade. Mas eu posso imaginar cenários em que se poderia cobrar por cheiros e aromas dessa forma sem serem perfumes. Imagine se estivéssemos vivendo em uma base lunar onde tínhamos que comprar ar por litro. Eu poderia imaginar fornecedores de ar adicionando aromas por um custo extra.

O que conta como propriedade depende do que deveria se tratar como propriedade. E que não só pode mudar, mas mudou. Os seres humanos podem até mesmo por vontade própria tratar pequenas ougrandes coisas do seu ser como propriedade. Por exemplo: as habilidades. Muitos atletas são contratados por suas habilidades em diversos esportes, muitos especialistas em diversas áreas também, mas essas suas habilidades não são propriedades dentro dum conceito formal, são apenas serviços e mão de obra que pode ser remunerada.

Muitas pessoas pensam o termo propriedade como tendo uma definição única e imutável, isso parece ser a ótica duma definição social que muda muito lentamente sobre o próprio meio em que vivem e se relacionam.  Atualmente estamos no mundo das mudanças rápidas e ainda pouco compreendidas na sociedade.

As empresas atualmente exploram frequentemente os meios de relacionamento tecnológico para distribuir o que elas produzem via propaganda como o ar fornecido através de tubos em uma base lunar. A maciça chegada das redes sociais é como se nos mudasse para um planeta com uma atmosfera respirável de produtos e marcas sem notarmos que estamos respirando propaganda e disseminação do consumo.

Os dados se movem como cheiros e aromas agora. E através de uma combinação de  tendências de curto prazo e ganância, as marcas mais fortes do antigo planeta sem redes socais se colocaram na posição do proprietário da loja de alimentos, podendo nos acusar  um dia de roubar seus cheiros e aromas.

A razão de dizer curto prazo e ganância é que pode se pode de um dia para outro ocorrer problemas com marcas e empresas tanto sobre furto de seus aromas, bem como, as pessoas as quais dirigem seus produtos e ganância nas próprias redes sociais, podem alegar de terem se tornado meio de propaganda ou vítimas dessas empresas e marcas pela motivação excessiva ao consumo.

Então, o que isso significa? Caso as empresas sejam capazes usar o destinatário do seu produto como método de marketing ou por outro lado serem acusadas de excesso de motivação? Não há um único sim ou não responder a essa pergunta. As pessoas deveriam fazer algum tipo de reflexão capaz de por conteúdo aos quais estão submersos em xeque.

Quando menciono “reflexão”, quero dizer algo mais sutil do que ser mais um destinatário final nesse sistema de oferta e consumo. Quero dizer, quando as empresas podem ofertar e cobrar por conteúdo sem tornar a sociedade mais consumista. Afinal, as empresas que vendem cheiros e aromas numa base lunar poderiam continuar a vendê-los na Terra, se eles fizeram lobby com sucesso para as leis que exigem de todos nós respirássemos através de tubos, mesmo que não seja naturamente isso necessário.

Em última análise, tudo se resume ao bom senso. Quando você está abusando do sistema legal ao tentar usar ações judiciais contra pessoas escolhidas aleatoriamente como uma forma de punição exemplar, isso é evidência ipso facto que você está usando uma definição de propriedade que não funciona mais.

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Sobre Aloprado Alonso

O cara mais aloprado da internet - barbudo, blogueiro, rockeiro, mulherengo e sempre tentando parar de fumar ...

Publicado em 11 de novembro de 2012, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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